Filosofia Crítica

"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.com

CAFÉ FILOSÓFICO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE GONDOMAR

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A próxima sessão é já na segunda-feira (23 de março) às 21h30.

Tema: Conhecimento

Até lá!

A CAVERNA DE PLATÃO

Nesta sessão introduzimos os nossos alunos à Alegoria da Caverna (versão simplificada e adaptada aos temas que queremos trabalhar: “ilusão”, “hábito”, “comodismo”, arriscar, “acreditar” “conhecer”, “ensinar”, “obrigar”, “bem dos outros” são alguns dos temas que têm surgido nas minhas turmas.

Reproduzo aqui uma sessão que fiz com alunos do 3º ano (8/9 anos) e que serve de modelo para outras sessões com a mesma estrutura mas perguntas diferentes.

1 – Primeira pergunta: “Devemos obrigar as pessoas a fazer o que não querem?”

Deixamos os alunos lidar com essa pergunta como lhes ensinámos, em Diálogo Filosófico. Depois de ouvidas algumas ideias contamos a nossa versão da “Alegoria da Caverna”:

“Platão, nascido há mais de 2500 anos, foi um dos primeiros filósofos e ensinou-nos a fazer Filosofia a partir de pequenas histórias que contava aos seus alunos para pensarem em conjunto sobre elas. Uma dessas histórias, “A Caverna” fala-nos de uns homens, presos desde que nasceram numa caverna profunda, amarrados sem se verem uns aos outros. São bem tratados e alimentados. Gostam de estar nessa caverna.”

“Da entrada da caverna tu tens hipótese de os tentar convencer a sair cá para fora. Descreves o sol, o mar, as plantas e os pássaros. Falas de cores, cheiros e sabores que nunca conheceram.”

Segunda pergunta: “Achas que quereriam sair?”

Mais uma vez damos oportunidade aos alunos para se ouvirem uns aos outros e enriquecerem o diálogo com mais ideias, críticas, perguntas, etc.

“Um dos prisioneiros saiu para o mundo cá fora. Depois de se habituar à luz e à vida não mais quis voltar para a caverna. Voltou apenas para soltar os seus amigos e falou-lhes do mundo cá fora. Alguns saíram e outros não. Os que ficaram não se acreditavam em nada do que lhes dizia e achava-no louco. Tu e os que saíram discutem se devem os devem obrigar a sair da caverna.”

Terceira Pergunta: “Devem obrigar os homens a sair da caverna?”

Por esta altura alguns alunos reconhecem contradições entre o disseram na primeira pergunta e nesta última. Uns mudam de opinião, outros não. Devemos estar atentos às justificações que vão avançando pois muitas vezes dão-nos a oportunidade de aprofundar outros temas e problemas. Alguns alunos dirão que devemos obrigar alguém a fazer o que não quer quando isso é para o bem dela. Claro que isto está mesmo a pedir a pergunta:

“Como é que sabemos o que é para o bem dos outros?” e, desta forma, está dado o mote para mais uma sessão de Diálogo Filosófico com o 3º B. A próxima!

Bons Diálogos!

CAFÉ FILOSÓFICO NA BIBLIOTECA MUN. GONDOMAR

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CAFÉ FILOSÓFICO-COSMOLÓGICO_INSCRIÇÕES

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(Inscreva-se em: clubefilosoficodoporto@gmail.com)

Neste Café [Filosófico] Cosmológico no Planetário do Porto procuraremos levar a cabo um exercício filosófico muito particular, onde as intervenções dos participantes serão enquadradas num imponente e novo cenário “cósmico” da cúpula do Planetário.

Tomás Carneiro
Clube Filosófico do Porto

Café [Filosófico] Cosmológico
Planetário do Porto [mapa]
Quinta-feira, 12 março, 2015
21:00

WORKSHOP DE PENSAMENTO CRÍTICO NO IPCA

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Maratona de Pensamento Crítico na próxima quinta-feira no IPCA – Barcelos.

CAFÉ FILOSÓFICO-COSMOLÓGICO

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Esta quinta-feira no Planetário do Porto

DIÁLOGO DO HENRIQUE SOBRE GRAVIDADE

ou “Como (não) matar o Pensamento”

Este tipo de Diálogo (criado, moderado e totalmente dependente das ideias das crianças) deve ser o mais próximo que podemos chegar da inocência e inventividade das preocupações e perguntas dos primeiros Filósofos. Mais que com o Homem (preocupação sobretudo socrática) os pré-socráticos queriam saber acerca do Cosmos e das “coisas” do mundo.

Como eles, também o Henrique e os seus colegas do 3º ano se preocupam com aquilo que os rodeia e surpreende e, como os pré-socráticos também eles fazem perguntas e arriscam hipóteses mais ou menos estranhas para procurar saber as respostas. É este o espírito vital que anima a ciência e a filosofia e que ainda está bem vivo nas mentes das nossas crianças, até alguém o matar.

A Filosofia procura perpetuar esse espírito vital incentivando nas crianças o fazer perguntas e não ficar à espera das respostas mas ir à procura delas como os primeiros pensadores o faziam e os verdadeiros pensadores ainda o fazem: inventando, pensando, criticando, corrigindo, exemplificando, testando, etc. É nesse sentido que as crianças são, ao mesmo tempo Ignorantes e Inventores (ver links).

Estes são os sinais de que o tal espírito vital está vivo num Ser Humano e é isso mesmo que os meus alunos “pré-socráticos” do 3º ano irão provar no próximo Diálogo sobre a “Gravidade” moderado pelo Henrique.

 

(perguntas que o Henrique acabou de me enviar)

1 – O que é que a gravidade faz?

2 – Para que é que a gravidade existe?

3 – Há gravidade noutros planetas? (como o podemos provar?)

4 – Há gravidade no espaço? (como é que o podemos provar?

5 – Por que é que quando estamos dentro de água subimos e quando estamos fora descemos?

6 – O que é a gravidade?

7 – O que aconteceria se não houvesse gravidade no mundo?

8 – Como correu o Diálogo?

Muitos pais e professores (de ciências e não só) estarão agora de cabelos em pé pois acreditam que o papel de qualquer professor ou adulto responsável é fornecer às crianças as respostas a estas perguntas que a ciência já terá respondido. E aqui começamos a perceber como o espírito vital da ciência e da filosofia começa a ser morto. Quando em vez de aventuras, explorações, erros, frustrações, gargalhadas e, até mesmo, lágrimas, o que damos às nossas crianças são respostas e pontos finais no verso de uma página do Manual de Estudo do Meio. 

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