Para lá do chapéu: a história em 4 perguntas

“Para lá do chapéu” é uma atividade de reflexão e debate filosófico dividida em quatro etapas. À medida que lemos o livro Achámos um Chapéu, os alunos são convidados a parar em cada uma das três partes do enredo para responder a uma pergunta central sobre as decisões, as emoções e os dilemas das tartarugas. No final da leitura, fazemos uma última paragem para enfrentar uma grande pergunta final que abala a história toda e nos faz pensar sobre a nossa própria existência

As 4 Perguntas do Exercício

Parte 1: As tartarugas tomaram uma boa decisão?

Parte 2: Devemos esconder aquilo que sentimos?

Parte 3: A ilusão ou o sonho podem substituir a realidade?

Pergunta Final: O que nos faz ser mais felizes: mudar o mundo à nossa volta ou mudar a nossa forma de pensar?

5 Objetivos Pedagógicos

  1. Analisar a história por etapas: Aprender a parar em cada momento da narrativa para investigar os pensamentos e as ações das personagens.
  2. Avaliar a tomada de decisões: Identificar o que torna uma escolha boa, justa ou ética perante um dilema.
  3. Refletir sobre a vida interior: Pensar sobre a honestidade, os sentimentos escondidos e o impacto do desejo nas nossas relações.
  4. Distinguir realidade e imaginação: Questionar o papel dos sonhos e da mente na resolução de conflitos difíceis.
  5. Aplicar a filosofia ao quotidiano: Usar a grande pergunta global para refletir sobre a forma como lidamos com os nossos próprios desejos e frustrações no dia a dia.

História em camadas

Todas as histórias têm “camadas invisíveis” que os nossos olhos e ouvidos não detectam. Precisamos de pensar para lá chegar. Esta história está cheia dessas camadas.

Neste exercício, vamos “escavar” o livro Achámos um Chapéu em diferentes camadas de profundidade: dos factos mais simples, às intenções e dilemas das personagens, até às grandes perguntas sobre a vida. 
Ao longo do exercício, de forma gradual e progressiva, os alunos são levados a juntar conceitos e criar perguntas que os façam pensar e descobrimos como uma pequena história de duas tartarugas e um chapéu pode ser mais complexa e profunda do que parece ao primeiro olhar.

Objetivos: 

– Aprender a organizar ideias: Saber ligar um momento concreto de uma história a uma palavra-chave (conceito) que o explica.

– Argumentar com razões: Saber defender perante o grupo por que razão um conceito descreve melhor uma cena do que outro.

– Descobrir a ideia principal: Olhar para a história no seu todo e escolher a palavra central que melhor resume a mensagem do livro.

– Pensar em mais ideias pertinentes: Descobrir como dois conceitos diferentes (como o Desejo e a Amizade) podem existir ao mesmo tempo numa única situação da história e da vida.

– Aprender a tornar ideias em perguntas: Treinar a capacidade de criar perguntas difíceis que obriguem duas palavras-chave a “conversar” entre si, transformando o conflito das tartarugas numa investigação sobre as pessoas.

Exercício

Primeira Camada

A história é lida por partes (Capítulo 1, 2 e 3). A cada paragem, em pequenos grupos, os alunos escolhem um conceito principal do conjunto (Justiça, Desejo, Amizade, Imaginação, Partilha) que descreva essa parte.

Segunda Camada

Para a mesma parte, os alunos são desafiados a encontrar um segundo conceito que também sirva para explicar esse momento, descobrindo o que está “escondido” ou em conflito debaixo da primeira impressão.

Mapeamento

Os grupos reúnem os pares identificados em cada uma das três partes e, no final, constroem o par conceptual global para a história toda (juntando um dos dois conceitos que restaram e que melhor abraça o livro no seu todo). Ficam assim com uma lista de 4 Pares conceptuais (Partes 1, 2, 3 e História Inteira).

Problemática

Para cada par de conceitos criado, o grupo tem de construir uma única pergunta que utilize (articule) essas duas palavra.

Exemplo (Desejo + Amizade):“O que acontece à nossa amizade quando desejamos coisas opostas?

Diálogo

Cada grupo lança uma das suas perguntas finais à turma. Agora os alunos percebem que a discussão já deixou de ser sobre a história das tartarugas e do chapéu e passou a ser sobre as tensões da própria vida humana.

Exemplos Perguntas dos alunos (3º e 4º anos)

A História das Coisas: pensar sobre o invisível

Com este exercício pretendemos levar os nossos alunos a:

  1. Transformar factos em símbolos: Aprender a escolher um objeto para melhor compreender o impalpável (emoções, ideias, intenções “invisíveis” da história).
  2. Pensar sobre os factos, os outros e nós: Distinguir o que os olhos veem (os factos), o que a personagem sente (a empatia) e o que isso revela sobre a vida e sobre nós (filosofia).
  3. Explorar o “outro lado” das coisas: Usar os contrastes dos objetos — como o pesado e o leve, o aberto e o fechado, o inteiro e o partido — para compreender as dúvidas e os dilemas da personagem.
  4. Fundamentar as nossas escolhas: Treinar a capacidade de explicar o “porquê” de relacionarmos um certo objeto a um determinado momento.
  5. Fazer perguntas sobre o ser humano: Criar uma pergunta difícil sobre o medo, o desejo ou a culpa para colocar a turma inteira a pensar.

Exercício

1) Escolher o Objeto para a Cena: Em pequenos grupos, os alunos dividem uma história em cenas/ momentos-chave e escolhem um dos seguintes objetos (pedra, pena, espelho partido, relógio e chave) para representar o que está “escondido” em cada cena. 

2) Explicar a ligação: Cada grupo justifica a sua escolha, explicando por que razão aquele objeto traduz o que está “escondido” naquela cena (o pensamento, o medo ou a intenção secreta da personagem naquele momento).

3) Criação de Perguntas: A partir da relação entre o objeto e a cena, o grupo constrói uma pergunta sobre a vida e os seres humanos para desafiar o pensamento de todos os colegas.

“Este Chapéu não é meu” – Pensar a fundo

O peixe pequeno roubou o chapéu do peixe grande. E agora?

“Este chapéu não é meu” é uma excelente pretexto para pensarmos mais a fundo sobre a complexidade do viver humano. O que sentimos quando fazemos algo errado? Quando devemos confiar nos outros? Quem deve castigar e que castigos são justos?

Depois de contarmos esta história aos alunos, estes formam grupos com a seguinte tarefa:

Exercício

Partir dos Factos (História/Objetivo): Os alunos mapeiam o que é visível nos 3 momentos da história (ex. início, meio, fim).

Entrar na Pele de uma personagem (Eu/Subjetivo): Os alunos imaginam-se na cena para compreender as emoções, limites e escolhas da personagem.

Chegar ao Humano (Humanidade/Universal): Descobrem os medos e desejos universais que a narrativa revela sobre todos nós. Neste ponto devem fazer uma pergunta que nos faça pensar sobre o que a personagem está a viver, sentir, pensar…

Exemplo: 

Momento 1 – O peixe pequeno roubou o papel e fugiu. (Mundo). Ele devia estar ao mesmo tempo contente por ter uma coisa que queria (chapéu), mas com medo de ser descoberto (Eu). Por que é que fazemos coisas que sabemos que são erradas? (Universal).

Repetir para o 2º e 3º momentos escolhidos.

Eu e o Espelho – Filosofia das Crianças

Aula 2 – Eu e o Espelho

[projectar imagem de um espelho, ou levar um espelho para a aula)

Objetivos

1  Escutar sem interromper: Ouvir a ideia de cada colega sobre o espelho com atenção e respeito.

2  Perguntar “Para quê?”: Fazer perguntas em grupo para passar do olhar rápido e fácil ao olhar mais atento e profundo.

3  Mergulhar do “serve” para o “é”: Descobrir o que o espelho revela sobre os nossos sentimentos e pensamentos.

4  Encontrar o Desejo e o Medo: Descobrir juntos uma coisa que desejamos e uma coisa que tememos ao olhar para a nossa imagem.

5  Criar uma pergunta nova: Inventar uma dúvida sobre a vida a partir do espelho para nos desafiar a pensar ainda mais

Em grupo respondam por escrito às seguintes perguntas:

– Para que serve?

– Para que é que o fazemos?

– O que desejamos ao fazê-lo?

– Do que temos medo ao fazê-lo?

– Se o espelho pudesse perguntar algo sobre nós que pergunta faria?

De onde nascem as perguntas

Exercício – De onde nascem as Perguntas

Objetivos

Reconhecer que as perguntas podem nascer de diferentes dimensões da experiência humana.Desenvolver a capacidade de transformar sentimentos, memórias, possibilidades e ideias em perguntas.Promover diferentes modos de pensar através da formulação de perguntas.Cultivar a diversidade de perspetivas na comunidade de investigação.Desenvolver o questionamento como ponto de partida para o diálogo filosófico.Estimular a escuta, a reflexão e a construção coletiva de significado.

Ver exercício aqui

A Filosofia a olhar para dentro – 3 exercícios de Filosofia Meditativa

Filosofia não é apenas “olhar para fora”. Fazer filosofia é mais que encontrar e pensar sobre problemas que estão fora de nós (O que é a Liberdade?; A Verdade existe?; É possível uma sociedade justa?”, etc.). A Filosofia também é algo mais edificante (e interessante) no sentido de ser um exercício de “olhar para dentro” de nós, para a forma como somos afectados pelo mundo, como nos relacionamos com ele e com os Outros, como construímos a nossa identidade, aquilo que somos, o que queremos ser, etc. Estes 3 exercícios de Filosofia Meditativa procuram levar os alunos a experimentar esta forma ligeiramente diferente de filosofar daquela a que estão habituados, o olhar para si mesmos.

Os 3 exercícios aqui.

Pirâmides Filosóficas

Neste exercício os alunos recebem 9 conceitos filosóficos e são convidados a organizá-los em três grupos de três conceitos. Cada grupo deverá assumir a forma de uma pirâmide com três andares, colocando um conceito em cada nível.

Numa primeira fase, os alunos terão de discutir e justificar porque razão certos conceitos pertencem ao mesmo grupo, identificando relações, semelhanças ou ligações entre eles. Numa segunda fase, terão de justificar a posição de cada conceito dentro da pirâmide, explicando porque deve ocupar o topo, o meio ou a base. A ordem escolhida pode refletir critérios como importância, dependência, complexidade, origem ou impacto.

Por fim, cada pirâmide deverá receber um nome que represente a característica comum dos seus três conceitos, como por exemplo “emoções”, “descobertas”, “conquistas”, “relações” ou “formas de conhecimento”. O objetivo não é encontrar uma resposta certa, mas desenvolver a capacidade de construir relações conceptuais, argumentar e interpretar diferentes possibilidades de organização do pensamento.

Objetivos deste exercício

  1. Aprender a descobrir relações entre diferentes conceitos filosóficos.
  2. Desenvolver a capacidade de justificar escolhas com razões claras e coerentes.
  3. Organizar ideias segundo critérios como importância, dependência ou significado.
  4. Criar categorias próprias para compreender melhor o mundo e o pensamento.
  5. Exercitar o diálogo filosófico através da comparação e discussão de diferentes perspetivas.