19 artigos para acabar 2019

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Decisões para 2020: ler mais livros, comentar mais artigos e ter mais conversas.
Com 2019 a acabar deixo aqui uma lista de 19 artigos, recensões e ensaios disponíveis on-line que poderão servir de dinamite cerebral daqui até ao fim do ano.

Boas leituras!

1 – A message to the 21st century, Isaiah Berlin – As principais causas dos terrores do sec XX foram ideias. Podemos estar optimistas quanto ao que nos reserva o sec.XXI.

2 – No offense: The new threats to free speech – A fronteira ténue entre criticar e insultar.

3 – A Weapon for Readers – Ler com um lápis na mão faz com que passemos de consumidores passivos de um monólogo a participantes activos de um diálogo.

4 – Bad Thinkers – O que é pensar mal? Virtudes intelectuais e teorias da conspiração.

5 – The Conversationalist – Michael Oakeshott, ou a filosofia como uma interminável conversa.

6 – Why Haters Hate – Por que odeiam os que odeiam, segundo Kierkegaard

7 – How to Change Minds – Queres convencê-lo do contrário do que diz? Concorda com o que ele diz.

8 – Remind Yourself How Litlle You Know –  Estratégias para desinflacionar o ego.

9 – How Does The Public´s View of Science Go So Wrong?Os sábios não podem ser decisores. Os cientistas devem estar preparados para os seus conselhos não serem aceites numa democracia. as pessoas simplesmente não valorizam o mesmo que eles.

10 – The Function of Reason – A razão é fundamentalmente social.

11 – You do Not Think Alone – O conhecimento está fora de nós (no mundo, nos outros,etc.)

12 – The Myth of Rational ThinkingComo a irracionalidade forjou a história da humanidade.

13 – Metaphors Grow The Mind and Feed the Soul –  Uma outra forma de conhecer.

14 – When Chomsky met Foucault – Justiça versus Poder

15 – Why Facts Don´t Change Our MindsOs limites da razão. Hábitos mentais que parecem estranhos, patetas ou simplesmente parvos de um ponto de vista “intelectual” demonstram ser acertados de um ponto de vista social.  

16 – The Normalization Trap  – O problema da normalização do anormal.

17 – Amnésia Histórica –  Milan Kundera avisou-nos e agora está a acontecer outra vez.

18 – How to tell the diference between persuasion and manipulation – A intenção de prejudicar alguém poderá ser a principal característica para reconhecer e evitar a manipulação.

19 – Is there anything especially expert about being a philosopher? – Se as ciências são como um subúrbio bem ordenado a filosofia leva-nos a passear pela cidade antiga caótica e escura. Poucos de nós vão ao subúrbio mas todos vamos à cidade antiga. É aí que vivemos e onde todos nos encontramos. Como ninguém pode deixar de viver filosoficamente devemos tentar fazê-lo o melhor possível.

Geradores de Perguntas

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Esqueçam a curiosidade metafísica, os problemas profundos, o interesse pela verdade ou os argumentos inteligentes. A porta de entrada das crianças para a filosofia é “o outro”, mais propriamente os seus amigos. É o interesse por aquilo que os seus amigos dizem e pensam que espoleta a vontade dos nossos alunos em dizer e pensar alguma coisa. O tema mais pacífico e insosso torna-se urgente e delicioso quando os nossos amigos investem nele o seu pensamento e o partilham connosco. Essa partilha é um convite a que pensemos com eles. Esta é uma das dádivas da nossa natureza social e linguística. As palavras servem, acima de tudo, para conversar e é para isso que as crianças as usam. Os professores usam-nas para ensinar e passar mensagens, e esse será um dos erros da escola actual.

É por esse nosso interesse fundamental no outro que as perguntas dos próprios alunos levam invariavelmente a diálogos mais participados e envolventes.
Mas nem todas as perguntas são boas para iniciar e manter o diálogo no campo da filosofia. Em baixo seguem alguns exercícios “geradores de perguntas” que ajudam a extrair o sumo filosófico da cabeça dos nossos alunos na forma de perguntas.

1 – O Poder das Perguntas

2 – A Roda Filosófica

3 – Perguntas Cirúrgicas

4 – Sabemos?

5 – Diálogos Improváveis

+1 – Tipos de Perguntas

 

Bons diálogos!

Mais exercícios para pensar em Caixa de Pandora

 

 

 

Inferir e Justificar

An Experiment on a Bird in an Air Pump by Joseph Wright of Derby, 1768.jpg

Inferir e Justificar são, como nos diz Roger Sutcliffe, os dois lados de uma mesma moeda. Inferimos algo quando partimos de provas ou de razões (justificações) para chegar a uma conclusão. No entanto estes dois “Movimentos de Pensamento” são diferentes. Uma coisa é inferir, outra é justificar. Uma coisa é avançar para algo, outra coisa é aquilo que nos leva a avançar para algo. Além disso pode haver inferência sem justificação, como quando intuímos algo mas não temos bem claras as razões por que o fazemos, e pode haver justificação sem inferência, como quando apresentamos razões mas ainda não decidimos que conclusão podemos tirar delas ou o que podemos fazer em função disso. Um aluno meu disse-me que estes dois movimentos (ver imagem em baixo) são irmãos gémeos, “temos de olhar com muita atenção para perceber que são diferentes”.

Uma analogia que me ajuda a explicar a diferença entre os dois é a da travessia de uma ponte: atravessar uma ponte é semelhante a inferir algo; os pilares da ponte são a justificação, o que nos permite fazer essa travessia.

Sobretudo para os nossos alunos mais novos não é fácil explicar a diferença entre estes dois movimentos de pensamentos, mas devemos insistir. Algo há de ficar e mais à frente (meses, anos?) poderá fazer sentido. Outra tentativa para explicar. Lembremos-lhes do jogo da aula anterior, o “Berlinde Filosófico“, onde a partir do conhecimento de algo que foi feito (tocar na mão de um aluno com um berlinde) podemos saber (inferir) que o aluno seguinte foi tocado com um dedo. Neste caso trata-se de uma inferência necessária: “se for verdade X, tem necessariamente de se seguir Y”. Mas nem todas as inferências são deste género, ou seja, dedutivas. A maior parte das inferências que fazemos diariamente não são necessárias mas, antes, mais ou menos prováveis, mais ou menos plausíveis. Como quando vemos alguém a chegar a casa encharcado e inferirmos que está a chover lá fora. É muito provável que esteja mesmo a chover lá fora, mas pode dar-se o caso de a pessoa ter levado com um balde de água na cabeça.

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No seu livro “Thinking Moves A-Z” Roger Sutcliffe, Tom Bigglestone e Jason Buckley sugerem a observação deste estranho quadro de Joseph Wright of Derby “An experiment on a bird in the air pump” (ver primeira imagem) para trabalharmos com os alunos a compreensão do processo de Inferência. Adaptei ligeiramente o exercício que sugerem para trabalhar também o processo de Justificação.

1 – Aos pares os alunos devem responder numa frase à questão “O que se passa nesta cena”?

Aqui os alunos terão de inferir algo a partir do que observam.Algumas sugestões foram “uma festa”, “uma reunião de assassinos”, “uma sessão de feitiçaria”. Dizemos-lhes que o que estão a fazer é a inferir, a concluir algo. Mas agora queremos que justifiquem aquilo que concluíram.

2 – Porque acham que se trata de “uma festa”/uma reunião de assassinos”/”uma sessão de feitiçaria”? O que encontram na imagem que justifique isso?

Neste momento os alunos terão de procurar no quadro elementos que os levem a concluir aquilo que pensam que se está a passar naquela sala.

3 – Neste momento podemos conversar com os nossos alunos acerca de quais as melhores justificações/inferências, quais as que fazem mais sentido, quais as mais criativas, as mais prováveis, etc. Os alunos deverão perceber que o que torna as nossas inferências mais fortes (prováveis, plausíveis) são as justificações. Quanto melhor forem as justificações melhor (i.e., mais plausível, mais provável) será a conclusão a que chegamos.

4 – No final explicamos a cena descrita no quadro (ver link) e perguntamos qual a inferência que mais se aproximou da resposta verdadeira. Isto pode dar lugar a interessantes diálogos sobre, por exemplo, a semelhança entre a feitiçaria e a magia.

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Bons diálogos!

Mais exercícios para pensar em Caixa de Pandora.

Perguntas Cirúrgicas

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A determinada altura do ano lectivo devemos começar a dar autonomia aos nossos grupos mais maduros. Normalmente por altura do Natal os nossos alunos já devem dominar uma série de dinâmicas de diálogo filosófico, assim como uma série de competências de pensamento, que lhes permita auto-gerirem uma sessão filosófica, desde a elaboração das perguntas à moderação do diálogo. Mas uma coisa é manterem uma conversa, respeitando as regras, falando à vez, analisando e avaliando as ideias uns dos outros. Outra coisa é serem capazes de levar essa conversa a um nível de profundidade mais, digamos assim, filosófico. Para sair da epiderme das opiniões e das críticas às ideias uns dos outros, para ir mais ao fundo das razões e dos argumentos apresentados os nossos alunos devem ser capazes de dominar as mesmas ferramentas que o pedreiro de Atenas, Sócrates, utilizava nas suas conversas quotidianas: as perguntas.

As perguntas são as ferramentas cirúrgicas do diálogo filosófico, e da mesma forma que um cirurgião tem à sua disposição diferentes instrumentos como pinças, tesouras, bisturis e outros que usa com precisão de acordo com o que pretende fazer, também o filósofo tem à sua disposição diferentes tipos de perguntas com diferentes funções, que devem ser utilizadas em diferentes momentos do diálogo.

Em baixo segue um pequeno guião com vários tipos de perguntas (e aquilo que fazem) que podemos projectar ou afixar numa parede para que os nossos alunos se sirvam delas quando sentirem que lhes serão úteis para levar o diálogo para outras direcções, alturas ou profundidades.

Perguntas Cirúrgicas

– Podes explicar melhor? (explicação)

– Por que pensas isso? (razões; argumentos)

– Como é que começaste a acreditar nisso? (episteme; questionar a origem da crença)

– Podes dar-me um exemplo? (confirmar)

– Podes dar-me um contra-exemplo? (infirmar)

– O que queres dizer com “X”? (definição)

– Como é que isso responde à pergunta? (pertinência)

– O que teria de acontecer para mudares de opinião? (humildade epistémica)

– Que razões pode ter quem defenda o contrário disso? (procurar outros pontos de vista)   

– No final do diálogo: Ainda acreditas no mesmo e com a mesma confiança? (reavaliação das crenças)

 

Bons diálogos!

Mais ferramentas para pensar em Caixa de Pandora

O Berlinde Filosófico

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O que tem de filosófico tentar adivinhar quem esconde um berlinde na mão? Talvez nada, mas é muito divertido. E entretanto talvez ajudemos os nossos alunos a cultivar algumas competências e atitudes próprias do filósofo (concentração, foco na tarefa, atenção ao outro, atenção a si próprio, calma sob tensão – ok, isto é mais para cirurgiões cardíacos e desactivadores de minas terrestres, mas não faz mal nenhum a filósofos)

1 – Os alunos sentam-se em círculo de olhos fechados e mão aberta estendida para a frente.

2 – Entregamos o berlinde a um aluno que deverá percorrer o círculo todo tocando na palma da mão dos seus amigos ora com o berlinde ora com o dedo.

3 – Por fim deve deixar o berlinde num dos seus amigos e todos devem fechar a mão (ninguém pode abrir a mão até ao fim do jogo).

4 – Agora os alunos devem tentar descobrir quem tem o berlinde e aquele que o tem na mão deve tentar desviar as atenções de si. Podem servir-se de algumas pistas como “ele passou por mim e tocou-me com o berlinde, por isso deve estar mais para lá”, ou “de certeza que deixou no Gonçalo porque são os melhores amigos”. Rapidamente os alunos vão perceber que aquele que tem o berlinde pode estar a fazer bluff tentando desviar as atenções de si (“deve ser a Maria pois está a rir”), ou introduzindo falsas pistas (“ele tocou em mim com o dedo, por isso quem tem o berlinde deve estar à minha esquerda”).

5 – Cada aluno tem uma hipótese para arriscar. Se acertar ganha e pode ser ele a entregar o berlinde na próxima rodada. Se falhar continua em jogo (pode dar palpites) mas não pode arriscar mais até ao fim deste jogo.

6 – Ganha o aluno que conseguir chegar ao fim sem ser descoberto (i.e. quando faltar apenas um outro jogador).

7 – Com grupos grandes é quase impossível chegar ao final, assim uma alternativa é fazer um grupo mais pequeno de alunos que podem ter o berlinde sentando-se num grupo de 8/10 jogadores num circulo interior. Todos os outros alunos podem dar palpites mas só estes podem arriscar. Assim é mais fácil haver um vencedor.

Mais jogos para pensar em Filojogos

Bons jogos!

Diálogos Improváveis

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Vai um pequeno jogo de dados para pôr os nossos alunos a pensar?

O objectivo deste exercício é criar alguma emoção no início da aula e deixar que o acaso determine o campo por onde iremos filosofar.

1 – No quadro escrevemos 12 conceitos filosóficos em duas colunas numeradas de 1 a 6 (ver imagem em baixo).

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2 – Os alunos trabalham em grupos de 3/5 alunos. Cada grupo lança dois dados uma vez. Existem algumas aplicações para telemóvel que imitam o lançamento de dados. (eu uso um que se chama “Gerador Aleatório” e além de dados tem roleta e outras valências)

3 – Cada número de sair corresponderá a um conceito. O que cair mais à direita para um conceito da coluna da direita e o dado que cair mais à esquerda para um conceito para a coluna da esquerda.

4 – Desta forma cada grupo fica com um par de conceitos que deverá problematizar fazendo 3/5 perguntas que utilizem ambos.

5 – Desta forma podem surgir alguns pares improváveis tais como: Belo/Medo; Liberdade/Mal; Deus/Egoísmo; etc.

6 – Em seguida os alunos escolhem uma dessas perguntas e apresentam-na ao grupo. Uma vez todas as perguntas tenham sido apresentadas o grupo escolhe uma para dar início ao diálogo (evidentemente os alunos não podem votar na pergunta do seu grupo).

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Bons diálogos!

Mais jogos para pensar em Filojogos.

 

 

 

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