Justiça e Igualdade

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Os excelentes jogos do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino levantaram bastantes discussões sobre a desigualdade de atenção que este desporto recebe por parte dos meios de comunicação social e do público em geral em relação ao futebol masculino. Noutros desportos, como o ténis e o atletismo essa desigualdade é menor e tende a diminuir. Apesar de cada vez mais raparigas jogarem futebol quer por diversão quer competitivamente a verdade é que este continua a ser um desporto maioritariamente praticado por rapazes, pelo que é normal numa turma os melhores jogadores serem rapazes. Ao formarmos uma equipa de rapazes contra uma equipa de raparigas podemos criar a possibilidade de uma interessante discussão sobre justiça, igualdade de género, igualdade de oportunidades, etc.

Importante: não é o objectivo deste exercício passar uma qualquer ideia que tenhamos acerca de igualdade de género, justiça social ou o que seja. Como em todos os outros Filojogos o nosso objectivo é provocar diálogos e conversas interessantes sobre estes temas.

1 – Dividimos as equipas por género: rapazes contra raparigas.

2 – Deixamos que o jogo se desenrole normalmente até que o resultado seja um pouco desnivelado (diferença de 3 golos, por exemplo).

3 – Paramos o jogo e estipulamos que para o jogo ficar mais equilibrado a partir de agora os rapazes devem jogar com o tornozelo amarrado ao de um colega. As raparigas jogam livres.

4 – Deixar jogar mais uns minutos e terminar a partida.

5 – Pequena pausa para os jogadores retomarem o fôlego seguida de diálogo filosófico a partir da pergunta: Foi um jogo justo?

Notas:

  • se decidirmos realizar outros jogos onde haja uma vantagem clara das raparigas (até certas idades acontece bastante no basquetebol, no andebol e no voleibol, ou em jogos de força bruta como o jogo da corda) arranjamos um qualquer tipo de limitação para os rapazes.
  • também podemos esquecer a separação por géneros e simplesmente encontrar uma equipa A e uma equipa B com os melhores jogadores na primeira e depois equilibrar o jogo com uma limitação qualquer para a equipa B.
  • o tipo de limitação também pode ser discutido: física?; regras?; handicape (em que uma equipa parte com uma vantagem ou desvantagem de pontos)?; etc.

6 – Uma série de perguntas podem surgir desta situação inicial e o professor deverá estar atento para quando estas surgirem, caso contrário poderá colocá-las estrategicamente durante o diálogo:

  • Para haver justiça tem de haver igualdade?
  • É injusto que uma equipa seja mais forte que as outras?
  • Somos todos iguais?
  • Devemos favorecer a igualdade ou a desigualdade (no desporto; na vida)
  • O que há de bom na igualdade?
  • O que há de bom na desigualdade?

 

Mais jogos para pensar em Filojogos.

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Futebol Vendado

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Este é uma conhecida adaptação do jogo mais famoso do mundo que incentiva a colaboração, a escuta e a comunicação. Com algumas adaptações no final pode dar lugar a uma interessante discussão sobre justiça, recompensas e motivação.

1 – Equipas com igual número de jogadores  para cada lado num campo com os limites de um campo de futebol, mas mais pequeno (balizas também mais pequenas para que não seja preciso guarda redes).

2 – Todos os jogadores devem estar vendados. Cada jogador tem um auxiliar que vê e lhe comunica o que deve fazer durante o jogo.

3 – A equipa que marcar mais golos vence.

Agora uns twists finais que nos podem levar a interessantes discussões:

Dizemos que temos prémios para os vencedores e vencidos (bolachas de chocolate e bolachas “Maria” costuma ser o mais fácil) mas todos devem decidir qual o prémio mais justo:

a) igual para todos

b) melhor para os vencedores, pior para os vencidos

c) melhor para os vencidos, pior para os vencedores

Para evitar que os alunos defendam os seus próprios interesses, enquanto membros da equipa vencedora ou vencida, podemos formar grupos de investigação que devem procurar razões para defender cada um dos pontos. Só no fim de se apresentarem e discutires essas razões poderemos decidir por votação como serão distribuídos os prémios.

 

 

 

 

 

 

PENSAR O IMPENSÁVEL

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Um exercício que me foi ensinado por Óscar Brenifier que tem inúmeras variações dependendo do que pretendemos trabalhar com os nossos alunos. Aqui apresentarei a versão mais simples que tem por objectivo simplesmente suscitar vários diálogos interessantes entre os nossos alunos e, sobretudo, fazer com que pensem e se questionem acerca do que de normalmente é considerado óbvio e inquestionável.

0 – Como preparação do exercício podemos perguntar aos alunos o que é isto de “pensar o impensável”. Podemos escrever no quadro as palavras-chave das respostas dos alunos: impossível; anti-social; ilógico; inaceitável, estúpido, são algumas das respostas mais comuns.

1 – Cada aluno escreve numa folha uma frase que considere uma verdade absoluta, i.e., algo que de forma alguma pode ser falso.

2 – O passo seguinte é cada aluno ler a sua “verdade” e ouvir com atenção as dos seus amigos tentando identificar alguma que não seja uma “verdade absoluta”.

3 – Perguntamos “quem ouviu uma frase que não seja uma verdade absoluta”? Ouvimos a crítica e abrimos o diálogo ao grupo sobre se é ou não uma “verdade absoluta”, i.e., se é ou não possível que seja falso o que o aluno escreveu.

4 – Neste processo de diálogo o professor deverá estar atento a qualquer “pista filosófica” (como frases, ideias, exemplos, perguntas, etc.) que podem ajudar a aprofundar ainda mais o diálogo.

 

 

 

UMA IDEIA A MAIS

Tive recentemente a oportunidade de fazer filosofia num Pub na cidade inglesa de Sheffield. Este exercício foi inspirado no proposto para o evento pela nossa moderadora Rosie Carnall e tem como objectivo escolher uma ideia filosófica para ser discutida pelo grupo, assim como uma pergunta sobre essa mesma ideia.

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Parte I

1 – Pedimos aos alunos que dividam uma folha A4 em três partes iguais e que em cada parte escrevam uma ideia (palavra) que considerem interessante e gostariam de ver discutida pelo grupo. A ideia deverá ser um conceito abstracto pelo que os alunos mais novos poderão precisar de alguma ajuda aqui. (ex: Vida, Amor, Amizade, União, etc.)

2 – Cada aluno deverá dar as suas três palavras (três pedaços de folha) a um colega e dele receberá outros três pedaços com três palavras.

3 – Um aluno deverá começar por referir uma palavra que agora tem na sua mão e ache interessante, devendo explicar por quê. Em seguida outro aluno qualquer deverá mostrar uma palavra que tem na mão e que, de alguma forma, se relaciona com a palavra anterior. Assim sucessivamente até todos os alunos “gastarem” as suas palavras. Não há problema se algumas palavras estiverem repetidas, os alunos deverão tentar “encaixá-las” quando encontrarem uma qualquer ligação que faça sentido para eles.

Parte II

1 – Depois de “bem aquecidos” juntamos os alunos em grupos de três ou 5 alunos (deverá ser um nr. ímpar de alunos pelos motivos que já perceberão a seguir)

2 – Cada grupo terá agora 9 ou 15 ideias/conceitos (três por aluno) e o grupo deverá encontrar 4 (grupo de três alunos) ou 7 (grupo de 5) pares de conceitos. Cada par deverá ter conceitos de alguma forma semelhantes (ex: amor e amizade são sentimentos positivos; beleza e saúde são coisas que apreciamos; etc.)

3 – Depois de criados os pares (e termos trabalhado um pouco mais o cérebro) sobrará um papel/ideia. Essa é a “ideia a mais”.

4 – Agora cada grupo deverá fazer uma pergunta sobre essa “ideia a mais”. Ex: imaginemos que a “ideia a mais” era MEDO – Por que é que o medo existe?; é sempre mau ter medo?; etc.

5 – As perguntas de cada grupo são apresentadas aos restantes grupos (oralmente, afixadas numa parede ou escritas no quadro) e todos votam na que acham mais interessante – com alunos mais imaturos é melhor estipular a regra que não podemos votar na pergunta do nosso grupo.

6 –Et voilá, já temos uma pergunta filosófica (normalmente estes processos ajudam a destilar e encontrar boas perguntas filosóficas) que o grupo todo pode usar num diálogo filosófico. Nesta sessão, se tivermos tempo, ou na seguinte.

 

 

 

Agrupar

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Um importante “movimento de pensamento” é o de agrupar ideias, organizá-las em classes, categorias, ordená-las numa hierarquia, etc. Este exercício a partir do livro “Antes e Depois”  convida os nossos alunos a encontrarem “palavras-chave”, i.e. os conceitos essenciais de algo (uma imagem, neste caso), ou a ideia que une duas ideias ou imagens diferentes. Por exemplo, o conceito de “construção” pode unir (sintetizar) uma imagem de prédios em obras e outra de prédios já habitados. Os alunos poderão sugerir vários conceitos diferentes que captem qualidades essenciais diferentes nas imagens, diferentes pontos de vista, etc.

Depois de termos uma lista de vários conceitos (ex. construção, nascimentos, morte, transformação, destruição, ligação, etc.) pedimos aos alunos que os agrupem (i.e. que os juntem em grupos ou classes de conceitos) ou que os ordenem i.e. que os hierarquizem de alguma forma) como entenderem. Os alunos terão é de ser capazes de justificar esses grupos ou essa ordem que poderá ser temporal, de causalidade, de importância, de beleza, de tamanho, de utilidade, etc.

Conectar Palavras

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Cada aluno escreve uma palavra numa folha e não mostra a ninguém. Começamos por pedir a um dos alunos que revele a sua palavra e escrevemos no quadro. Depois pedimos a um segundo aluno que diga a sua palavra que escrevemos no quadro à frente da anterior. Agora dizemos à turma que o objetivo do jogo é que todos os alunos consigam dizer as suas palavras mas que para ouvirmos outra palavra temos de encontrar uma ligação qualquer entre as duas primeiras. Imaginemos que as duas primeiras palavras eram “faca” e “prato”. Uma ligação entre as duas seria algo como “ambas são utilizados para comer. Se aceitarmos essa semelhança outro aluno avança com uma terceira palavra. Por exemplo, “relógio”. Agora a turma teria de encontrar uma semelhança entre a segunda e a terceira palavra da lista (ex. “ambos normalmente são redondos”) e assim sucessivamente para cada nova palavra que terá de ter uma semelhança com a anterior. À medida que vão sugerindo novas palavras os critérios de semelhança não poderão ser repetidos. Assim, não poderíamos usar mais o critério de “forma” ou de “utilização”.

Outra variante deste jogo é usar diferentes tipos de palavras (verbos, adjetivos, sentimentos, etc.

Linha do Tempo

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“Timeline” é um divertido jogo ideal para jogar com os amigos a seguir ao jantar. Mas com algumas adaptações podemos usar também em sala de aula com os nossos alunos.

Ao contrário do que parece não é tanto um jogo de memória e conhecimento de datas históricas mas mais de pensamento lógico e procura de ligações que façam sentido (ex. a bicicleta deve ter sido inventada antes da mota; a escrita veio antes da invenção do papel pois já se escrevia noutros materiais; a escova de dentes terá sido inventada antes ou depois da pasta de dentes?; etc.  Este é um jogo muito divertido que dará imensas oportunidades de discussão aos nossos alunos. É muito fácil de aprender e neste link pode encontrar uma breve descrição.

Podemos escolher jogar segundo as regras do jogo, formando 4 ou 5 equipas com um número ímpar de jogadores (3, 5 ou 7). Cada equipa será um jogador e a decisão sobre que cartas jogar terá de ser tomada democraticamente entre os membros da equipa, daí a necessidade de um número ímpar para evitar empates (mas se uma das equipas tiver de ficar com um número par de jogadores não há problema e os próprios alunos terão de decidir como resolver os empates.

A forma como podemos adaptar este jogo para a sala de aula é também muito fácil. Colamos com bostik uma das cartas no quadro com a data à vista e depois vamos mostrando uma carta de cada vez aos nossos alunos. Entre eles e respeitando as regras do diálogo terão de colocar a carta no local correcto da linha temporal.