A Mulher ou o Tigre

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Por vezes procuramos, procuramos e quando deixamos de procurar encontramos. Foi o que me aconteceu com esta história, uma pequena pérola narrativa escrita por Frank R. Stockton para a “Century Magazine” em finais do século XIX. Há dias que percorria antologias de contos fantásticos, literatura russa e tradicional portuguesa à procura de uma história surpreendente para juntar  à já rica colecção que temos no projecto Filocontos. Desde que comecei este projecto ando constantemente atento a novas histórias que podem surgir em qualquer lado e, desta vez, fui chamado à atenção para este conto pelo Nicholas Rescherno no seu surpreendente livro “Uma viagem pela filosofia em 101 episódios”.

Pesquisei um pouco e encontrei aqui uma transcrição áudio em inglês de “A mulher ou o tigre” e comecei logo a preparar um exercício para sala de aula.

Entre outros temas interessantes este conto faz-nos pensar sobre as fronteiras ténues entre sentimentos como o amor, a posse, o ciúme e o ódio. Como o próprio conto nos deixa em suspenso quanto ao final é também uma excelente oportunidade para pedirmos aos nossos alunos finais alternativos, outros rumos de acção  cenários prováveis  etc., tudo isto enquanto pensam e falam sobre questões como “o que nos leva a agir?”, “a razão tem mais força que a emoção?”, “o amor é egoísta ou altruísta?”, “o que nos faz sermos boas pessoas?”  etc.

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“Olho por olho, dente por dente” no CNM

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Talvez motivados pelos recentes casos de violência no desporto e pela sensação de injustiça e inimputabilidade que eles despertam, os meus alunos no 8°B do Colégio Novo da Maia (uma das minhas turmas mais antigas – desde o 4°ano) escolheram a “lei de Talião” como o mote para aquele que poderá ser o nosso último Diálogo Filosófico, em que participei como mais um filósofo à procura de respostas. Encontrámos algumas  mas como quase sempre  não totalmente satisfatórias. Continuemos a tentar.

Filocontos: histórias para pensar no CLIP

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Saber se uma história é verdadeira ou não, se “aconteceu mesmo” , é uma das principais preocupações dos alunos depois de ouvirem uma história que os desafie a pensar. Esta capacidade de distinguir a realidade da ficção envolve competências de Pensamento Crítico como a discriminação, a análise,  a interpretação, a classificação e a categorização e atitudes críticas como o cepticismo e a curiosidade.

Em filosofia a verdade e a busca da verdade são objetivos centrais e, como tal, o papel do professor de filosofia deve adequar-se a essa demanda, fornecendo aos seus alunos ferramentas que os ajudem a aproximar-se o mais possível dessa verdade. Já no mundo das histórias o papel do storyteller, o contador de histórias, estará a meu ver mais focado na diversão e na procura do simples prazer de ouvir histórias e fazer com que as crianças acreditem o mais possível nelas, mesmo que seja uma crença que sabemos ser falsa, como quando as crianças acreditam nos dragões que sabem que não existem. Conseguem-no graças a uma temporária suspensão da descrença, ou do cepticismo. Uma atitude contrária à que se cultiva em filosofia, portanto.

Este exercício procura trazer a filosofia e o pensamento crítico para o mundo das histórias e da fantasia.

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O objetivo é classificar cada uma das histórias que ouvimos numa das seguintes categorias modais: realidade  ficção, provável, improvável, necessária ou impossível.

Hoje foi a vez dos alunos do 5° ano do CLIP aderirem entusiasticamente ao projecto Filocontos: histórias para pensar.

Agradeço à professora Isabel Sousa o simpático convite, aos professores que dispensaram uma hora do seu horário e aos alunos que mostraram ser muito bons ouvintes e… Pensadores Críticos Espero que tenham gostado deste desafio tanto quanto eu.

FcC: História, Ideia, Pergunta, Resposta

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Um exercício que nos leva de um estímulo (a realidade que nos afecta) a uma ideia (a nossa conceptualização dessa realidade), a uma pergunta (o momento em que problematizamos) até uma hipotese de resposta (a argumentação e o diálogo filosóficos).

A partir do conto “Os dois presentes”, que podem encontrar na excelente “Nova Tertúlia de Mentirosos” de Jean Claude Carriere, cada grupo de alunos começa por encontrar a ideia central do conto e em seguida devem formular uma pergunta que achem que tenha interesse filosófico. Cada grupo entrega então a sua ideia/pergunta a outro grupo que lhe deverá dar uma resposta.

Os pares pergunta/resposta são então escritos no quadro e inicia-se o diálogo crítico sobre as mesmas.

“O Elefante”, de Mrozeck

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Encontrei neste livro das Edições Estampa, a célebre colecção Livros B, um engraçadíssimo conto, que dá o título ao livro, que vai fazer as delícias dos nossos alunos.

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E nesta (foto em cima) compilação uma adaptação de James Thurber de uma das muitas histórias sobre unicórnios que enchem o imaginário dos mais novos.

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Lendo, ou ainda melhor, contando as duas histórias no início da aula colocamos depois os alunos em grupos de 5/6 alunos com o objectivo de descobrirem as seguintes relações conceptuais entre as histórias: tema/conceito central de cada uma; um tema/conceito comum às duas; temas/conceitos opostos.

Estes diferentes exercícios de conceptualização e síntese obrigarão os alunos a reviver e recontar as histórias uns aos outros várias vezes, a ouvirem-se mutuamente nesse processo, a procurarem diferentes pontos de vista, ênfases e êmfases distintos a cada uma das histórias.

 

Curso de Introdução à Filosofia com Crianças na Reitoria da UP (2ª edição)

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A filosofia torna as crianças poderosas.

9 a 13 de abril – Inscrições – cultura@reit.up.pt

Este Curso de Introdução à Filosofia com Crianças tem por base o projeto FILÓSOFOS A BRINCAR, implementado desde 2007 em diversas instituições de ensino e que se inspira nas propostas pedagógicas de Mathew Lipman, Oscar
Brenifier, Thomas Wartenberg, Peter Worley e Tim Kenyon.
A Filosofia com Crianças, praticada de forma regular e continuada melhora as competências verbais e argumentativas das crianças, ensina-as a ouvir com atenção os seus amigos, a explicar com cuidado e clareza as suas ideias, a aceitar críticas e a saber criticar com respeito as ideias dos outros.
A Filosofia com Crianças leva os alunos a viverem experiências muito significativas ao nível cognitivo, social e afetivo.
Além disso alguns estudos* demonstram que a Filosofia com Crianças melhora significativamente os desempenhos dos alunos em disciplinas como o português (língua materna) e a matemática.
No final deste Curso os participantes deverão conhecer os princípios basilares da disciplina de Filosofia com Crianças (teoria), assim como ser capazes de dar os primeiros passos na preparação e desenvolvimento de uma sessão de
diálogo filosófico com os seus alunos (prática). Também terão à sua disposição várias dezenas de exercícios (jogos, histórias, desafios, dilemas, etc.) para aplicação em aula com os seus alunos.

Estrutura do Curso

1ª Sessão (9 de abril)
O que é a Filosofia com Crianças: pressupostos teóricos e metodológicos
Estrutura de uma sessão de Filosofia com Crianças.
A metodologia do projeto Filósofos a Brincar (estímulos, instrumentos e estilos de moderação)
Prática de sessão de Filosofia com Crianças (diálogo filosófico).

2ª Sessão (10 de abril)
A estrutura de uma sessão de FcC (pontos de partida e pontos de chegada; ferramentas para pensar).
Alguns possíveis obstáculos e soluções.
Filosofar a partir de experiências mentais:
Sessão prática de Filosofia com Crianças (diálogo filosófico).

3ª Sessão (11 de abril)
Filosofar a partir de exercícios e jogos.
Sessão prática de Filosofia com Crianças (diálogo filosófico).

4ª Sessão (12 de abril)
Filosofar a partir contos tradicionais e histórias infantis.
Sessão prática de Filosofia com Crianças (diálogo filosófico).

5ª Sessão (13 de abril)
Como preparar e estrurar uma sessão de Diálogo Filosófico com os nossos alunos.
Exercícios práticos

Formador
Tomás Magalhães Carneiro
Professor de Filosofia com Crianças
Fundador do Clube Filosófico do Porto
Formador de Pensamento Crítico
Página Pessoal: https://filosofiacritica.wordpress.com/

Local
Reitoria da Universidade do Porto

Datas
9, 10, 11, 12 e 13 de abril de 2018
Horários

19h – 21h

Valor – 120€

Inscrições – cultura@reit.up.pt