Filosofia Crítica

"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.com

FILOSOFIA EM GONDOMAR

BMGMAI

CAFÉ FILOSÓFICO | 21 DE MAIO | 21H30

CICLO DE LEITURAS FILOSÓFICAS | 25 DE MAIO | 21H30

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CAFÉ FILOSÓFICO-COSMOLÓGICO_PLANETÁRIO DO PORTO

Caros Amigos,

esta Quinta-Feira às 21h00 temos mais um CAFÉ FILOSÓFICO COSMOLÓGICO no Planetário do Porto (ao Campo Alegre).

Para os que ainda não conhecem é uma oportunidade de experimentar filosofar pelo cosmos com o novo sistema de projeção do Planetário.

Até lá,

Tomás

FILOSOFIA COM CRIANÇAS_O VÉU DA IGNORÂNCIA

(este exercício foi pensado e aperfeiçoado com a ajuda dos meus alunos dos 2º e 3º ciclos do Colégio Novo da Maia)

O “véu da ignorância” é uma experiência mental desenvolvida pelo Filósofo norte-americano John Rawls no seu livro “Uma Teoria da Justiça” . Segundo Rawls atrás de um “véu de ignorância” seríamos mais capazes de escolher os princípios éticos que deveriam orientar uma sociedade justa.

Mais que introduzir a teoria da justiça de John Rawls (que também poderá ser feito desta forma) o que este exercício pretende fomentar é o uso prático do “véu da ignorância” nas tomadas de decisão e julgamentos éticos dos nossos alunos Acreditamos que esta ferramenta intelectual poderá ajuda-los a tomar decisões mais justas nas suas vidas.

Resumo

Normalmente quando nos é pedido para avaliarmos a justeza de uma acção qualquer é-nos dito que nos devemos descentrar, que devemos procurar o “ponto de vista do outro”. Para Rawls isto não seria suficiente, pois dessa forma estaríamos a pensar e a decidir segundo os interesses do outro. Estaríamos apenas a deslocar o foco do interesse de “Eu” para o “Outro”. De uma posição demasiado egoísta (a minha) passaríamos a uma posição demasiado altruísta (a do outro). Julgo que Rawls defenderia que a posição inicial mais justa seria uma posição de um “lugar nenhum” ou seja, um ponto de vista de ninguém em particular. O ponto de vista da razão.

Mas como conseguir esse ponto de vista de “lugar nenhum”? Não é isso uma posição paradoxal? Não precisamos sempre de assumir um ponto de vista particular para tomar uma decisão?

Segundo Rawls (e aqui se encontra a genialidade da sua proposta) o que devemos fazer quando temos de decidir o que é mais justo não é assumir uma outra posição que não a nossa mas partir da hipótese de que desconhecemos totalmente quem somos, o que fazemos e como somos. Rawls dá o nome de “posição original” a este estado de ignorância total acerca da posição que ocupamos na sociedade. Nessa posição hipotética de total ignorância nós não saberíamos que lugar ocupamos na hierarquia social, a nossa profissão, as nossas características intelectuais, nem os nossos princípios morais. Essa seria, segundo Rawls, a posição que da qual deveríamos partir por forma a fazermos escolhas ao mesmo tempo racionais e justas.

Exercício

Um grupo de alunos está no gabinete do director da escola. Foram apanhados a vandalizar as paredes do recreio. Todos são reincidentes neste tipo de comportamentos. Deves decidir se devem ser castigados e, se sim, que castigo devem sofrer.

1) Dividir a turma em três grupos.

2) Um grupo deve decidir sobre o castigo enquanto directores da escola, o segundo grupo enquanto alunos e o terceiro grupo não sabe se representam o director ou os alunos (mais tarde isso será decidido por moeda ao ar).

3) Cada grupo tem 5 minutos para discutir após os quais deverão reflectir já em grande grupo (turma toda) qual o grupo que tomou a decisão mais justa e qual o grau de justiça de cada um deles.

Se tiverem sorte (como tive numa das minhas turmas) o primeiro grupo (directores) decidirá um castigo muito pesado, o segundo grupo decidirá um castigo muito leve (ou mesmo não castigar) e o terceiro grupo será o mais justo e equilibrado.

Mesmos que os resultados não sejam estes os alunos deverão reflectir sobre as vantagens e desvantagens desta estratégia do “véu da ignorância” quando aplicada às suas vidas.

Algumas perguntas que podem estimular o Diálogo:

– É possível sermos sempre justos?

– A justiça existe?

– O “véu da ignorância” garante-nos decisões justas?

– O que é justo para uns é injusto para outros. Concordas?

O DILEMA DA PROMESSA

À semelhança do dilema anterior (ver O Dilema dos Transplantes) também este poderá ser dividido em duas partes. Neste dilema são postos em confronto, entre outros, os valores da amizade, da verdade e da justiça.

Parte 1

“O teu melhor amigo conta-te que pintou a parede da casa de banho da escola e pede-te para não o denunciares. Depois de te prometer que não volta a fazê-lo prometes “em nome da vossa amizade” que não vais dizer nada a ninguém.

Durante as aulas o director da escola entra na vossa sala e diz que sabe que o culpado é alguém da vossa turma e que se este não confessar todos serão suspensos por três dias.

O teu amigo não se acusa e sabes que todos pagarão injustamente por algo que não fizeram.”

Dilema 1 – Deves quebrar a promessa que fizeste ao teu amigo e denunciá-lo?

Parte 2

“Acabas por cumprir a tua promessa e não denuncias o teu amigo. O castigo acaba por ser suavizado. Ninguém foi suspenso e toda a turma teve de limpar a casa de banho. O teu amigo foi o que menos ajudou na limpeza e ainda se ria dos que se empenhavam em esfregar a parede. Não achaste isso muito correcto mas, ainda assim, continuam os melhores amigos.

Passados uns dias o director volta a entrar na vossa sala. Tinham voltado a pintar a parede. Devia ser a mesma pessoa pois “os desenhos eram parecidos”. No entanto sabes que não foi o teu amigo. Na altura em que pintaram a parede estavas a conversar com ele do outro lado da escola.

Desta vez o director diz que toda a escola (e não só a tua turma) será suspensa por um mês se o culpado não aparecer. Sabes que o teu amigo desta vez está inocente, mas que da primeira vez não chegou a ser castigado. Se o culpares agora poderás poupar toda a escola de uma suspensão colectiva.”

Dilema 2 – Deves denunciar o teu amigo, apesar de, desta vez, não ter sido ele a pintar as paredes?

O DILEMA DOS TRANSPLANTES

Um Dilema Moral apresenta-nos um conflito entre duas normas morais, ou seja, trata-se de um problema em que existem pelo menos duas ou mais linhas de acção possíveis com boas razões morais para fazermos ambas.

Perante um Dilema Moral uma pessoa parece que deve fazer ambas as acções sugeridas e, ao mesmo tempo, não pode fazer ambas as acções tendo e escolher uma em detrimento da outra. Dessa forma, perante um dilema deste género, o agente parece estar condenado a falhar moralmente independentemente do que faça.

Um Dilema Moral não é tanto acerca das acções em si (muitas vezes improváveis ou, mesmo, irrealistas) mas sim acerca dos princípios éticos que regem as nossas acções. Nesse sentido pensar sobre um Dilema Moral como este aqui proposto levará os nossos alunos a reflectir sobre alguns dos nossos princípios éticos mais fundamentais e também sobre a forma como alguns princípios se sobrepõem a outros. Por exemplo, alguns alunos defenderão que o médico deve cumprir o dever ético e profissional de prolongar a vida ao seus pacientes enquanto outros defenderão que a vida de cinco pessoas torna legítimo essa quebra de um dever profissional.

Quando propomos aos nossos alunos a reflexão sobre um dilema é quase certo que alguns tentem “fugir” à situação que lhes colocamos procurando soluções alternativas às duas sugeridas (neste caso, por ex, procurar outros dadores, perguntar ao sexto paciente, etc. Nestes casos devemos pedir-lhes que respeitem o dilema apresentado por forma a isolarmos os elementos conceptuais que nos interessam.

Dividimos este dilema em duas partes cada uma abordando diferentes princípios e valores.

Parte 1

Imagina que és médico e tens cinco pacientes a precisar de transplantes de cinco orgãos (rim, fígado, coração,

pâncreas e pulmão). Se não lhes fizeres esses transplantes eles morrem em 6 meses.

Um outro paciente teu, a quem prestas cuidados paliativos, tem esses cinco órgãos intactos mas irá morrer em 6 meses por outros motivos.

Podes encurtar a sua esperança de vida para uma semana se deixares de lhe prestar os cuidados que necessita. Se o fizeres poderás  transplantar os seus órgãos salvando 5 vidas.

Dilema 1– Deves deixar morrer o 6º paciente para fazer o transplante de órgãos?

 Parte 2
Por motivos que te são alheios o sexto paciente acabou mesmo por morrer.
Estavas prestes a operá-lo para lhe retirar os orgãos para transplante quando descobres no chão a sua carteira onde encontras um “cartão de não dador (por motivos religiosos)”.
Podes esconder a carteira, mais ninguém sabe disto.
Dilema 2 – Deves respeitar o seu desejo feito em vida ou deves ignorá-lo e fazer os transplantes?

LEITURAS FILOSÓFICAS NA FNAC

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Esta quinta-feira (30 de abril) às 22h00 na FNAC-Gaiashopping

O livro que dará o mote ao nosso diálogo será “O Mestre Ignorante” de Jacques Rancière

Entrada Livre.

FILOSOFIA COM CRIANÇAS_MAWASHI

Mawashi é a arte de brincar com uma caneta ou lápis entre os dedos conseguindo truques mais ou menos complexos e difíceis. Como neste vídeo que se segue.

Com este exercício de Filosofia com Crianças que aqui propomos desafiamos os nossos alunos a aprender e a dominar uma técnica muito básica de “mawashi”, rodar a caneta em torno do polegar. O nosso objectivo não é o domínio do exercício em si mas a tomada de consciência pelos alunos daquilo que precisam conseguir para atingirem esse domínio: observação e consciencialização do movimento, conhecimento de características do objecto, tais como peso e ponto de equilíbrio, atenção aos pormenores, controlo motor, partilha de experiências com os pares, tentativa e erro, análise dos vários movimentos dos dedos, automatização desses movimentos, treino e habituação.

Neste pequeno exercício estará condensado todo o processo de ensino aprendizagem e é exactamente sobre isto que queremos que os nossos alunos pensem na segunda parte deste exercício.

Exercício: Mawashi

Parte 1

1) Observação deste vídeo com o movimento em câmara lenta:

2) Os alunos têm cerca de 30 minutos para, em pequenos grupos, procurarem fazer este exercício. Devem observar o vídeo, percebendo os pequenos pormenores do exercício (posição da mão e dos dedos, movimento da caneta, etc.), praticando, autocorrigindo-se e corrigindo os seus colegas.

Parte 2

3) Ao fim do tempo estipulado é altura de aferir os resultados respondendo a três perguntas:

a) O que aprendeste a fazer com este exercício?

Os alunos devem partilhar com a turma o que aprenderam a fazer durante esse tempo. Alguns alunos revelarão ter tomado maior consciência da dificuldade de efectuar pequenos movimentos com os dedos e que, com alguma prática, foram capazes de aumentar o seu domínio sobre esses pequenos movimentos. Outros que foram capazes de controlar o movimento inicial da caneta mas que ainda não conseguem apanhar a caneta no movimento final.

b)  O que este exercício nos diz acerca da relação ensino-aprendizagem?

Alguns alunos revelam ter aprendido mais observando os colegas ou o vídeo, outros reflectindo mais sobre o exercício e isto diz-nos algo sobre a aprendizagem entre pares, por modelação e imitação, e um tipo de aprendizagem mais individual e introspectiva. Este exercício também nos mostra que a aprendizagem tem um efeito cumulativo em que para dominarmos o movimento completo deveremos começar por decompor e dominar pequenas parcelas desse movimento, partindo de uma total consciência e presença de espírito do que estamos a fazer até um automatismo quase inconsciente. É natural que alguns alunos sintam também algum prazer ao passarem a dominar um pouco melhor o exercício e isso diz-nos algo sobre o prazer que sentimos quando dominamos totalmente uma matéria ou um processo.

c) O que este exercício te fez descobrir acerca de ti mesmo?

Neste ponto poderão surgir considerações sobre a paciência (ou falta dela), o interesse ou desinteresse que o exercício suscitou e a sua relação com a  motivação para a aprendizagem. Numa das minhas aulas um aluno normalmente desinteressado mostrou bastante entusiasmo por ter descoberto algo que o agradava e, aparentemente, tinha jeito, rodar a caneta entre os dedos.

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