O Símbolo da Filosofia 1

Pensada para ser uma primeira aula de Filosofia com Crianças para os nossos alunos.

Em vez de lhes darmos uma grande e ineficaz palestra sobre o que é a filosofia e os seus benefícios (nesta primeira aula a cabeça dos alunos está tudo menos recetiva a lições) o melhor é fazer com que rapidamente ponham a mão na massa e comecem a filosofar, a pensar para o desconhecido.

Apresentamos uma série de símbolos (a maioria dos alnos não conhece a maioria deles) entre eles a letra grega “Phi” maiúscula que é comum usar-se como símbolo para a nossa disciplina (o último símbolo da direita).

A única coisa que dizemos aos nossos alunos é que em Filosofia vamos “Dialogar e Pensar”. Em seguida damos-lhes a seguinte tarefa: Qual destes é o símbolo da Filosofia (de Dialogar e Pensar)?

Discretamente vamos gerindo o diálogo à maneira socrática (Por que dizes isso? Quem concorda? Quem não concorda? Que outra ideia é possível? Que perguntas é que isto levanta?) e, dessa forma, temos os nossos alunos iniciados na prática do diálogo filosófico. Daqui para a frente é só vê-los jogar o jogo da filosofia, ir corrigindo aqui e ali os excessos, apoiando e incentivando os mais tímidos, refreando os mais afoitos e, aos poucos, vamos ajudando à construção da nossa comunidade de filósofos.

Algumas respostas de uma primeira aula com alunos do 3º ano:

  • Deve ser o círculo (Yin Yang) pois ali mostra que dois a pensar em diálogo é melhor que um.
  • A pirâmide com o olho, pois o olho parece a nossa cara quando pensamos.
  • A estrela (de David) são dois triângulos um em cima do outro. O do diálogo e o do pensamento.
  • A lua e a estrela (o Crescente do Islão) parece uma boca (a lua) a dizer uma ideia (a estrela).
  • O peixe parecem duas coisas, uma grande, o corpo do peixe é o diálogo, e uma pequena, a cauda, as ideias. Primeiro fala-se muito e depois vêm as ideias.

Boas aulas!

“Marx” em “Breve História da Filosofia Moderna”, de Roger Scruton

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Marx em “Breve História da Filosofia Moderna”, de Roger Scruton

Com Georg Wilhelm Hegel (1770 – 1831) as dimensões da história e do temporal substituíram as do divino e da eternidade enquanto chaves para a compreensão e salvação do Ser Humano. Karl Marx (1818 – 1883) foi um produto da filosofia alemã do século XVII e XIX dando continuidade à exploração da agencia racional iniciada em Kant e explorada depois em Hegel. As ideias de que uma pessoa é um agente autónomo, racional, com vontade e que, como tal, deve ser tratada como um fim e nunca como um meio sendo que a negação disto é também a negação da condição humana. Esta, como sabemos, é uma ideia kantiana profundamente iluminista na base das nossas concepções actuais de democracia e estado de direito. Hegel alarga este conceito de agência, vontade e razão ao indivíduo Estado. A autonomia do indivíduo só é, então possível no seio e um Estado. Vemos aqui que a filosofia política de Hegel não é independente uma filosofia da mente humana. É uma síntese dessa filosofia da mente kantiana e hegeliana com uma filosofia económica empirista vinda das leituras “inglesas” de Marx que se conhece por empirismo.

De Hegel herdou a ideia de evolução histórica como um desenvolvimento da alma humana, rejeitando, porém, a toda metafísica hegeliana que Marx acabou por desprezar. É este o sentido da expressão de Marx “querer colocar Hegel de pé.”  

Roger Scruton fala-nos de um “Primeiro Marx” a quem começou por impressionar a noção hegeliana de natureza humana como um processo e o Ser Humano como o resultado das suas próprias acções e escolhas. Se a Hegel foi buscar esta ideia de Homem enquanto artefacto, foi  noutro filósofo alemão, Ludwig Feuerbach (1804 – 1872) que percebeu que este é também um ser eminentemente social e que a sua realização individual tem de passar também por uma realização social. Estarão aqui as sementes do socialismo marxista.

A natureza humana e social como um processo evolutivo triádico (tese-antítese-síntese) em que a consciência evolui a par das estruturas sociais, da individualidade à auto-alienação e por fim à auto-realização, são estes os ingredientes básicos do bolo marxista.

Mais que um filósofo Marx ter-se-ia reconhecido como um cientista social. Alguém que para compreender as dinâmicas económico-sociais tem primeiro de conhecer a natureza humana. A sua exploração do conceito de alienação revelou-nos o resultado inevitável do sistema capitalista e da propriedade privada em que aquele se baseia desocultando as condições de opressão e auto-exploração disfarçadas de liberdade e de auto-realização. Autores tão actuais como Bjung-Chul Han ou Peter Sloterdijk devem algumas das suas ideias à noção marxiana de alienação e, recuando um pouco mais, a Immanuel Kant, nomeadamente a uma das formulações do seu basilar Imperativo Categórico, a que nos diz que um ser racional é obrigado a tratar os outros seres racionais como fins e nunca como meios. Numa sociedade capitalista a moeda de troca mais comum é a exploração do homem pelo homem. O próprio capitalista ao usar o outro (o trabalhador) como um meio e não como um fim está a alienar-se da sua essência de ser com o outro. “Ao explorar o outro ele explora-se a si mesmo.” Assim o capitalismo aliena o Ser Humano de si e dos outros ao tornar os homens e mulheres nada mais que moedas de troca uns para os outros, leva-os a tratar-se uns aos outros como meios para a obtenção de certos fins. Se isto é viver alienado, como seria viver de forma não alienada? Scruton avança duas condições para esse viver não alienado, por outras palavras, autêntico:

– reconhecer os outros como fins em si mesmos, e nunca como meios.

– reconhecer-me a mim como um ser social.

É este “Primeiro Marx” que nos permite compreender melhor o “Marx da Maturidade”

(em breve)

“Porque é que Marx tinha razão”, Terry Eagleton

“Porque é que Marx tinha razão” – Terry Eagleton

Neste livro Terry Eagleton ataca, uma a uma, dez críticas muito comuns à teoria marxista. Vamos recordar essas críticas muito comuns, conhecer as refutações que Eagleton lhes coloca e ver se elas nos convencem. Uma a uma.

Acompanhe-me durante os próximos dias na leitura deste livro. Hoje começamos com a primeira crítica comum a Marx: “O marxismo está acabado.”

O marxismo até pode ter tido alguma pertinência para as sociedades industriais europeias do passado, mas não tem relevância para as sociedades globais pós-industriais do presente e do futuro. Com a ajuda do capitalismo o mundo mudou e mudou para melhor.

Refutação de Eagleton: Seria bom que assim fosse, mas não é verdade.

O que os marxistas mais anseiam é que o marxismo deixe de ser necessário e, consequentemente, deixe de existir. Mas enquanto houver capitalismo haverá sempre a necessidade de marxismo, como enquanto houver o “Joker” haverá sempre a necessidade do “Batman”. Ou, usando uma metáfora de Eagleton, enquanto houver incêndios haverá sempre a necessidade de bombeiros. E, ainda com Eagleton, a necessidade de bombeiros nunca foi tão grande pois o aumento das desigualdades, a acumulação obscena de riqueza (um único bilionário mexicano detém mais riqueza que 17 milhões dos seus compatriotas mais pobres), a exploração do homem pelo homem e do “terceiro mundo” pelo “primeiro mundo”, o esgotamento e morte dos recursos naturais e a ameaça real de uma aniquilação humana global não desapareceu nem diminuiu, antes acentuou-se. Ou seja, o capitalismo não se moderou, antes tornou-se mais eficaz e implacável.

A estas condições, já diagnosticadas e previstas por Marx, junta-se ainda a incapacidade endémica ao capitalismo de se regenerar. O capitalismo não tem capacidade criadora, apenas reprodutora da mesma lógica destruidora que Marx já revelara. O modo de vida capitalista, trazendo inegavelmente bem-estar, riqueza e conforto a grandes camadas da população, traz consigo miséria, exploração e alienação a uma quantidade cada vez maior de seres humanos, leva inexoravelmente à destruição ambiental e aproxima-nos cada vez mais da aniquilação da nossa espécie (ameaça nuclear, aquecimento global, destruição dos oceanos, etc.). Tudo isto são consequências da lógica do capitalismo que, apesar dos óbvios progressos que permitiu não saiu ainda do século XVIII e XIX, tendo apenas transferido a exploração e a delapidação de recursos do continente europeu para outras partes do mundo (Índia, Brasil, Rússia, China, etc.). A lógica do capitalismo assemelha-se à corrida do Hamster na roda, por muitos recursos que use, por mais velocidade que se imponha, acaba por não sair nunca do mesmo lugar levando-nos cegamente à nossa própria destruição enquanto humanidade.

É por isto que Eagleton não aceita que o marxismo morreu uma vez que ainda é necessário, ou melhor, o marxismo não pode morrer pois é hoje ainda mais necessário e urgente que no tempo do próprio Marx.

Notas

É difícil não acompanhar Eagleton no diagnóstico que faz às condições actuais de exploração e delapidação do planeta. Não se trata de questões subjetivas de percepção ou maior ou menor sensibilidade social. Basta confiar no que nos dizem os especialistas acerca da destruição do ambiente, assim como basta levantar o olhar para o mundo à nossa volta para ver que vivemos na Europa em condições de absoluta excepção à custa da exploração de recursos naturais e humanos no resto do mundo. Dito isto, se Eagleton facilmente nos convenceu de que a situação geral causada pelo sistema capitalista é, de facto, muito preocupante, por outro lado, limitou-se a afirmar sem apresentar argumentos no sentido de mostrar que o capitalismo não é capaz de se regenerar, nada disse em relação às actuais concepções de “capitalismo verde” e “capitalismo sustentável” que procuram avançar ideias e práticas que harmonizem a economia de mercado com a sustentabilidade planetária. Autores como Stephen Pinker (apoiados em dados disponíveis em sites como “Our World in Data”) defendem que os índices globais de bem-estar, saúde e riqueza têm vindo a crescer enormemente com as economias de mercado e o sistema capitalista e que isso permite-nos alimentar a crença num futuro em que a miséria e a exploração sejam cada vez mais residuais. Por muito utópicas e ilusórias que essas concepções e crenças possam parecer um qualquer crítico do capitalismo deverá apresentar razões contra elas e não pode limitar-se a dizer que “o capitalismo já teve tempo de mostrar que é capaz de satisfazer todas as necessidades humanas”. Talvez precise de mais tempo e, se de facto estamos no bom caminho, talvez valha a pena esperar.

Além disso e, de um ponto de vista argumentativo, pior ainda, Terry Eagleton não apresentou razões positivas que nos levem a crer que o marxismo é a solução para esse mesmos problemas. Talvez o faça mais à frente. Vamos ver.

Amanhã seguiremos Eagleton na refutação à segunda crítica comum ao marxismo, a de que, “em teoria o marxismo pode ser muito bonito, mas na prática levou sempre ao terror à tirania e ao assassínio em massa.”

Segunda crítica comum a Marx: “em teoria o marxismo pode ser muito bonito, mas na prática levou sempre ao terror à tirania e ao assassínio em massa.”

Refutação de Eagleton: O socialismo ainda não encontrou as condições ideais para poder ser implementado.

A ideia de que o socialismo nunca funcionou na prática e que, por isso, pode ser vista como uma ideologia que leva necessariamente aos horrores maoistas e estalinistas que todos conhecemos é, para Eagleton, uma conclusão demasiado arrojada. Não é justo para uma ideia dizer que não funciona porque lhe podemos apontar uma série de consequências indesejáveis. Por essa lógica podíamos dizer também que o cristianismo é uma má ideologia ou que o liberalismo não funciona por via dos seus erros e crimes (cruzadas, inquisição, abusos sexuais nas igrejas, guerras, torturas, crimes ambientais, etc.). O que Eagleton nos diz é que devemos olhar também para as condições reais em que essa ideia foi posta em prática e que essas condições podem explicar muitos dos erros e falhanços na aplicação dessa ideia. Além disso, para uma avaliação mais justa de uma ideia ou ideologia, não devemos apenas olhar para os seus falhanços mas também para os seus sucessos. Só assim estaremos a analisar de forma honesta essa ideologia.

Eagleton reconhece os sucessos do capitalismo como a liberdade, a democracia e os direitos civis que são frutos das classes médias que Marx tanto admirava, mas também acha que os sucessos das experiências socialistas também devem ser louvados: “A China e a URSS tiraram os seus cidadãos do atraso económico e lançaram-nos no moderno mundo industrial (com) habitação barata, combustível, transportes e cultura, pleno emprego e impressionantes serviços sociais, além de um grau de igualdade e (no fim)  bem estar material incomparavelmente maior do que aquele que aquelas nações tinham conhecido anteriormente.”

Para que não restem dúvidas de como Terry Eagleton se posiciona face ao comunismo as seguintes linhas esclarecem: “os ganhos do comunismo dificilmente compensam as perdas.” Mas, adianta a seguir, o mesmo se poderá dizer do capitalismo com milhões de desempregados, bancos e pessoas arruinadas, miséria humana e delapidação ambiental. O capitalismo funciona de facto para muita gente em muitas regiões do planeta (sobretudo na europa e na América do Norte) mas fá-lo sempre com custos humanos e ambientais elevadíssimos a nível global.

Como Marx mostrou, o sistema capitalista gera riqueza à custa da criação de pobreza e da destruição planetária. Como tal é um sistema que, nas suas últimas consequências levará cegamente ao fim da humanidade.

Mas pode o socialismo ser uma solução melhor que o capitalismo? Não vimos nós as experiências falhadas da aplicação do socialismo na Rússia e na China?

Segundo Eagleton o socialismo ainda não teve condições para mostrar o que realmente vale, ainda não teve oportunidade de ser implementado com sucesso. Isso deve-se a que o foco do socialismo está na reorganização da riqueza e não na criação de riqueza. O socialismo pega onde o capitalismo nos deixa. Rússia e China eram países miseráveis sem qualquer riqueza para organizar e o socialismo só pode funcionar após uma sociedade se ter elevado a determinado grau de riqueza e sofisticação social e cultural. O socialismo requer cidadãos livres e democratas e surge para reorganizar a riqueza, a produção e a sociedade. Sem esse nível razoável de riqueza, sem produção nacional e cooperação internacional e sem uma sociedade avançada o que surgem são caricaturas pobres e trágicas do socialismo como vimos acontecer na Rússia estalinista e na China maoista.

Eagleton ilustra bem o foco do socialismo na redistribuição e reorganização da riqueza já existente com a situação hipotética de “sermos convidado para uma festa para depois descobrirmos que tínhamos não só de fazer os bolos e a cerveja, mas também abrir os alicerces colocar o soalho.”

O facto de a Rússia em inícios do século XX ser um país medieval, internacionalmente isolado, culturalmente atrasado, sem cultura democrática e economicamente miserável são algumas das razões para o total fracasso da experiência socialista nesse país. Mas esse fracasso não deve servir de prova irrefutável contra o socialismo, como os muitos erros, fracassos e crimes das sociedades liberais não devem servir para refutar o capitalismo. As condições reais em que essas ideias são postas em prática devem servir para avaliarmos de forma mais justa cada uma delas. Eagleton serve-se de uma experiência mental bastante original para chamar a si este ponto. Imagine-se o que seria tentar transformar uma tribo pré-moderna num grupo de empresários capitalistas, “friamente gananciosos e tecnologicamente sofisticados falando o jargão das relações públicas e da economia de livre mercado; tudo isso num período de tempo urrealmente breve.”. Tal empreitada redundaria seguramente em fracasso mas ninguém apontaria o dedo ao capitalismo por isso. Muito justamente diria que as pessoas não estavam ainda preparadas para uma sociedade liberal capitalista. O mesmo se passou na ex-URSS, as pessoas e as instituições simplesmente ainda não estavam preparadas para o socialismo.

Notas


É muito importante ver o marxismo como algo fundamentalmente diferente das caricaturas a que estamos habituados com referências imediatas aos gulags siberanos, ao Holodomor e ao papel omnipresente do estado nos regimes socialistas que conhecemos. E por isso, é muito importante a chamada de atenção que Eagleton faz para a centralidade da democracia nos escritos de Marx, assim como a importância dada à classe média e à riqueza por ela gerada. Para essa perspetiva sobre o socialismo é importante a forma honesta e clara como o autor coloca o foco do socialismo não na criação de riqueza mas antes numa sua distribuição mais justa e igualitária. Como também é importante a sua chamada de atenção para as mais recentes propostas de um socialismo de mercado e de uma economia participativa que mostram a possibilidade de um socialismo descentralizado em que os mercados continuariam a funcionar e a propriedade privada não seria eliminada, em que os bens e serviços essenciais (água, eletricidade, saúde, educação, seriam propriedade do estado, mas outros bens não essenciais (artigos de luxo, por exemplo) seguiriam as regras do mercado livre como conhecemos.

Também é de louvar a distinção que faz entre a possibilidade de uma ideia (o socialismo marxista) e a aplicação fracassada dessa ideia (o comunismo estalinista), no entanto continuam a faltar a Eagleton números, dados, estatísticas que comprovem o que de forma bastante tonitruante por vezes anuncia: a de que as sociedades capitalistas liberais, apesar das crises por que estão a passar, não são capazes de prover as populações e elevar o nível geral de vida dos seus cidadãos, assim como falta-lhe dar sustentabilidade a frases tão impactantes quanto “uma em cada três crianças a Grã-Bretanha vive no limiar da pobreza.” A sério? Uma afirmação tão dramática precisaria de provas, dados, números e Eagleton não nos dá nada disso.

Em síntese

Segunda crítica a Marx – O socialismo pode ser muito bonito em teoria mas nunca resultou na prática.

Refutação de T.E. – Os erros de uma ideia posta em prática não servem para refutar definitivamente essa ideia. Se assim fosse ninguém poderia defender legitimamente a igreja Católica nem o liberalismo ambas ideologias que cometeram inúmeros erros e crimes da Inquisição a Guantanamo passando pela invasão do Iraque.

As condições socias, económicas e culturais condicionam essas ideias de uma forma que as podem inclusive desvirtuar. Ninguém diz que a tortura de prisioneiros por waterboarding é uma consequência direta do liberalismo económico dos EUA.

Além de os insucessos e erros não condenarem definitivamente uma ideologia, também devemos olhar para os sucessos e avanços civilizacionais que permitiram.

Como causas para o fracasso das várias experiências socialistas mais conhecidas (ex-URSS e República Popular da China) Eagleton aponta as condições de partida miseráveis que essas experiências encontraram nesses países. Rússia e China simplesmente não tinham as condições económicas necessárias para uma reorganização socialista da riqueza. Ao mesmo tempo eram países com uma sociedade civil feudal e medieval. Nessas condições a democracia era algo absolutamente inviável. O socialismo, para se aplicar, requer alguma grau de riqueza a ser redistribuida e cidadãos democratas educados e culturalmente sofisticados para que tal seja possível fazer de forma descentralizada e não autoritária. Eagleton admite que o socialismo tem o seu foco na reorganização da riqueza, não na criação de riqueza. “O próprio Marx nunca imaginou que o socialismo pudesse ser estabelecido em condições de pobreza. Semelhante projecto implicaria uma reviravolta no tempo quase tão bizarra como inventar a internet na Idade Média. (…) Não é possível reorganizar a riqueza para o bem de todos se não existir riqueza suficiente para reorganizar.”

Por outro lado, o lado dos sucessos e avanços, o socialismo arrancou essas sociedades do estado medieval em que se encontravam elevando consideravelmente os níveis de vida dos seus cidadãos. Eagleton admite, porém, que os ganhos do socialismo (segurança social, educação universal desde a infância, cultura e habitação para todos, etc.) não compensaram as perdas (gulags, fomes generalizadas, atraso cultural, direitos humanos atropelados, etc.). Mas também nos chama a atenção para os insucessos e fracassos dos sistema capitalista predominante (desigualdade económica global, esgotamento de recursos naturais, guerras permanentes, mediocridade artística e cultural, controlo económico dos média, desemprego, etc.). Para este último indicador – o desemprego – Eagleton aponta para a “solução genial” encontrada nos EUA onde “um milhão de pessoas estariam à procura de trabalho se não estivessem na prisão.”

Terceira crítica comum a Marx: O marxismo é uma forma de determinismo. Não reconhece a liberdade e individualidade do Ser Humano vendo-o como simples instrumento da história.

Refutação de Terry Eagleton: A luta de classes e a sucessão dos modos de produção são, para Marx, os verdadeiros motores da história. É verdade que Marx defende, desta forma, a inevitabilidade do progresso histórico em direcção ao socialismo e ao seu corolário, o comunismo. Mas defender que essa evolução é inevitável não é o mesmo que defender que esteja historicamente (ou metafisicamente) determinada. Como não é a mesma coisa dizer que os direitos humanos em África são inevitáveis e dizer que irão seguramente ser respeitados no futuro. Se houvesse essas pré-determinação histórica o esforço humano e a lita de classes serias algo desnecessário uma vez que a acção humana seria incapaz de alterar o rumo das coisas.

Quando Marx fala em inevitabilidade fala em termos éticos, morais ou racionais, não em termos causais, físicos ou lógicos. Dizer que há alguma previsibilidade nos acontecimentos humanos e que podemos falar de determinadas leis que nos permitem prever mudanças significativas nesses acontecimentos não é dizer que esses acontecimentos têm necessariamente de acontecer uns a seguir aos outros. Os Seres Humanos têm algum espaço de liberdade para forçar ou evitar certos acontecimentos. Neste sentido o marxismo não elimina a vontade e a liberdade humanas.

O que Eagleton defende é que as previsões que Marx fez desses acontecimentos e dessas forças motrizes da história têm-se mostrado acertadas. A sua descrição da lógica auto-consumidora e destruidora do capitalismo parece não ser algo totalmente descabido, mas talvez Marx tenha errado (surpresa!) ao dizer que a via do capitalismo é indispensável para a criação de riqueza que o socialismo deverá redistribuir. Por que razão temos de acreditar que não há uma alternativa socialista que permita também ela gerar riqueza de forma mais justa e humana que a capitalista?

Nesse sentido a pergunta com que Eagleon termina este terceiro capítulo merece, pelo menos, ser levada a sério: “Suponhamos que meia dúzia de pessoas sobrevivesse a um cataclismo nuclear ou ambiental e encetasse a formidável tarefa de construir novamente a civilização a partir do nada. Tendo em conta o que sabiam das causas da catástrofe (o sistema capitalista que para gerar riqueza gera também destruição), não seria aconselhável experimentar desta vez o caminho socialista?”

Notas

Eagleton parece acreditar que a resposta a esta sua pergunta é sim. Que seria possível desenvolver uma sociedade não egoísta, não gananciosa, não exploradora que permitisse o mesmo grau de criação de riqueza económica e cultural mas de uma forma “compatível com os valores socialistas democráticos”. Ou seja, uma sociedade onde fosse criada riqueza mas não à custa de exploração. O problema é que os exemplos que Eagleton dá dessas sociedade não capitalistas que produziram riqueza – Grécia, Pérsia, Egipto, China, Índia, Mesopotâmia –  foram tudo menos “compatíveis com os valores socialistas democráticos”. Parece que, sem exemplos históricos que o comprovem, a ideia de uma sociedade ao mesmo tempo rica e justa parece uma utopia. Mas essa é uma crítica ao marxismo de que Eagleton se irá ocupar no próximo capítulo, o quarto. A crítica de que “o marxismo é um sonho de utopia”. Veremos como se defende amanhã.

Síntese Capítulo 3:  

Crítica comum a Marx – O marxismo é uma filosofia determinista que não reconhece a vontade individual e a autonomia do Ser Humano.

Refutação de Eagleton – Há uma diferença entre inevitabilidade e determinismo. Para Marx o socialismo e o seu corolário final, o comunismo, eram racionalmente e moralmente inevitáveis, ou seja, era para onde as dinâmicas do progresso tecnológico e das relações entre as classes se deveriam dirigir. É natural que os Homens pretendam melhor qualidade de vida, menos trabalho e mais igualdade, como tal o comunismo é inevitável. Mas não está “escrito na pedra” que vá ser assim. Não existem leis fixas que determinem a evolução das sociedades independentemente do que os homens e as mulheres façam. A liberdade e a autonomia individuais são salvaguardadas num sistema social cujos desenlaces e resultados são previsíveis (à escravatura sucedeu-se o feudalismo, ao feudalismo o capitalismo, ao capitalismo deverá suceder-se o socialismo e a este o comunismo). Esses resultados são previsíveis pois a vontade e a liberdade individuais que levam necessariamente à luta de classes, ao progresso tecnológico e à procura de melhores condições de vida são características humanas previsíveis e estes são os verdadeiros motores da história.

Para Eagleton a história mostra-nos que as previsões de Marx estiveram fundamentalmente acertadas, nomeadamente a de que as condições de riqueza para o socialismo altruísta e justo devem ser preparadas por um período anterior de capitalismo egoísta e injusto. Só depois, por meio do sistema capitalista, ter sido gerada a quantidade suficiente de riqueza, liberdade individual e democracia é que será possível a uma sociedade reorganizar-se por forma a redistribuir justamente essa riqueza e libertar ainda mais o ser humano das condições de trabalho que o oprimem. Era esta a visão marxista de uma sociedade justa e harmoniosa, uma sociedade que libertasse o Homem para uma vida de lazer e cultura que extraísse de cada um as suas melhores possibilidades. Uma vida à imagem daquela que as classes burguesas já usufruíam na Inglaterra em que Marx vivia.

Esta visão marxista é tida por muitos como um “sonho utópico”. É esta crítica comum ao marxismo que Eagleton irá abordar no próximo capítulo deste livro.

4ª Crítica comum a Marx: Marx era um pensador utópico. Acredita numa sociedade perfeita e numa natureza humana próxima da dos anjos.

Refutação de Eagleton: Antes pelo contrário. Marx era um pensador pragmático e realista. Interessava-se mais em mudar a realidade concreta que em efabular ideias abstratas. “Se queremos saber o que os homens pensam temos de olhar para o que fazem e não para o que dizem.”

O que importava a Marx era lidar com as situações presentes que impedem a realização de um futuro melhor. Marx foi, porém, reconhecidamente omisso em relação a como seria esse futuro. Marx considerava que o que fazia era ciência e não futurologia. Não era um vidente ou um adivinho mas alguém mais próximo do profeta, diz-nos Eagleton. Alguém que “denuncia a ganância, a corrupção e a ânsia de poder do presente, avisando-nos de que se não mudarmos os nossos hábitos poderemos não ter futuro.” Aqui Marx parece ter, mais uma vez, acertado.

Outra crítica feita a Marx é a de ter uma visão demasiado optimista da natureza humana. Segundo Eagleton isto também não é verdade e que nada disso pode ser encontrado nos seus escritos. Marx reconhecia a nossa natureza carente, sociável, comunicativa e limitada que, como tal, precisava dos outros para se realizar inteiramente. A nossa humanidade revela-se quando somos capazes de realizar as potencialidades da nossa natureza corpórea e espiritual. Marx nunca imaginou um futuro em que nos livrássemos dessas nossas características (deixaríamos de ser humanos se isso acontecesse), mas acreditou numa construção social, a sociedade comunista, que atenuasse as nossas falhas e acentuasse as nossas potencialidades

Refutação de Eagleton

Para compreender melhor o livro:

O autor sobre Marx: “trata-se de um dos pensadores modernos mais caricaturados e mal compreendidos.”

Resumo do livro de Terry Eagleton por Terry Eagleton

  • A concepção dialética da história: que mecanismos históricos é que leva a que a liberdade e a opressão, a riqueza e a pobreza sejam dois lado da mesma moeda? Porque é que na época mais rica da história persistem milhões de pessoas a sobreviver raspando comida das lixeiras? Porque é que a liberdade de alguns poucos vive da opressão de muitos outros?
  • Marx mais que uma sociedade do trabalho procurava uma sociedade em que os homens e as mulheres se libertassem do trabalho indigno, uma sociedade do lazer.
  • Não é possível programar uma sociedade do futuro, não é possível imaginar o futuro do socialismo com os materiais do presente capitalista e é por isso que Marx é omisso quanto à forma futura do socialismo.
  • O conceito marxista de Produção enquanto Arte, onde os homens e as mulheres exploram todos os seus poderes e capacidades como fins em si mesmos.
  • O conceito marxista de Amor enquanto realização de cada um que só é possível pela realização de todos os outros.
  • Ao contrário do que é comum pensar Marx não era igualitarista, mas antes um profundo humanista, racionalista e iluminista que, apesar de globalista, acreditava no respeito pela diversidade e pluralidade individual.
  • O socialismo para Marx era democrático. O socialismo de estado (como vimos na URSS, na China ou em Cuba) não seria socialismo, mas antes uma contradição nos termos. Rejeitava a democracia parlamentar pois achava que não era demasiado democrática, não se estendia suficientemente e de forma descentralizada à sociedade como um todo.
  • Marx não era utópico. Foi um grande crítico da especulações utópicas de Charles Fourrier e Saint Simon. Como materialista Marx acreditava no primado da realidade, na sua natural imperfeição e confusão. Acreditava que, ironicamente, o capitalismo levou-nos a um ponto que nos permitia agora dar um salto qualitativo nas condições de vida dos homens e mulheres trabalhadores.
  • Mais que um revolucionário Marx era um reformista.
  • O proletariado não desapareceu com a sociedade pós-industrial. O proletariado mudou de continente (sobretudo para a Ásia e América do Sul) e as mulheres continuam a ser a força produtiva mais extensa e explorada. Isso é algo que não mudou desde a sociedade inglesa vitoriana em que Marx viveu.
  • O que Marx (e Engels) escreveram sobre o ambiente estava muito à frente do seu tempo. Propunham uma dinâmica de diálogo com a natureza ao mesmo tempo que reconheciam que a relação predatória do capitalismo com os recursos naturais.
  • Marx não acertou sempre, esteve muitas vezes errado nas previsões que fez, mas o que se argumenta aqui é que acertou vezes suficientes para que seja razoável lê-lo e respeitá-lo e que deve ser resgatado daquelas críticas muito na moda actualmente que o caricaturam mais que o descrevem.

Para compreender melhor Marx

Artigo sobre Karl Marx na Stanford Encyclopedia of Philosophy:

Pod Cast “In Our Time” (BBC): Karl Marx

Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels

Resumo

Apesar do uso trágico que as suas ideias tiveram ao longo ao século XX, talvez não seja ainda boa ideia rejeitar as ideias do maior e mais ambicioso crítico do sistema capitalista que, como todos podemos ver, se não for de alguma forma alterado ou reformado irá, muito provavelmente, levar-nos à miséria generalizada, a cada vez piores condições de vida, à destruição do planeta e ao fim da humanidade.

Alguns dos problemas do capitalismo identificados por Marx:

  • Trabalho alienado: a forma de distribuição do trabalho especializado, próprio do sistema capitalista, afasta o trabalhadores da satisfação da compreensão do produto do seu trabalho como um todo.
  • Insegurança laboral: os trabalhadores são substituíveis, logo, dispensáveis. Mais que uma teoria económica o comunismo oferece uma visão do mundo compreensiva das necessidades humanas, inclusiva e agregadora e não excludente e opressiva.
  • Desigualdade na distribuição da riqueza: através de uma estratégia de acumulação do capital os trabalhadores recebem pouco enquanto os capitalistas recebem muito. O lucro capitalista não é nada mais que o resultado da exploração do Homem pelo Homem.
  • O capitalismo é demasiado instável: as crises económicas capitalistas não são fenómenos raros e que tendem a desaparecer mas, antes, crises previsíveis porque endémicas ao capitalismo e o resultado da produção excessiva e extremamente eficiente. São, por isso, crises de abundância e não crises de pobreza como acontecia até aí. Esta superabundância das sociedades actuais permitiria uma mais eficiente distribuição da riqueza o que conduziria a uma libertação do Homem das condições de opressão a que a sociedade capitalista conduziu. Neste sentido o capitalismo criou as condições para a superação do capitalismo pelo socialismo, criou a possibilidade de pegar na riqueza criada por algumas corporações bilionárias e entregar essa riqueza a toda a gente. Isto seria o mais próximo que temos de criar o “céu na Terra”.
  • O capitalismo é mau para os capitalistas: o capitalismo faz com que as pessoas coloquem os interesses económicos no centro das suas vidas, substituindo as coisas que verdadeiramente têm valor para nós (amor, amizade, cultura, diversão, etc.) por coisas que não têm qualquer valor objetivo e às quais nos agarramos de forma “fetichista”. O socialismo, ao libertar o Homem dessas preocupações económicas levá-lo-ia a preocupar-se apenas com aquilo que realmente é importante.: apreciar o prazer.
  • A ideologia capitalista é insidiosa: o sistema económico capitalista gera um conjunto de ideias que servem para perpetuar o próprio sistema capitalista reforçando a própria crença de que não há alternativa ao capitalismo e de que este é algo natural e valioso. Ideias como a preguiça é uma coisa má, ou que aquilo que valemos está associado àquilo fazemos, que quanto mais coisas possuirmos mais felizes seremos formam uma “ideologia” que nos torna a todos mais ansiosos, competitivos, agressivos. Por outras palavras, torna-nos piores pessoas.

[acerca das ideias finais neste vídeo sobre a visão de Marx de como seria uma sociedade comunista aconselho a ouvirem os últimos minutos do podcast “Philosophy Bites” com Johnathan Wolf sobre Marx e o conceito de “alienação”. Já a seguir].

Pod Cast “Philosophy Bites” – Johnathan Wolf on Marx on Alienation

Resumo

De uma forma geral “alienação” implica a separação de duas coisas que deveriam estar juntas. Para para Marx o que as condições de trabalho no sistema capitalismo separaram foi a essência do Ser Humano da existência do Ser Humano. Ou seja, a forma de vida, as condições de existência, dos seres humanos sob o sistema capitalista não estão de acordo com aquilo que deveria ser, não estão de acordo com a sua essência. O objetivo das lutas sociais seria de harmonizar a nossa essência com a nossa existência, por outras palavras, harmonizar a forma como devemos viver com a forma como de facto vivemos.
Mais especificamente Marx fala em quatro sentidos de “alienação” do indivíduo sob o sistema capitalista:

  • Alienação do produto – a produção capitalista afasta aqueles que coletivamente produzem um objeto da posse e, mesmo, da compreensão desse objeto. Para produzir uma simples caneta, por exemplo, são precisas milhares de pessoas (para extrair o metal, construir as fábricas para fabricar as tintas e os plásticos, para gerir todo o processo, etc.), o que leva a que nenhum Ser Humano tenha a capacidade de produzir por si só uma caneta, nem mesmo compreender como ela é feita. Esta “alienação” do produtor do seu produto leva também a que a riqueza gerada por este processo seja apropriada por outros que não os fabricantes (da caneta, por exemplo) mas pelos capitalistas. Este processo leva a que quanto mais o trabalhador produz mais “alienado” fica tanto do produto como da riqueza por ele gerada, e tanto mais oprimido fica por aqueles que se apropriaram da riqueza. O produtor está a trabalhar para fortalecer ainda mais as forças que o oprimem. Estas forças geradas pelo sistema capitalista são um monstro que escapa do nosso controlo e nos controla totalmente em que milhões de pessoas agindo de forma que consideram racional nos aproxima cada vez mais de resultados irracionais (destruição ambiental, guerra nuclear, etc.)
  • Alienação da actividade produtora – a maioria dos seres humanos enquanto trabalha são simples peças de uma enorme maquinaria. Não exercem as suas capacidades e potencialidades mais humanas como a vontade, o juízo crítico e a criatividade. Ao trabalhar a maioria das pessoas apenas faz o que lhe mandam, de forma mecânica reservando os momentos de recreio e lazer para essas atividades mais humanas. Ou seja, o trabalho afasta a maioria das pessoas da sua verdadeira essência humana e é nessas actividades “secundárias” como comer, brincar, jogar, etc. que nos sentimos mais humanos.
  • Alienação da essência da nossa espécie – o que distingue os Seres Humanos dos restantes animais é a nossa criatividade. Sob o capitalismo não somos capazes de satisfazer essa nossa essência.
  • Alienação dos outros Seres Humanos – a divisão do trabalho impede-nos de compreender o sentido e a finalidade daquilo que produzimos. Ao funcionarmos como meras peças de uma enorme engranagem, da qual não compreendemos nem o funcionamento geral, nem a sua finalidade, somos separados (alienados) de todas as outras “peças da máquina”, dos restantes Seres Humanos.

Marx nunca foi muito claro acerca do que seria viver de forma “não alienada”. O seu “socialismo científico” não lhe permitia fazer futurologia nem, muito menos, determinar como seria esse futuro não alienado. Marx preferiu sempre manter os pés o mais na terra possível, via a sua tarefa e a de Engels como mais científica que literária e preferiu deixar os devaneios utópicos para quem os sucedeu.

Viagem para Marte

Marte (planeta) – Wikipédia, a enciclopédia livre

1 – Em grupos de 5/6 os alunos escolhem a sua personagem: médico, professor, cientista, músico, desportista, juíz.

2 – Imagina esta situação: Um meteorito vem na direção do nosso planeta. Não há qualquer hipótese de a vida na Terra sobreviver a este gigantesco impacto. O nosso planeta vai ser destruído dentro de uma semana Felizmente os nossos cientistas já sabiam há muitos anos que o meteorito vinha aí e preparam um plano de fuga para Marte. Construíram lá uma enorme cidade, com todas as comodidades que os Humanos precisam e foguetões muito potentes estão a levar para lá as pessoas e alguns animais. Só há um problema: não podem levar toda a gente.

3 – Quem do vosso grupo deve ficar na Terra? Do vosso grupo um tem de ficar. Têm 5 minutos para convencer os outros de que devem ir no foguetão.

4 – Diálogo como grupo sobre quem deve ir para Marte e porquê.

Invenções

Professor Pardal - Desciclopédia

Um bom exercício para fazer com os alunos mais pequenos em aulas on-line (Zoom, Teams, Google Meet, etc.).

1 – Começamos por perguntar aos alunos o que é uma invenção?

2 – Cada aluno deve procurar em sua casa alguma coisa que tenha sido inventada e que seja importante (um aparelho eléctrico, uma ferramenta, etc.).

3 – Em seguida apresenta a “sua” invenção aos amigos e explica para que serve e porque é importante.

4 – Diálogo sobre a “invenção mais importante” daquelas que foram apresentadas. Na altura da escolha por votação cada aluno não pode escolher a sua mas sim a de um amigo ou amiga (desta forma convidamos os alunos a ouvir as razões dos outros e a não se centrarem apenas nas suas ideias.

5 -Um complemento engraçado a este exercício é enviar os alunos pela casa numa nova busca, agora à procura da invenção menos importante.

Divirtam-se a pensar!

2050

O Mundo em 2050

Olá Alunos, hoje proponho-vos que vejam um filme de animação sobre como poderá ser o mundo daqui a 30 anos, quando vocês forem adultos e tiverem a idade dos vossos pais, tios, professores, etc.

Sugiro que vejam este filme com alguém da vossa família e conversem sobre estas perguntas:

1 – Indica 3 coisas boas e três coisas más desta tecnologia do futuro

2 – O que preferias, um professor robot que sabia tudo ou um professor humano que às vezes se engana?

3 – Quanto mais tecnologia melhor. Concordas com esta frase?

4 – As pessoas são mais felizes com tecnologia?

5 – A tecnologia torna-nos melhores pessoas?

Bons diálogos,
com saudade vossas. Professor Tomás

A Aventura

Olá alunos. Os nossos amigos continuam as suas aventuras com aqueles lápis mágicos que transformam a imaginação em realidade. Vê este filme com atenção e responde às seguintes perguntas.

Tenta fazer estas perguntas a mais pessoas e ouve bem as suas ideias antes de responderes.

1 – Seria bom se estes lápis mágicos existissem mesmo?

2 – Quem deveria ter estes lápis? Toda a gente do mundo? Ninguém? Só alguns? Só tu?

3 – Um lápis destes tornava-nos melhores pessoas?

4 – Seria bom que tudo aquilo que desejamos se realizasse?

Se tiveres mais perguntas sobre estes temas podes escrevê-las e perguntar a quem quiseres. É sempre bom fazer perguntas 🙂

4 – (Exercício opcional – faz este exercício só se tiveres tempo) Reparaste que esta história só tem imagens. Tenta escrever um pequeno texto para cada uma das imagens da história. Pede ajuda a um adulto ou, se te sentires confiante faz sozinho.

A barata

Olá Alunos, aqui está uma história bem divertida para pensarmos um pouco. Com a ajuda de um adulto tentem fazer o exercício em baixo.

Saudades do professor Tomás

1 – Tenta resumir esta história em apenas três frases.

2 – Desse resumo sublinha 3 palavras que aches importantes para a história.

3 – Pensa numa situação em que também te tenhas sentido como a barata se sentiu.

4 – Por que achas que a barata se pintou de vermelho?

5 – Achas que a barata fez bem em pintar-se de vermelho? Porquê?

6 – Quando é que devemos tentar ser como os outros?

7 – Quando é que não devemos tentar ser como os outros?

8 – Inventa outro título para a história.

A Viagem

Olá!! estas aulas de Filosofia são para fazeres em família. Ao jantar, por exemplo, coloca algumas destas perguntas aos teus familiares, descobre as suas ideias e vê se concordas com elas ou se tens ideias diferentes. Diverte-te a pensar!!


Esta história fala de uma viagem. Mas não a vejas já. Primeiro tenta responder à seguinte pergunta.

1 – O que é mais rico: a imaginação ou a realidade?

Agora podes ver a história e depois responde a estas duas perguntas:

2 – A menina viveu esta aventura na imaginação ou na realidade?

3 – É melhor viver na imaginação ou na realidade?

Bons diálogos e até para a semana.

Abraços do Professor Tomás!