O Urso que não era.

A história de um urso que (quase) é convencido de que não é um urso e que nos faz pensar na forma como os outros moldam a ideia que fazemos de nós mesmos.”

Dinamica: P-P, P (Pensar-Par, Partilhar)

Exercício: Pensa e partilha com os teus amigos (primeiro com o teu Par, depois com o grupo) o que mais te surpreendeu (olho), o que mais te agradou (coração), o que mais te desagradou (coração partido) e o que te fez pensar (cérebro).

Desta forma os alunos procuram diferentes focos e diferentes pontos de interesse na história.

Depois deste exercício podemos pedir aos alunos que encontrem boas perguntas sobre cada um desses pontos (surpresa, gostar, não gostar, pensar). A turma escolhe uma das perguntas e damos início ao diálogo.

É sempre mais motivador quando os alunos encontram entre si boas perguntas para lançar o diálogo. Mas isso nem sempre acontece. Para esses casos aqui estão algumas perguntas sugeridas por alunos meus:

– Por que é que o urso pensava que era um homem?

– Um urso pode escolher ser homem?

– Os outros podem mudar quem somos?

– O Urso deve fingir que é um homem?

– É melhor ser um urso ou uma pessoa?

– Ursos podem ser pessoas?

– Sou o que os outros querem que eu seja. Concordas?

– Quem escolhe o que eu sou: eu ou os outros?

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O gato e o rato (versão filosófica)

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Este “Filojogo”é uma adaptação filosófica do jogo tradicional do “Gato e do Rato” e leva os alunos a terem de se colocar no papel do “outro”, do gato ou do rato, tentando perceber como é ser “outro”.

Pensamento e movimento estão intimamente ligados. Sobretudo para os nossos irrequietos pensadores do pré-escolar que muitas vezes se revelam uns verdadeiros peripatéticos, um termo associado aos discípulos de Aristóteles que exercitavam a filosofia em movimento caminhando pelas arcadas do Liceu, o “peripathos”.

Para este exercício fomos buscar inspiração ao filósofo americano Thomas Nagel que perguntou celebremente “como é que é ser um morcego”. No ensaio com esse nome, publicado pela primeira vez em 1974 no livro “Mortal Questions”, Nagel faz-nos ver que um organismo é consciente quando há alguma coisa que é “ser-se esse organismo”, algo a que Nagel chama de “qualia” e que nem mesmo uma total descrição de todos os estados físicos desse organismo seria capaz de compreender.

Este jogo, indicado para alunos dos pré-escolar trata ao de leve esta ideia Nagel, levando os nossos alunos a pensar sobre o que é ser outra pessoa, neste caso uma “pessoa gato” ou uma “pessoa rato”.

 

1 – Jogo do Gato e do Rato:

– alunos em círculo, o “rato” no meio, dentro da roda e o “gato” fora da roda.

– também na roda, o professor é o “relógio”, um dos alunos será a “porta” por onde o rato sairá.

– o “gato” dá a volta à roda parando à frente do relógio e perguntando-lhe “a que horas sai o rato”; O rato fecha os olhos e o relógio diz as horas a que o rato irá sair. O gato percorre esse número de horas/alunos e põe-se na “porta” correspondente à espera do rato.

O rato tem de percorrer o caminho “às cegas” até à porta certa. Terá de imaginar e calcular mentalmente o número de horas/alunos até à porta certa. Se acertar na porta de saída terá de responder à pergunta “Por que é que queres ser gato?”, transformando-se depois em gato. Por sua vez o gato, depois de responder à pergunta “porque é que queres ser rato” transforma-se em rato e entra na roda.

Se o rato não acertar na porta transforma-se em porta, e o aluno/porta em gato, tendo de dizer “por que quer ser gato”.

Aqui o professor deve garantir que as respostas dos alunos sejam sempre diferentes das anteriores para irmos coleccionando diferentes pontos de vista do que é ser “gato” e “rato”.

Este jogo permite aos alunos exercitarem a apresentação de motivos e argumentos a partir de uma pergunta meramente especulativa (que não pede uma resposta certa ou errada) e também que experimentem diferentes pontos de vista sobre da realidade de “como é ser um gato” e “como é ser um rato”. Este é um dos “movimentos de Pensamento Crítico sugerido por Roger Sutcliff em Thinking Moves from A to Z (no prelo) Variar: mudar de foco ou de perspetiva sobre a realidade.

Algumas perguntas que podem ser pertinenentes para o diálogo que se segue ao jogo (depois de termos acalmado os peripatéticos)

– Um rato pode saber como é ser um gato?

– Gatos e Ratos podem ser amigos?

– É melhor ser gato ou rato?

Ou, para terminar de maneira bem “nageliana”:

– E nós, podemos saber como é ser um rato/gato?

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Zoom out

Para Espinosa o grau mais elevado de conhecimento era o hipotético “ponto de vista de Deus”. Para o olhar de Deus todo o passado, presente e futuro do universo seria visto num mesmo instante numa compreensão absoluta de tudo num único momento ao mesmo tempo singular e eterno.

Pedir aos nossos alunos (e a qualquer um de nós, já agora) que procurem esse ponto de vista divino é um absurdo, mas podemos servir-nos da ideia de Espinosa para perceber que uma melhor compreensão das coisas passa por uma perspetiva mais destacada da nossa perspetiva particular. Esse ponto de vista mais afastado de nós é aquilo que o filósofo e pedagogo Roger Sutcliffe na sua obra “Thinking Moves from A – Z” (a sair do prelo em março de 2019) chama de “Zoom Out”. Mal encontrei este conceito lembrei-me deste incrível livro do ilustrador húngaro Istvan Banyai que leva os leitores (na realidade “Zoom” é um livro sem palavras) a surpreenderem-se sucessivamente com perspectivas diferentes fazendo com que duvidem a cada página da realidade do que estão a ver.

Uma quinta?

Um modelo de uma quinta?

De surpresa em surpresa os nossos alunos vão-se tornando cada vez mais cépticos em relação ao que encontram.

A pergunta  que colocamos no final desta sessão é o corolário do pensamento céptico desde, pelo menos, Descartes:

– Podemos saber se não somos personagens no jogo de alguém?

Esta pergunta é daquelas que rebentam  violentamente com as portas para o mundo da filosofia. Nenhum aluno voltará a ser o mesmo depois de pôr em causa a verdade da sua própria realidade.

Outra pergunta que nos pode ajudar a aprofundar esta questão:

– Existe apenas esta realidade?

Resumindo, este é um livro essencial em qualquer biblioteca infantil.

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O Pirata do Elba

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Sabemos que são legítimos alguns actos de desobediência civil em que estão em causa a defesa de direitos ou princípios que consideramos importantes. Mas quais? Quando? Porquê? Como? Que actos são legítimos e que actos são ilegítimos?

Estas são algumas perguntas que podem surgir a partir da nossa adaptação de uma adaptação que o fantástico Gustavo Vicente fez do conto “O pirata do Elba” de Luis Sepúlveda (As rosas de Atacama, Porto Editora) e que fazia parte do espetáculo “Sr. Ninguém” levado a cena no Teatro Municipal do Porto (Campo Alegre).

Na nossa versão queremos colocar-nos também dentro da história e arranjamos maneira de estarmos também envolvidos na pichagem de uma placa. Pretendia-se violar a lei e vandalizar a placa de uma rua com o nome de um venerável Presidente da Câmara (burgomestre), Simon von Utrecht, e substituí-la pela de um pirata. Não um pirata qualquer, mas por Klaus Stortebecker, o Pirata do Elba. Uma figura histórica conhecida como o Robin Hood do Mar do Norte.

Usem as vossas capacidades de storytellers para dar corpo a esta história de Sepúlveda que podem encontrar em baixo (desculpem as notas, fazem parte do meu processo de assimilação da história).

Atenção que o conto envolve roubos, assassinatos e decapitações. As crianças vão adorar. Investiguem também estas duas personagens, coloquem-se em Hamburgo por altura do crime e coloquem o dilema aos vossos alunos:

– Fizemos bem em vandalizar a placa de Simon von Utrecht?

Do caso particular podemos então passar para a procura de um princípio mais geral, um movimento mental que Roger Sutcliff apelida de “Zoom Out”.

– Quando é que não é errado desrespeitar a lei?

 

O diálogo que se segue irá seguramente cobrir algumas das perguntas e temas sugeridos em cima.

Haoy, piratas! À abordagem!

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