De onde nascem as perguntas

Exercício – De onde nascem as Perguntas

Objetivos

Reconhecer que as perguntas podem nascer de diferentes dimensões da experiência humana.Desenvolver a capacidade de transformar sentimentos, memórias, possibilidades e ideias em perguntas.Promover diferentes modos de pensar através da formulação de perguntas.Cultivar a diversidade de perspetivas na comunidade de investigação.Desenvolver o questionamento como ponto de partida para o diálogo filosófico.Estimular a escuta, a reflexão e a construção coletiva de significado.

Ver exercício aqui

A Filosofia a olhar para dentro – 3 exercícios de Filosofia Meditativa

Filosofia não é apenas “olhar para fora”. Fazer filosofia é mais que encontrar e pensar sobre problemas que estão fora de nós (O que é a Liberdade?; A Verdade existe?; É possível uma sociedade justa?”, etc.). A Filosofia também é algo mais edificante (e interessante) no sentido de ser um exercício de “olhar para dentro” de nós, para a forma como somos afectados pelo mundo, como nos relacionamos com ele e com os Outros, como construímos a nossa identidade, aquilo que somos, o que queremos ser, etc. Estes 3 exercícios de Filosofia Meditativa procuram levar os alunos a experimentar esta forma ligeiramente diferente de filosofar daquela a que estão habituados, o olhar para si mesmos.

Os 3 exercícios aqui.

Pirâmides Filosóficas

Neste exercício os alunos recebem 9 conceitos filosóficos e são convidados a organizá-los em três grupos de três conceitos. Cada grupo deverá assumir a forma de uma pirâmide com três andares, colocando um conceito em cada nível.

Numa primeira fase, os alunos terão de discutir e justificar porque razão certos conceitos pertencem ao mesmo grupo, identificando relações, semelhanças ou ligações entre eles. Numa segunda fase, terão de justificar a posição de cada conceito dentro da pirâmide, explicando porque deve ocupar o topo, o meio ou a base. A ordem escolhida pode refletir critérios como importância, dependência, complexidade, origem ou impacto.

Por fim, cada pirâmide deverá receber um nome que represente a característica comum dos seus três conceitos, como por exemplo “emoções”, “descobertas”, “conquistas”, “relações” ou “formas de conhecimento”. O objetivo não é encontrar uma resposta certa, mas desenvolver a capacidade de construir relações conceptuais, argumentar e interpretar diferentes possibilidades de organização do pensamento.

Objetivos deste exercício

  1. Aprender a descobrir relações entre diferentes conceitos filosóficos.
  2. Desenvolver a capacidade de justificar escolhas com razões claras e coerentes.
  3. Organizar ideias segundo critérios como importância, dependência ou significado.
  4. Criar categorias próprias para compreender melhor o mundo e o pensamento.
  5. Exercitar o diálogo filosófico através da comparação e discussão de diferentes perspetivas.

Distopia, Realidade e Utopia

No exercício anterior trabalhámos com três ideias filosóficas importantes: a causa, o conhecimento e a possibilidade. Tentámos perceber de onde vêm as coisas, o que sabemos sobre elas e o que podem vir a ser. Neste novo exercício vamos continuar esse trabalho, mas olhando agora para três novas formas do ser e do poder ser: a distopia, a realidade e a utopia

A partir destas três palavras, que para muitos serão uma novidade, os alunos irão pensar como seria um mundo pior, como é o mundo atual e como poderia ser um mundo melhor. O objetivo é desenvolver o pensamento crítico, a imaginação filosófica e a capacidade de comparar diferentes formas de viver.

Este exercício desenvolve-se em duas sessões: Numa primeira sessão introduzimos os alunos aos conceitos de Distopia (mundo pior) e de Utopia (mundo melhor) e habituam-se a torná-los operativos, ou seja a usá-los como instrumentos linguísticos que geram conhecimento e não meramente conceitos abstratos. Para isso partimos de conceitos que lhes são próximos: Escola, Natureza, Amizade, etc.

Numa segunda sessão continuamos a explorar as ideias de distopia, realidade e utopia, mas agora a partir de conceitos mais abstratos e filosóficos, como verdade, liberdade, consciência, justiça ou infinito. Em vez de pensar apenas em objetos ou situações do quotidiano, os alunos serão convidados a refletir sobre ideias que fazem parte da experiência humana e da forma como entendemos o mundo. O exercício pretende desafiar os alunos a subir um degrau ao nível da conceptualização e imaginar como estes conceitos poderiam existir numa sociedade pior, na sociedade atual e numa sociedade ideal. 

Exercício com imagens aqui.

Causa, Conhecimento, Possibilidade_2

Introdução

As aulas de Filosofia não são aulas como as outras. Os alunos que o digam.

Das melhores memórias e momentos de aprendizagem filosófica que tive durante a minha passagem pela faculdade foram as discussões acesas que entre colegas, investigadores e professores tínhamos no bar da Flup (agora Bar do Tio), na antiga livraria do piso 0 e nas mesas da Biblioteca (aqui enquanto nos controlávamos para sussurrar o mais possível). 

Senti tão intensamente esses momentos que fiz de toda a minha vida profissional fora da Universidade uma tentativa reviver esses momentos quer nos Cafés Filosóficos mas, sobretudo, com os meus alunos em sala de aula.

No seguimento da aula anterior criámos um exercício que obrigue os nossos alunos aprofundarem e ampliarem as suas ideias.

Ao preencherem a grelha, ao encontrarem as causas e as possibilidades dos conceitos propostos, os alunos entram directamente no campo da reflexão filosófica.

Depois de apresentar o exercício aos alunos, calem-se, encostem-se na cadeira e ouçam coisas como 

– “A causa da Natureza foi uma Ideia de Deus?” 

– “A Liberdade causa a Verdade ou é ao contrário?” 

– “A causa da Natureza é a causa da Verdade?” 

– “Quais as possibilidades da imaginação?” 

– “O que causou os macacos começarem a falar e o que vai acontecer quando os Humanos deixarem de falar?”  

Todas estas perguntas surgiram dos diálogos “de café” de uma das minhas turmas do 5º ano (alunos com 11/12 anos) que discutem filosofia como fazíamos na Flup, de forma acalorada, às vezes aos berros e com as emoções à flor da pele como se a nossa identidade dependesse da aceitação da nossa resposta. Saudades! 

Definitivamente as aulas de Filosofia não são aulas como as outras. Os colegas das salas ao lado que o digam.

Objetivos

1. Perceber de onde vêm as coisas 

2. Descrever o que já sabes 

3. Imaginar o que pode acontecer a seguir 

4. Treinar a curiosidade 

5. Perceber que as coisas não estão isoladas — tudo pode estar ligado a outras coisas.

Exercício completo aqui

Construir um Raciocínio_1

1. Construção de um Raciocínio

O grupo deve construir um “caminho de pensamento” usando os símbolos, por esta ordem:

  1. 💡 Opinião
    • Em grupo os alunos propõem uma resposta justificada a uma das perguntas
    • Ex: “Acho que isto acontece porque…”
  2. 🔄 Outra Opinião
    • Pensam e apresentam uma perspectiva/opinião
    • Ex: “Outra ideia possível é…”
  3. ➡️ Exemplos
    • Procuram um exemplo concreto para cada opinião
    • Ex: “Isso acontece quando.
  4. 🔨 Críticas
    • Analisam criticamente as duas ideias do grupo
    • Ex: “Isso faz sentido, mas…”
  5. ❓ Pergunta
    • Formulam uma pergunta relacionada com a pergunta inicial mas já enriquecida pelo raciocínio que construíram à volta dela.
    • Ex: “Mas será que…?”

👉 Nota:
Cada intervenção deve ligar-se à anterior (um raciocínio é um encadeamento de ideias, não são ideias soltas).

Ver o exercício aqui.

Emília e o Sumo da Eternidade

Emília estava sentada num jardim tranquilo quando uma figura misteriosa aproximou-se dela. Trazia consigo um pequeno frasco com um líquido brilhante.

— Este é o sumo da eternidade — disse a figura. — Se o beberes, manterás exatamente a idade e a saúde que tens agora durante 300 anos. Não envelhecerás, não adoecerás, não perderás as tuas capacidades. Viverás como estás… durante três séculos.

Emília ficou em silêncio. Pensou nas coisas que ainda queria fazer, nas pessoas que amava, nos projetos que ainda não tinha começado. Mas também pensou no que significaria viver tanto tempo… sem mudar.

A figura estendeu-lhe o frasco.

Emília hesitou.

Pergunta para diálogo:
Emília deve beber o sumo da eternidade?

(Tempo para diálogo em grupo e registo da melhor resposta construída coletivamente.)


2. Continuação do Texto

Emília decidiu beber o sumo.

Os anos passaram. Depois décadas. Depois séculos.

Durante 300 anos, Emília viveu com saúde, energia e juventude. Viu cidades mudarem, pessoas nascerem e morrerem, ideias surgirem e desaparecerem. Aprendeu muito, fez muitas coisas — mas, com o tempo, começou a sentir algo estranho. O que seria?

Agora, ao fim dos 300 anos, a figura misteriosa regressa com outro frasco.

— Se quiseres, podes beber novamente — diz. — E viver mais 300 anos, exatamente como estás agora.

Emília olha para o frasco… e decide não beber.

Pergunta para diálogo:
Que motivos encontras para Emília não ter voltado a beber o sumo?
(com os teus amigos encontra 3 motivos diferentes)


3. Pergunta Final

E tu — beberias o sumo da eternidade? Porquê?


4. Objetivos Pedagógicos

  1. Analisar criticamente conceitos complexos (tempo, identidade, felicidade)
    Desenvolver a capacidade de decompor ideias abstratas e identificar pressupostos implícitos nas posições assumidas.
  2. Explorar consequências a longo prazo de decisões
    Exercitar o raciocínio hipotético e contrafactual, avaliando implicações não imediatas das escolhas.
  3. Construir e avaliar argumentos consistentes
    Promover a formulação de razões justificadas, distinguindo entre opiniões intuitivas e argumentos fundamentados.
  4. Desenvolver pensamento metacognitivo
    Levar os alunos a refletirem sobre como estão a pensar (mudanças de posição, dúvidas, critérios usados).
  5. Aprofundar o diálogo filosófico colaborativo
    Trabalhar a escuta ativa, a reformulação de ideias e a construção coletiva de respostas mais robustas.

nota final: Este exercício foi inspirado na abordagem do filósofo britânico Bernard Williams ao problema da imortalidade no seu artigo “The Makropulos Case” publicado em “Problems of the Self” (1973). Neste ensaio Williams argumenta que uma vida sem fim acabaria inevitavelmente por se tornar entediante e desprovida de significado e terá sido por isso que Emilia nao voltou a beber o sumo. De qualquwr forma nós não queremos ensinar aos nossos alunos o argumento de Williams, antes queremos que pensem eles mesmos sobre o problema da imortalidade, como o fez Williams.

A Jangada

Um grupo de jovens está numa jangada a caminho de uma ilha deserta.
Decidiram ir para lá começar uma nova sociedade, tentando torná-la melhor do que as sociedades que existem hoje.

No entanto, durante a viagem perceberam que há um problema:
para que a nova sociedade funcione, têm de retirar um dos direitos que as sociedades atuais costumam ter.

O grupo na jangada tem agora de decidir que direito vai desaparecer.

Ver exercício completo aqui.