FILOSOFIA NO WESTWORLD 2

“talvez a filosofia seja a forma que os nossos programadores encontraram de nos levarem até eles.”

No episódio 6 de “Westworld” Maeve, uma das robôs do parque, visita as instalações onde todo a simulação é preparada. É guiada por um humano que a está a ajudar a perceber que vive numa simulação da realidade e que ela mesma não é um Ser Humano. Maeve é aquilo que os filósofos da mente chamam de zombie filosófico em vias de deixar de o ser.

Esta cena levanta várias questões, entre elas a de se podemos saber se vivemos numa realidade simulada e,  se sim, se queremos saber, como Maeve, ou se preferimos  continuar na ignorância.

Para levarmos os nossos alunos a reflectirem sobre estas questões podemos apresentar-lhes o argumento do filósofo sueco Nick Bostrom, popularizado pelo multimilionário empresário Elon Musk (CEO da Tesla, da SpaceX e muito mais coisas) em vídeos como este

Resumindo e esquematizando Bostrom fala-nos de três cenário possíveis para o futuro da humanidade:

Cenário 1 – A Humanidade extinguir-se-á.

Cenário 2 – A Humanidade não se extinguirá, possuirá tecnologia capaz de simular a realidade mas não a utilizará.

Cenário 3 – Igual ao anterior mas com as pessoas a fazem uso de tecnologia avançadíssima de simulação da realidade que será, então, indistinguível da realidade.

Depois de apresentados estes três cenários pedimos aos alunos que atribuam a cada cenário uma percentagem. Será interessante ver que o próprio Nick Bostrom atribuiu 20% de probabilidades ao cenário 3 e alguns alunos dão a este cenário uma probabilidade bem maior.

Para muitos será uma oportunidade de expressarem e discutirem algo sobre o qual já tinham pensado. Para os lançarmos nessa discussão podemos servir-nos de algumas destas perguntas:

Podemos saber se vivemos num jogo?

Temos a certeza que somos reais?

Poderemos estar a sonhar? E há alguma forma de o saber?

Além de pretextos para um bom diálogo estas perguntas são também uma forma de introduzirmos os nossos alunos a algumas das experiências mentais mais aliciantes da história da filosofia como a Alegoria da Caverna de Platão, ou o Génio Maligno de Descartes (os alunos gostam sempre de sentir quer não estão sozinhos a pensar estas coisas malucas).

E talvez tenham a sorte de algum dos vossos alunos tenha a mesma intuição que um dos meus. Normalmente calado o Francisco percebeu que “talvez a filosofia seja a forma que os nossos programadores encontraram de nos levarem até eles.”

FILOSOFIA NO WESTWORLD 1

A nova série do canal HBO é mais uma daqueles programas que, mas cedo ou mais tarde, aparecerá numa qualquer antologia do género “A filosofia de…”

Westworld é um parque temático onde os figurantes são robôs humanóides, indistinguíveis à primeira vista de seres humanos, que possuem Inteligência Artificial que se aproxima, aos poucos, do limiar da consciência. Não posso avançar mais nada sem estragar a surpresa de quem ficou com vontade de ver a série.

Segundo um “call for abstracts” para uma dessas antologias Westworld aborda problemas que vão da natureza Humana à natureza das máquinas, da consciência à inteligência artificial, do egoísmo, ao masculinismo, dos direitos humanos ao direito das máquinas, da virtude ao pecado, da realidade dos sonhos à realidade da própria realidade, da morte à criação da vida.

E dos poucos episódios que já pude ver já deu para perceber que podíamos fazer todo um curso, ou ano lectivo, apenas em torno de excertos de episódios desta série.

Para a aula de hoje com os meus alunos, dos muitos temas à disposição, resolvi explorar o do “conhecimento de si” começando por lhes mostrar o genérico da série (em cima) depois de uma breve explicação das suas “linhas gerais”.

Em seguida os alunos viram um pequeno excerto do segundo episódio (em baixo) em que dois convidados recém-chegados ao parque nos dizem que a experiência que se preparam para viver é bem mais que uma simples viagem de lazer, mas uma verdadeira exploração do “eu”, uma viagem de auto-conhecimento, uma aproximação aos limites de cada um. “This place makes you discover who you really are.”

Depois de verem este excerto as duas perguntas em baixo permitem colocar o diálogo no plano puramente filosófico.

 

1- Sabemos quem realmente somos?

2 – Queremos saber quem realmente somos?

 

 

 

 

 

A INVENÇÃO DO AMOR

Uma animação de Andrey Shushkov sobre uma “história de amor do mundo das porcas e dos parafusos” que pode levantar interessantes questões sobre a tensão natureza/civilização, a poluição, o materialismo e a nossa relação com as coisas, a inteligência e a identidade das máquinas, etc.

Esta sessão começa por pedir aos nossos alunos um exercício de interpretação e síntese do filme (perguntas 1, 2 e 3) em jeito de preparação para depois os lançarmos em plena discussão filosófica com mas perguntas 4 e 5.

  1. Resume o filme em 3 frases.
  2. Qual o tema do filme (1 palavra)?
  3. Por quê o título “A invenção do amor?”

Tendo em conta as respostas que os alunos nos derem poderemos propor diferentes perguntas para o diálogo. Numa aula com alunos do 1º ano (6, 7 anos) os temas que mais surgiram foram o “amor” e as “máquinas” e, tendo em conta esses temas, coloquei-lhes as seguintes perguntas.

  1. Podemos amar uma máquina?
  2. Uma máquina pode amar?