Curso “Zoom” de Pensamento Crítico e Argumentação

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Pense Melhor Argumente Melhor

– Desenvolver as nossas capacidades de Pensamento Crítico e Argumentação
– Exercícios práticos e dinâmicos (diálogos socráticos)
– Compreender melhor o que nos dizem
– Analisar e avaliar raciocínios e argumentos.
– Formular melhor as nossas próprias ideias

 

Curso on-line através da plataforma “Zoom”

Teoria e Prática

Diálogos Socráticos entre os Participantes

Glossário de Pensamento Crítico (oferta)

Certificado de Participação

Gravação das sessões para ver e rever mais tarde  (cada sessão fica “on-line” 2 dias e só os participantes do curso têm acesso a ela)

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Valor: 60€ (vagas limitadas)

MB Way +351 916686399
IBAN – PT50 0007 0000 0039 9182 6462 3

Inscrições e comprovativos de pagamento
clubefilosoficodoporto@gmail.com

 

Quartas e Domingos (21h00 – 22h30)

1ª sessão – Introdução ao Pensamento Crítico (19/7)
2ª sessão – Análise de Argumentos (22/7)
3ª sessão – Avaliação de Argumentos (26/7)
4ª sessão – Diálogo Socrático (29/7)

Uma organização do Clube Filosófico do Porto

Tomás Magalhães Carneiro
Fundador do Clube Filosófico do Porto (2008);
Professor de Filosofia;
Formador nas áreas do Pensamento Crítico, Argumentação, Diálogo em Aulas e Filosofia com Crianças
(Reitoria da Universidade do Porto; Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Centros de Formação e em várias instituições de ensino privadas e públicas).
Dinamizador de diálogos socráticos públicos (Cafés Filosóficos, Ciclos de Leituras Filosóficas, etc.)

Sinais para Dialogar

Durante um Diálogo Filosófico é desejável que os nossos alunos se afastem do modelo habitual de conversação onde impera a opinião e o “bitaite” em que cada um diz o que pensa sem que isso seja verdadeiramente tido em conta e analisado pelos outros. É importante que os alunos saibam lançar-se numa saudável disputa dialéctica com refutações, contra-refutações e perguntas feitas aos argumentos uns dos outros e que sejam capazes de aprofundar o Diálogo em outras direcções que não apenas a das suas primeiras impressões e ideias.. Uma forma de conseguirmos que o façam, sem interferirmos na sessão, é através da introdução prévia de uma “sinalética para o diálogo”.
Cada um destes sinais corresponde a uma ferramenta básica para dialogar que, ao mesmo tempo que incentiva os alunos irem além da mera troca de opiniões lançando-os em pleno terreno do Diálogo Filosófico (o plano da argumentação e da problematização), também faz com que, tendo que decidir o que vão fazer na sua intervenção, os alunos se tornem mais conscientes da direcção dos seus raciocínios (“Vou fazer uma crítica”, “uma pergunta”, “defender uma posição”, etc.). Estes sinais são, como tal, ferramentas de meta-pensamento.
1 – Dedo no ar: “Quero responder à pergunta.”
How to Encourage Class Participation in Shy Students — Strategies ...
2 – Mão aberta: “Quero criticar o argumento de um amigo.”
3 – Mão fechada: “Tenho uma pergunta.”
4 – Dedos em V: “Quero defender a posição de um amigo (com um novo argumento).”
Raised Hand Giving The V Sign - Fotografias de stock e mais ...
5 – Sinal de OK!: “Ok! Mudei de opinião.”

O Jogo da Filosofia: 8 Regras

Nas minhas sessões de “Diálogo Filosófico”, tanto com crianças como com adultos (Filosofia com Crianças, Cafés Filosóficos, etc.), costumo apresentar a filosofia como um jogo, o “Jogo da Filosofia”, o qual todos podem participar desde que cumpram determinadas regras bastante simples de se seguir.
O “Jogo da Filosofia”, como qualquer outro jogo, tem as suas regras próprias que se não forem cumpridas não nos permitem jogar, neste caso filosofar.
Por exemplo, se estivermos a jogar ténis e não respeitarmos os limites do “campo”, se deixarmos a bola bater no chão mais que uma vez, se deixarmos o nosso adversário a jogar sozinho enquanto nos entretemos a bater bolas contra a parede sozinhos, ou se procurarmos atingir o nosso adversário com a raquete quando ele procura servir, se fizermos alguma dessas coisas, não estaremos a jogar ténis, estaremos a fazer outra coisa qualquer. As regras do ténis libertam os jogadores para jogar ténis, da mesma forma as regras do jogo filosófico libertam-nos para pensar.
Por exemplo, no “Jogo da Filosofia” se gritarmos com o nosso interlocutor, se o procurarmos convencer pela força, se não compreendermos o que ele nos diz, se não o procurarmos convencer racionalmente das nossas razões, então não estaremos a fazer filosofia, estaremos a fazer outra coisa qualquer.
Da forma como eu vejo o “Jogo da Filosofia”, quer o pratiquemos sozinhos a ler as obras dos filósofos ou em grupo a conversar com os nossos amigos, as suas regras são as regras do diálogo racional entre pessoas bem intencionadas e bem educadas. Como em qualquer outro desporto também aqui a batota e a falta de “fair-play” não devem ser permitidas.
Seguem-se aquelas que considero serem as 8 regras básicas do “Jogo da Filosofia”
1 – Apresentar a nossa tese de forma clara
Este é o primeiro passo que devemos dar para jogar este jogo, i.e., para fazermos filosofia. Ao apresentarmos de uma forma clara a nossa opinião sobre um determinado problema estamos a comprometer-nos com uma determinada posição, saindo assim do conforto de uma posição neutra que não se engana porque nada diz ou de um relativismo que quer abarcar tudo sem, no entanto, se comprometer com nada. Sem esse comprometimento com uma determinada posição o pensamento não avança. Além de que nada nos impede de, mais à frente no jogo, voltarmos atrás e mudarmos de posição (ver regra 8).
Num Diálogo Filosófico é muito comum as crianças quererem falar apenas “por falar”, ou seja, sem terem uma contribuição pertinente para o diálogo. É importante que nestes casos o professor subtilmente incentive os alunos a se escutarem mutuamente e a pensarem bem antes de falar não se limitando a esperar de dedo no ar pela sua vez. (algumas Ferramentas de Moderação podem ajudar o professor neste sentido)
2 – Defender a nossa tese com razões
É aqui que a opinião se torna num argumento e mostramos aos nossos interlocutores (que podemos ser nós mesmos) porque é que defendemos o que defendemos. Enquanto não o fizermos os outros não têm qualquer motivo para acreditar em nós.
É esta apresentação das razões por parte de quem defende uma determinada posição que permite aprofundar o jogo da filosofia. A partir daqui podemos analisar as razões apresentadas, verificar a pertinência da sua ligação à tese que pretendem defender, encontrar os pressupostos de que dependem, etc.
É neste ponto que o autor da tese “abre o flanco” da sua posição à crítica dos outros, e é aqui que verdadeiramente começa o “jogo da filosofia”.
3 – Praticar a Escuta e a Dialéctica (crítica)
Não faz qualquer sentido apresentar as razões de um argumento se aqueles que jogam o jogo não fizerem um esforço para verdadeiramente as compreenderem.
Escutar os outros é diferente de simplesmente os ouvir respeitosamente. Escutar implica compreender profundamente o que dizem e porque o dizem. Só depois de verificarmos se realmente compreendemos as razões em jogo estamos autorizados praticar a dialéctica e a criticar essas razões caso não concordemos com elas.
(os Sinais para Dialogar ajudam o grupo a focar as intervenções uns dos outros)
4 – Dar exemplos e procurar contra exemplos
Um exemplo ajuda-nos, por um lado, a clarificar aquilo que defendemos dando-nos um episódio ou facto concreto onde os nossos conceitos se aplicam. Ao fazê-lo estamos também a aproximar o raciocínio filosófico (tendencialmente abstracto) das nossas vidas (tendencialmente concretas). Estamos, dessa forma, a dar um conteúdo “mais próximo de nós” aos nossos conceitos o que nos ajuda a perceber melhor a importância da filosofia e do pensamento abstracto nas nossas vidas.
Por outro lado, a discussão de ideias gerais leva-nos frequentemente a fazer generalizações e isso leva-nos, por sua vez, a procurar condições para determinados conceitos e ideias.
No esforço de ensinar os nossos alunos a tornarem-se pensadores mais competentes devemos, desde muito cedo, a não aceitar sem mais qualquer generalização “Todos os X são Y, por exemplo) ensinando-os a procurar contra-exemplos às suas ideias e às ideias dos outros.
Além disso devemos certificar-nos que compreendem as implicações que um contra-exemplo tem para as suas ideias e ensiná-los a lidar com isso no contexto do “jogo da filosofia”. Ao encontrar um contra-exemplo a uma determinada generalização, definição ou condição o seu autor está obrigado a reformular a sua ideia original, a torná-la mais fraca ou a desistir dela completamente. Aceitar ver o contra-exemplo como um potencial “golpe fatal” à nossa posição inicial implica uma maturidade intelectual muito grande pelo que podemos dizer que quem sabe lidar com este movimento cognitivo no contexto de um Diálogo Filosófico já é um Pensador Crítico bastante competente e está no bom caminho para se tornar um bom Filósofo.
(este link pode ajudar)
5 – Arriscar Hipóteses
A filosofia é, em grande parte um exercício de especulação rigorosa. Avançar uma hipótese é uma forma de ousarmos pensar de forma diferente daquela a que estamos acostumados a fazer, uma forma de sair da nossa zona de conforto onde dificilmente o pensamento se pode alimentar.
Arriscar hipóteses para pensar é ir mais além do simples acreditar. Se nos deixarmos ficar por aquilo que sempre acreditamos, não vamos ver outras possibilidades e pontos de vista alternativos em relação às nossas crenças. Por outras palavras não nos vamos permitir a possibilidade de descobrir que estamos errados e mudar de ideias.
Pensar em “hipóteses” é, além disso, uma forma de discutir ideias de uma forma desligada do sujeito que as avançou. Numa discussão dizer que estamos a discutir hipótese afasta-nos da discussão em torno das nossas “crenças pessoais”, às quais frequentemente estamos emocionalmente ligados, o que dificulta a análise crítica dessas  crenças. Vê-las como meras “hipóteses” dá-nos alguma distância crítica sempre salutar num Diálogo Filosófico.
6 – Procurar outras perspectivas
Muitas vezes a forma de resolver um determinado problema filosófico (e não só) é procurar outro ponto de vista sobre esse problema. Muitas vezes os nossos dogmas e preconceitos não nos deixam ver além daquilo que já vemos e, outras vezes ainda, estamos a ver um problema onde ele nem sequer existe.
O Diálogo com os outros permite-nos acesso a muitos outros pontos de vista que, todos juntos, nos podem ajudar a ver um problema com maior objectividade, a encontrar diferentes soluções para esse problema ou a perceber que não havia de todo um problema.
7 – Fazer perguntas
O questionar é uma das “jogadas” mais importantes do jogo filosófico. Uma pergunta pode dar início ao diálogo filosófico, pode ajudar a clarificá-lo, pode dirigi-lo para determinadas direcções, pode aprofundar ainda mais o diálogo. Pode também fazer exactamente o oposto disso tudo, por isso é importante que tanto o professor como os alunos aprendam a dominar cada vez mais e melhor este movimento.
O que distingue uma pergunta filosófica de outros tipos de perguntas é que em vez de servirem para testar conhecimentos ou sugerir problemas (como uma pergunta num teste ou um enigma) servem sobretudo para levar a pensar. Isto pode ser feito de duas formas a que chamamos aqui de “questionar” e “questionamento” (seguindo a distinção de Peter Worley entre “asking questions” e “putting something into question”).
A história da filosofia está cheia de questões que podemos colocar aos nossos alunos e que os poderão ou não pôr a pensar (“A verdade existe?”, “O que é a justiça?”, “O Bem e o Mal são Universais?” – ver este link para uma lista de quase 1000 perguntas filosóficas)
Mas se conseguirmos desenvolver nos nossos alunos uma atitude de questionamento então aí teremos certeza de que todas as nossas sessões serão sessões filosóficas.
Algumas dinâmicas, como os Espremedores de Perguntas ajudam os nossos alunos a criar em grupo as suas próprias questões, mas mais importante ainda é conseguir que as façam durante os diálogos, como uma importante “jogada” para compreender e aprofundar melhor o que se está a falar. Não há um método ou uma cartilha para o fazer, a melhor receita é mesmo ir praticando o diálogo e, subtilmente, ir mostrando aos nossos alunos como o fazer, i.e. como se tornarem intervenientes socráticos numa discussão. (os Sinais para Dialogar também podem ajudar aqui)
8 – Aceitar mudar de posição.
Saber jogar o “Jogo da Filosofia é, também, ser capaz de alterar a nossa tese inicial à luz das críticas recebidas, suspender o juízo sobre ela até termos razões mais fortes em seu favor ou, até mesmo, estar disposto a recusá-la totalmente se as razões apresentadas contra elas assim nos obrigarem.
Como em qualquer outro jogo é suficiente seguir as suas regras para jogarmos o jogo, no entanto não é suficiente seguir as regras para o jogarmos bem. Para isso é preciso algo mais. É preciso dominarmos algumas competências que nos permitem jogar o jogo com eficácia e é necessário possuirmos determinadas atitudes que fazem de nós verdadeiros jogadores e não meros praticantes. Saber reconhecer as fragilidades dos nossos argumentos é uma dessas competências do filósofo.
Fazer filosofia é, assim, um equilíbrio fundamental entre a arrogância de quem quer saber e a humildade de quem sabe que não sabe.

O Dia sem Regras

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Confinados em casa e rodeados de adultos os nossos filhos, alunos, sobrinhos devem estar fartinhos de regras. Além de disciplinar as crianças e dar (algum) sossego aos adultos as regras servem também para sufocar, oprimir e limitar a liberdade das crianças. Mas, afinal, para que servem as regras? Por que é que existem regras? Precisamos mesmo de regras? Quais? Todas as regras? Algumas regras? Nenhumas regras?

Este exercício faz com que as crianças experimentem viver um dia inteiro sem regras (se tal não for possível podem experimentar um período sem regras que pode ir de alguns minutos, a uma hora ou uma manhã). O objectivo é que sintam e pensem por si mesmos que regras são necessárias e quais não são. O que é que é exigido de nós para que possamos dispensar de regras.

Se, no final do dia, a casa (sala de aula, etc.) ainda estiver de pé podemos parar para reflectir sobre esta experiência e perceber, afinal, para que servem as regras?

0 – “Meninos(as), gostavam de ter um dia inteiro sem regras?” (Resposta imediata e garantida: “SIIIIIM!”

1 – Estipulamos com as crianças um período sem regras.

2 – Coragem! Aguente firme! Tudo vai ficar bem! (mas tenha um olho nas crianças, não se vá dar o caso…)

3 – Algumas perguntas para o “diálogo pós-anarquia”:

  • O que gostaram/não gostaram desta experiência?
  • Sentiram-se mais livres ou menos livres?
  • Acham que podiam viver sem regras? (o que teria de melhor/pior)
  • Para que precisamos, afinal, das regras?

Numa sessão seguinte podíamos apresentar o exercício “A ilha (regras)“. Depois desta experiência os alunos estarão seguramente mais sensíveis a pensar sobre algumas questões como:

  • Que regras são necessárias?
  • O que temos de fazer/como temos de ser para poder viver sem regras?
  • É possível viver sem regras?

Esta última pergunta abre-nos caminho para alguns diálogos interessantes sobre a “Bondade/Maldade Humana“, “Obediência/Desobediência“, “Ordem/Caos“, “Anarquia/Democracia/Ditadura”, “Responsabilidade/Irresponsabilidade”, etc.

ps – a ideia para este exercício surgiu-me à mesa do café, quando ouvi uma senhora na mesa ao lado a contar a uma amiga que tinha instituído em sua casa um “dia sem regras” para os seus sobrinhos e netos. Não lhe perguntei se ainda tinha casa, para não afectar a escrita deste exercício. Coragem!

Mais exercícios para pensar em Caixa de Pandora.

 

 

A Ilha (regras)

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“Meninos, acabaram de ganhar uma estadia de um ano numa ilha. Toda a turma irá para lá, têm comida, água, habitação e diversões garantidas. Apenas têm de levar uma coisa: regras para viverem em comunidade.”

  • Todos os alunos desenham uma ilha numa folha. (apenas o contorno)
  • Dentro da ilha escrevem algumas regras que acham mais importante levar para a ilha.

Agora temos, espalhadas por toda a turma umas dezenas largas de regras para trabalhar, mas importa reduzir um pouco a quantidade de regras para que se possa efectivamente reflectir sobre elas. Para isso organizamos um “concurso de regras”, em que duas a duas vamos reflectindo sobre “Qual a regra que temos mesmo de levar para a ilha?” Esta seria a única regra que automaticamente todas as pessoas teriam de cumprir, caso contrário seriam expulsas da ilha. Todas as outras seriam cumpridas de forma voluntária (i.e., se não fossem cumpridas os “infractores” não teriam nenhuma consequência).

  • Diálogo entre todos para escolher “a regra que temos mesmo de levar para a ilha”.

Entre as várias questões que poderão surgir no nosso diálogo devemos prestar atenção àquelas que nos levam a pensar sobre quais as regras que são mesmo indispensáveis e quais são mesmo necessárias e (mais importante) porque é que são indispensáveis/dispensáveis e o que é que terá de acontecer e mudar em nós e no mundo para que algumas das regras se tornem dispensáveis.

Aqui têm um bom exercício para anteceder este diálogo: O Dia sem Regras

Para mais exercícios para pensar abra a Caixa de Pandora.

Bons diálogos!

Curso “Zoom” de Pensamento Crítico

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Pensar bem é diferente de bem pensar. Raciocinar é diferente de opinar.

Curso

Desenvolver as nossas capacidades de Pensamento Crítico e Argumentação
Exercícios práticos e dinâmicos (diálogos socráticos)
Compreender melhor o que nos dizem
Analisar e avaliar raciocínios e argumentos.
Formular melhor as nossas próprias ideias

Quartas e Domingos |  21h00 às 22h30  |  On-line (via Zoom)

1ª sessão – Introdução ao Pensamento Crítico (21/6)
2ª sessão – Análise de Argumentos (24/6)
3ª sessão – Avaliação de Argumentos (28/6)
4ª sessão – Diálogo Socrático (1/7)

Valor   60€ (20 vagas)

Inscrições   clubefilosoficodoporto@gmail.com

MB Way  +351 916686399

Tomás Magalhães Carneiro

Fundador do Clube Filosófico do Porto (2008); Professor de Filosofia; Formador nas áreas do Pensamento Crítico, Argumentação, Diálogo em Aulas e Filosofia com Crianças
(Reitoria da Universidade do Porto; Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Centros de Formação e em várias instituições de ensino privadas e públicas).
Dinamizador de diálogos socráticos públicos (Cafés Filosóficos, Ciclos de Leituras Filosóficas, etc.)

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Pensar Bem (para quê)

Se por um lado é verdade que todos já somos bastante competentes a pensar (todos somos capazes de formular ideias, interpretar informações, justificar aquilo que pensamos, tirar conclusões que fazem sentido tendo em conta aquilo que sabemos, etc.), todos somos já, até certo ponto, pensadores críticos, também é verdade que todos podemos ser ainda melhores pensadores críticos, pois todos somos capazes de melhorar a forma como formulamos as nossas ideias, todos somos capazes de melhorar a forma como apresentamos as nossas razões e todos somos capazes de aperfeiçoar o processo pelo qual chegamos a defender as razões que defendemos.

Melhorar a forma como pensamos é um trabalho que ocupará a vida toda (um trabalho que nunca estará completo) e, é claro, não é um curso de 4 aulas, como este, que nos vai tornar imediatamente em exímios pensadores críticos. Mas um curso como este pode por-nos no bom caminho para sermos se não exímios pensadores críticos, pelo menos melhores pensadores críticos do que somos agora.

Esta curso irá dar-nos algumas ferramentas, alguns conhecimentos e algumas estratégias que nos poderão ajudar a perceber qual o caminho que devemos seguir se queremos ser mais competentes e eficientes na forma como comunicamos, como argumentamos, como dialogamos e como pensamos. Para isso as competências de PC que já possuímos precisam de ser, em primeiro lugar, conhecidas, depois cultivadas, testadas e postas em causa. Numa palavra, o pensamento deve ser praticado, como qualquer outra atividade se não queremos que atrofie e se solidifique num conjunto de crenças e opiniões que defendemos por hábito ou comodismo de forma mais ou menos acrítica e ineficiente.

O Pensamento Crítico ensina-nos a pensar bem (diferente de bem pensar)

Pensar bem não é bem pensar. Pensar bem não é ter boas ideias ou dizer coisas acertadas. Isso, quanto muito, é o resultado de pensar bem. Pensar bem é desenvolver a nossa capacidade de compreender e avaliar ideias (as nossas e as dos outros).

Da mesma forma Raciocinar não é opinar. Raciocinar é saber fundamentar o melhor que soubermos as nossas opiniões. Este curso de PC pretende exercitar essas nossas capacidades naturais e elevá-las a um nível superior. Este curso pretende ajudá-lo a pensar de forma mais clara, a perceber melhor as ideias dos outros, a compreender, analisar e avaliar melhor as suas razões, conclusões e argumentos (a perceber se têm, de todo, razões, conclusões e argumentos). Se bem pensar é saber opinar, pensar bem é saber raciocinar.

E raciocinar não é uma actividade contemplativa e rígida, mas dinâmica e fluída. Não é algo que se possa desenvolver apenas lendo livros ou resolvendo exercícios de lógica ou matemática. Para pensar bem é necessário, à maneira socrática, envolver-mo-nos num diálogo vivo com os outros, é necessário deixar-mo-nos entrar num contexto de troca de ideias, permitir que essas nossas ideias sejam testadas, exploradas e criticadas pelos outros. É necessário que sejamos capazes de adaptar e modelar as nossas ideias e argumentos aos problemas que temos pela frente, às novas ideias, razões e informações que entretanto surgiram. O pensamento assemelha-se mais a um diálogo que a um monólogo e, por isso, precisamos do outro para pensar.

Para pensar bem precisamos do outro

Naturalmente temos mais facilidade em descobrir falhas nos pensamentos e nos argumentos dos outros que nos nossos, mas a prática regular do diálogo socrático permite-nos, aos poucos, começarmos a aplicar a mesma exigência e os mesmos critérios aos nossos próprios pensamentos, aos nossos próprios processos mentais, às nossas próprias, crenças, razões e argumentos. Pensar junto com os outros é um primeiro passo para nós mesmos pensarmos melhor.

E é isto que este curso de PC irá fazer: ajudá-lo a pensar melhor.

Tem (Não tem) que ver

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Notebook Paper Sheet - Arte vetorial de stock e mais imagens de ...

O que tem que ver um copo de plástico com uma folha de papel? Ambos dão para reciclar, ambos têm forma (apesar de não ser a mesma forma), ambos têm peso (idem), ambos ocupam espaço, ambos são mais ou menos translúcidos, etc. Estas foram algumas das ideias dos meus alunos.

Ligar ideias, comparar, distinguir, justificar, imaginar, pensar “ao lado” são algumas das “ferramentas” que os nossos alunos trabalham com este jogo pensado para ser trabalhado on-line (Zoom, Google Meets, etc.).

No início do jogo mostramos aos alunos um qualquer objecto (um copo, por exemplo). Depois enviamos os nossos alunos divididos em equipas (a opção “Salas Simultâneas” no Zoom permite-nos criar grupos mais pequenos) com o objectivo de encontrarem objectos que se relacionem (parecidos, semelhantes) com o nosso objecto, mas que NÃO PERTENÇAM À MESMA FAMÍLIA (recipientes) NEM TENHAM A MESMA FUNÇÃO (beber). Estas regras obrigam-nos a pensar fora daquelas semelhanças mais fáceis e a irem a critérios de semelhança mais longínquos e, também, mais divertidos.

Uma extensão interessante deste é exercício é usar a “ferramenta mental” contrária àquela que usamos para encontrar semelhanças: a distinção. Depois de terem uma série de objectos semelhantes (e depois de ouvirmos os seus critérios de semelhança – o que verdadeiramente importa neste exercício, como já devem ter percebido é a capacidade dos nossos alunos de justificarem os critérios de semelhança ou dissemelhança mais insuspeitos e criativos) lançamos os nossos alunos numa busca pelo objecto que “menos tem que ver” com o copo.

Divirtam-se a pensar.

Dangle

 

dangle

Dangle (Pendurado) é uma curta metragem do realizador americano Phil Traill que nos mostra um homem que num descampado encontrou um cabo pendurado do céu e que lhe confere alguns poderes. No entanto algumas coisas estranhas acontecem quando as consequências do que faz lhe fogem do controlo.

Um filme que nos pode fazer pensar sobre os limites da nossa responsabilidade.

– O homem foi responsável pelo que aconteceu?

– Somos responsáveis pelas consequências de tudo o que fazemos?

Bebe

Um rapaz bebe um estranho líquido verde e de dentro dele saem uma multidão de pessoas diferentes. Uma animação estranha (perturbadora?) que nos põe a pensar sobre quem somos, quantos somos, quantos podemos ser e se podemos ou queremos saber isso tudo. Se fosses a rapariga no fim do filme, bebias o líquido verde?

“De que fala esta história?” Pode ser a nossa pergunta que dá início à nossa exploração com os nossos alunos e a partir daqui é com eles.

Mas também podemos querer conduzir a sessão para o interessante tema da Identidade Pessoal (“Somos mais que uma pessoa ao longo da vida?”), ou a questão que já interessava os filósofos estóicos há cerca de 2000 anos atrás, de saber quantas personalidades, ou papéis (em grego prósopa e em latim persona) cabem dentro de uma pessoa? Daqui o diálogo pode evoluir para saber “Se somos mais que uma pessoa ao mesmo tempo? Ou se somos mais que uma pessoa sucessivamente ao longo da vida? Se formos mais que uma pessoa ao mesmo tempo, a pessoa boa deve ser responsabilizada pelo que faz a pessoa má?; Quantos “eus” sou eu (ao longo da vida; no mesmo momento, etc.)?; O que faz com que “eu” seja um “eu” num momento e “outro eu” noutro momento? Tenho um “verdadeiro eu”?, etc.