O Grupo com mais Grupos

Desde muito tenra idade que somos capazes de agrupar coisas, ideias e eventos. Identificar alguma coisa é encaixá-la numa conjunto de coisas semelhantes e essa nossa capacidade envolve tanto de pensamento crítico (comparação, distinção, memória, etc.) quanto de criativo (imaginação, variação de pontos de vista, etc.).

Este exercício lança os nossos alunos numa corrida desenfreada para encontrarem/criarem o maior número de conjuntos que forem capazes.

1 – Cada aluno escreve o nome de um objecto no caderno. A lista de todos os objectos (um por aluno) é escrita no quadro à vista de todos.

2 – Em grupos de 4/5 os alunos devem tentar formar grupos de três objectos e nomear o grupo. Ex. Banana, Limão, Maçã (grupo das frutas); Carro, Avião, Comboio (meios de transporte); Leão, Cão, Sabão (grupo de palavras terminadas em “ão”).

3 – Além do prémio para o maior número de grupos podemos fazer com os alunos uma votação final para o “grupo mais criativo”, o que levará os alunos a exercitar outros Movimentos de Pensamento como o “ordenar” e “encontrar critérios”.

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A queda de Ícaro

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Um dos episódios mais conhecidos da mitologia ocidental, a queda de Ícaro, tem uma lição moral muito cara aos gregos antigos: o ser humano tem tendência ao vício da húbris, do excesso. O pai de Ícaro, o engenhoso Dédalo, arquitecto do labirinto do Minotauro, tentava fugir da sua própria prisão para onde foi enviado pelo rei Minos. O plano era fugir a voar dali para fora com Ícaro. Dédalo bem avisou o seu filho para não voar nem alto demais, que o sol queimaria a cera que une as penas das suas asas fabricadas, nem baixo demais, pois o ar húmido do mar encharcaria as asas tornando-as pesadas demais para voar. O jovem Ícaro disse que sim, mas mal se viu a voar não resistiu a tentar a sua sorte, voar alto até junto do sol e cair no mar que ainda hoje lhe toma o nome, o mar icário.

Antes de contarmos o final de Ícaro podemos perguntar aos nossos alunos:

– O que acham que acontecerá? Ícaro vai obedecer ao seu pai?

E depois de saberem o final de Ícaro:

– Ícaro fez bem em desobedecer ao seu pai?

Em princípio a maioria dos alunos, conhecendo o final de Ícaro responderá que não, mas deixemo-los conversar um pouco acerca dos aspectos positivos e negativos da obediência:

– Os filhos devem sempre obedecer aos pais?

– O que há de bom/mau em obedecer aos pais?

– Ícaro morreu livre?

– O que ganhamos em arriscar?

Depois destas perguntas os alunos estarão prontos para responder à pergunta anterior de forma mais ponderada:

– Ícaro fez bem em desobedecer ao seu pai?

Vai ver que alguns alunos terão agora mudado de ideias e elogiam a coragem e arrojo de Ícaro. Uma pergunta mais geral pode ajudar os alunos a “ver ainda mais longe”:

  • A humanidade devia ser mais como Dédalo ou mais como Ícaro?

 

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Nosedive

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Um dos meus episódios favoritos de Black Mirror, a série da Netflix que aborda questões da nossa relação problemática com a tecnologia. Lacy Pound é uma mulher jovem e bem sucedida, perfeitamente conformada e enquadrada na sociedade ligada em rede em que vive, até que… algo que a tecnologia não controla totalmente (as relações entre as pessoas) começam a desmoronar-se à sua volta. Aqui temos um pequeno trailer para apresentar aos nossos alunos. Muitas turma estarão à vontade para colocar interesantes perguntas apenas a partir deste pequeno vídeo, mas podemos querer colocar nós algumas questões:
-De que achas que trata este episódio?

-Achas possível isto vir a acontecer?

-De que forma já está a acontecer?

Por esta altura podemos falar aos nossos alunos do recém criado sistema de créditos sociais na China, uma experiência social que tem como objectivo que os cidadãos se controlem mutuamente.

-Concordas com este sistema?

Nesta altura podemos fazer uma pequena pausa para pensar (PPPP) e pedir aos alunos que registem no seu “caderno da filosofia” as ideias que acharam mais interessantes/importantes encontradas até agora. Podemos também perguntar se alguém mudou de opinião até agora e porquê. Esta é uma boa forma de mostrarmos aos nossos alunos que estamos num diálogo para aprender com os outros e não para vender as nossas ideias ou vencer debates.

Para finalizar podemos fazer um trabalho em grupo onde os alunos deverão encontrar 5 semelhanças e 5 diferenças entre o episódio “Nosedive” e o “sistema de créditos sociais”. Desta forma estamos a trabalhar duas competências de Pensamento Crítico essenciais: a comparar e contrastar.

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O Homem em Queda

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Esta é uma das imagens mais fortes do sec. XXI. Jonathan Briley trabalhava no último andar de uma das torres atacadas por terroristas ao comando de aviões a 9 de setembro de 2001. O que vemos é o seu corpo em queda depois de se ter atirado para a morte para evitar as chamas. Algumas perguntas para provocar diálogo com os nossos alunos:

  • Tratou-se de suicídio ou homicídio?
  • Foi um acto de coragem ou cobardia?
  • Foi livre para se atirar?

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Infinitamente pequeno

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O infinitamente grande e o infinitamente pequeno sempre nos fascinaram. Já conhecíamos o clássico filme “Powers of Ten“, escrito e realizado por Charles and Ray Eames  em 1977, que nos leva numa incrível viagem até ao fim do macrocosmo conhecido e de volta à terra até aos limites do microcosmos conhecido até então.

Agora, 42 anos depois, a ciência evoluiu muito. Somos capazes de ver mais longe e mais profundo. A tecnologia cinematográfica também evoluiu e permite-nos imaginar e mostrar aquilo que sabemos que existe mas não conseguimos ver. Se o filme de Charles e Ray Eames nos fazia “Zoom In” a uma escala de 10-16 metros para “dentro” de uma toalha de piquenique, este novo filme do brasileiro Pedro Machado leva-nos até às profundezas quânticas de 10-33 metros  para “dentro” da ponta de uma caneta.  Ver vídeo aqui.

Pode ser interessante mostrar-mos os dois filmes pois poderá levar a algumas questões acerca dos limites e alcance do nosso conhecimento e o conhecimento das máquinas: “Se em 40 anos sabemos tudo isto mais o que saberemos daqui a 40 anos?”, “O que podemos saber tem limites?”, “Os computadores poderão vir a saber mais que nós?”, “Os computadores sabem coisas?”

A sessão ideal aqui é deixar as crianças maravilharem-se com estas imagens e, depois, formularem algumas questões que as suas mentes perplexas seguramente deitarão cá para fora. O diálogo que se seguirá é por sua conta e risco.

Algumas dessas questões com alunos do 6° e 7° anos:

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Ou ainda duas outras questões, de um aluno e uma aluna  do 9° ano. A primeira é uma das questões metafisicamente mais desafiante que já encontrei. Uma pergunta acerca dos vários níveis de realidade e da realidade desses níveis:

– Nós estamos na origem disto tudo, ou há outra origem?

Na discussão que se seguiu percebemos que por o”disto tudo”o aluno queria perguntar algo como “nós somos o grau zero da realidade? Ou há um grau que seja mais real que o nosso?”

Estimulada por esta pergunta do Tomás, a Carolina quis aprofundar a questão da nossa identidade, se

“Quando descemos mais para dentro da realidade, para os átomos e quarks, continuamos a ser nós?”

É por poder fazer isto que sinto não trabalho um único dia da minha vida.

 

 

Dominó para a Frente

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Ao contrário de numa explicação, em que “pensamos para trás” à procura de alguma coisa que explique um determinado fenómeno, quando queremos prever as consequências de algo somos levados a pensar para a frente. Não no que foi, mas no que será, no que poderá ser. Estamos no campo da fabricação de hipóteses, da formulação de ideias. Se “para trás” usamos a memória e a capacidade dedutiva, quando pensamos “para a frente” usamos mais a imaginação e a nossa capacidade indutiva. Estas nossas hipóteses podem ser mais ou menos imaginativas, mais ou menos sérias, mais ou menos prováveis. De qualquer forma, ao fabricarmos uma hipótese estamos a usar um movimento de pensamento diferente de quando tentamos explicar algo. Noutro jogo fizemos os “dominós cairem para trás” para mostrar aos nossos alunos os efeitos passados das explicações causais. Agora faremos os “dominós cairem para a frente” para que percebam os efeitos futuros de uma determinada acção, as suas consequências.

Uma peça de dominó será colocada na mesa representando um determinado evento. “A Joana atravessou a rua sem olhar para o lado.”. E a partir daqui cada grupo colocará uma peça na mesa em troca de uma hipótese, previsão ou acontecimento futuro que esta acção da Joana poderia causar. Por exemplo, “e a camioneta carregada de rebuçados do senhor Joaquim teve de se desviar bruscamente desequilibrando a carga.” A próxima equipa tentará dar continuidade à história dando asas à imaginação e criatividade. No final os alunos deverão re-contar a cadeia de eventos da história que fabricaram em conjunto.

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Dominós para Trás

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“As explicações ajudam-nos a compreender o mundo – como as coisas se relacionam e como funcionam. A capacidade de explicar marca a diferença entre compreender uma coisa “pela rama” e compreendê-la “a fundo”, i.e., compreender o seu significado profundo.”

É desta forma que Roger Sutcliffe explica a importância deste movimento de pensamento fundamental, a Explicação. Um dominó em fila é uma muito boa analogia para a forma como funcionam as explicações causais. Começamos com um qualquer evento a ser explicado, algo como “o mar está cheio de plástico”. Esse será o primeiro e último dominó da fila. O primeiro a ser colocado e o último a cair. Atrás desse dominós deverá ser colocado outro, mas apenas quando um aluno (ou grupo de alunos) apresentar uma explicação causal que faça sentido, i.e. que possa explicar o fenómeno do plástico nos oceanos. Por exemplo, “porque poucas pessoas reciclam o seu lixo”. O dominó seguinte deverá ser colocado pelo aluno/grupo seguinte após ser apresentada uma nova explicação causal para a explicação anterior. “”Poucas pessoas reciclam o lixo pois são preguiçosas”. E por aí adiante.

Uma forma de criar um elemento de competição e disputa é dividir a turma em grupos e entregar 5 ou 6 peças de dominó a cada grupo. O primeiro grupo a colocar todas as peças na fila de dominós tem o direito a tentar reconstituir toda a cadeia causal. Se, e só se, o conseguir tem o direito a dar um piparote na primeira peça que desencadeará a queda de todas as restantes peças da fila. Desta forma, além de nos divertirmos, queremos mostrar aos nossos alunos o poder das explicações causais e os efeitos, em cadeia, que uns fenómenos têm sobre os outros.

Ver também “Efeito Borboleta”.

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