Emília estava sentada num jardim tranquilo quando uma figura misteriosa aproximou-se dela. Trazia consigo um pequeno frasco com um líquido brilhante.
— Este é o sumo da eternidade — disse a figura. — Se o beberes, manterás exatamente a idade e a saúde que tens agora durante 300 anos. Não envelhecerás, não adoecerás, não perderás as tuas capacidades. Viverás como estás… durante três séculos.
Emília ficou em silêncio. Pensou nas coisas que ainda queria fazer, nas pessoas que amava, nos projetos que ainda não tinha começado. Mas também pensou no que significaria viver tanto tempo… sem mudar.
A figura estendeu-lhe o frasco.
Emília hesitou.
Pergunta para diálogo:
Emília deve beber o sumo da eternidade?
(Tempo para diálogo em grupo e registo da melhor resposta construída coletivamente.)
2. Continuação do Texto
Emília decidiu beber o sumo.
Os anos passaram. Depois décadas. Depois séculos.
Durante 300 anos, Emília viveu com saúde, energia e juventude. Viu cidades mudarem, pessoas nascerem e morrerem, ideias surgirem e desaparecerem. Aprendeu muito, fez muitas coisas — mas, com o tempo, começou a sentir algo estranho. O que seria?
Agora, ao fim dos 300 anos, a figura misteriosa regressa com outro frasco.
— Se quiseres, podes beber novamente — diz. — E viver mais 300 anos, exatamente como estás agora.
Emília olha para o frasco… e decide não beber.
Pergunta para diálogo:
Que motivos encontras para Emília não ter voltado a beber o sumo?
(com os teus amigos encontra 3 motivos diferentes)
3. Pergunta Final
E tu — beberias o sumo da eternidade? Porquê?
4. Objetivos Pedagógicos
- Analisar criticamente conceitos complexos (tempo, identidade, felicidade)
Desenvolver a capacidade de decompor ideias abstratas e identificar pressupostos implícitos nas posições assumidas.
- Explorar consequências a longo prazo de decisões
Exercitar o raciocínio hipotético e contrafactual, avaliando implicações não imediatas das escolhas.
- Construir e avaliar argumentos consistentes
Promover a formulação de razões justificadas, distinguindo entre opiniões intuitivas e argumentos fundamentados.
- Desenvolver pensamento metacognitivo
Levar os alunos a refletirem sobre como estão a pensar (mudanças de posição, dúvidas, critérios usados).
- Aprofundar o diálogo filosófico colaborativo
Trabalhar a escuta ativa, a reformulação de ideias e a construção coletiva de respostas mais robustas.
nota final: Este exercício foi inspirado na abordagem do filósofo britânico Bernard Williams ao problema da imortalidade no seu artigo “The Makropulos Case” publicado em “Problems of the Self” (1973). Neste ensaio Williams argumenta que uma vida sem fim acabaria inevitavelmente por se tornar entediante e desprovida de significado e terá sido por isso que Emilia nao voltou a beber o sumo. De qualquwr forma nós não queremos ensinar aos nossos alunos o argumento de Williams, antes queremos que pensem eles mesmos sobre o problema da imortalidade, como o fez Williams.