CAFÉ FILOSÓFICO COSMOLÓGICO

Não perca esta sessão por nada neste Universo!

Um Café Filosófico é um espaço de diálogo e reflexão sobre temas do universo da filosofia. O âmbito de um Café Filosófico não é o de uma palestra ou sala de aula, não se procura transmitir ou avaliar conhecimentos adquiridos mas, antes, reflectir em Diálogo com os outros participantes sobre os temas e problemas que vão surgindo durante a sessão.

Neste Café [Filosófico] Cosmológico no Planetário do Porto procuraremos levar a cabo um exercício filosófico particular, onde as intervenções dos participantes serão enquadradas num imponente e novo cenário “cósmico” da cúpula do Planetário.

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EGOÍSTA OU INVEJOSO?

croc

A distinção conceptual é uma das ferramentas mais importantes e utilizadas da Caixa de Ferramentas do Filósofo. Neste exercício, após lermos as primeiras páginas do livro, quando o crocodilo afugenta todos os outros animais da floresta do “seu” rio, aproveitamos o facto de o livro ser em inglês para perguntarmos:

1 – O que quer dizer “selfish”?

(no caso de os nossos alunos saberem inglês simplesmente escondemos o título)

Seguramente que as palavras “invejoso” e “egoísta” aparecerão no cimo de qualquer lista e nessa altura aproveitamos para perguntar:

2 – O crocodilo foi Egoísta ou Invejoso?

Usaremos esta formulação para levar os nossos alunos a reflectirem sobre uma mais abstracta, e que introduziremos quase sem que percebam durante o diálogo:

3 – Qual a diferença entre a inveja e o egoísmo?

Para comparar e contrastar estes dois conceitos (ou seja, encontrar as suas semelhanças e diferenças) devemos incentivar os nossos alunos a avançarem exemplos (casos de “X”), contra-exemplos (casos que refutem que “Y” seja “X”) e “não exemplos” (casos claros de “não X”) para delimitarem os limites conceptuais destas duas palavras. Também deveremos estar atento aos alunos que avancem condições necessárias e (mais difícil) suficientes para a “inveja” e o “egoísmo”. Quando isso acontecer devemos sublinhar e chamar a atenção para a “ferramenta cognitiva” que utilizaram: “bom exemplo”, “consegues dar um contra-exemplo?”, “isso é preciso/necessário para haver inveja”, “isso basta para que alguém seja egoísta?”, etc. para que os alunos saibam o que estão a fazer e se habituem a utilizar os termos certos enquanto o fazem. Isto torna a utilização destas “palavras para pensar” mais conscientes e certeiras.
Muitos alunos assegurarão inicialmente que estas duas palavras “são sinónimas” mas aí poderemos dizer que desconfiamos que se existem duas palavras diferentes então devem querer dizer coisas diferentes, “mesmo que só um bocadinho diferentes”.

Como poderão reparar ao lerem esta história existem bastantes mais temas que poderemos explorar com os nossos alunos como a “mudança de atitude e de carácter”, a “coragem”, o “altruísmo”, etc.
Nesse sentido sugiro que numa segunda sessão, depois de termos estabelecido o significado de “selfish”, deixemos os alunos fazerem uma ronda de perguntas acerca da história “à la Lipman” seguindo em seguida as suas tentativas de lhes responder em comunidade de investigação.

“The selfish crocodile”, de Faustin Charles e Michael Terry

Na cidade do Porto pode requisitar este livro na BMAG, ou encomendá-lo na Livraria Flâneur.

QUE FUTURO?

Chegados a este ponto da evolução tecnológica será que estamos a perder algo importante daquilo que nos trouxe até aqui? Da nossa humanidade? Será que devemos continuar este nosso caminho de domínio sobre o planeta e o cosmos? Ou, pelo contrário, devemos “arrepiar caminho” e voltar um pouco atrás, até à nossa essência? Se sim, onde está essa essência?

Para levar os nosso alunos a pensarem sobre estas e outras questões de carácter, ao mesmo tempo, especulativo e ético podemos começar por lhes mostrar um breve trailer do mais recente documentário da National Geographic, “Origins: the jorney of humankind” (e com isto incentivá-los a vê-lo) e depois lançar-lhes os seguintes desafios:

Desafio 1: Em grupos de 4 a 5 alunos imaginem e discutam como será a humanidade daqui a 300 anos (sec.XXIV) e indiquem 5 coisas positivas e 5 coisas negativas dessa evolução.

Desafio 2: Encontrem uma consequência para cada um desses aspectos positivos e negativos.

Por ex: “No sec. XXIV as máquinas farão o trabalho das pessoas. Consequência: Teremos de arranjar maneira de ocupar milhões de pessoas sem emprego e sem nada para fazer.”

Desafio 3: Imaginas que tens uma alavanca com três posições (frente, meio e trás) representando a evolução tecnológica (frente), a estagnação tecnológica (meio) e o retrocesso tecnológico (trás).

Se pudessem escolher qual destas direcções dar à próxima jornada da Humanidade o que escolheriam?

 

 

O MUNDO AO CONTRÁRIO

daft bat

Não terá sido bem nisto que Thomas Nagel pensou quando perguntou “como seria ser um morcego”?, mas este pequeno livro pode levar os nossos alunos tentarem ver o mundo como um morcego e, dessa forma, talvez perceberem que existem vários pontos de vista sobre o mundo e, provavelmente, nenhum estará mais certo que o outro. E isto, sair do seu ponto de vista único e tentar compreender o mundo como os outros o compreendem, é um passo fundamental para nos tornarmos melhores filósofos e, já agora, melhores pessoas.

Resumo da história: um morcego recém chegado à floresta vê o mundo de forma diferente dos outros habitantes que, por isso mesmo o acham estranho e um pouco tolo (“daft”). Só quando tentam ver o mundo como o morcego (de pernas para o ar) é que finalmente percebem que eles é que estavam a ser “tolos” e que a mesma realidade pode ser vista de muitos pontos diferentes.

Uma boa pergunta para iniciar um debate sobre estes temas é a seguinte:

  • Quem vê o mundo de forma correcta? Nós ou os morcegos?

Outras perguntas subsidiárias desta podem ser:

  • Se perguntássemos a um morcego quem vê bem o mundo o que ele responderia?
  • Quem decide qual a forma correcta de ver o mundo?
  • O mundo tem cima e baixo? (esquerda e direita, etc.)
  • Há alguma coisa que esteja mesmo “ao contrário”?

No Porto este livro encontra-se disponível para requisitar na Biblioteca Almeida Garrett (apenas em inglês)

UM BOM ARGUMENTO?

fire

Nas aulas de lógica ensinam-nos que um argumento com esta forma é uma falácia da afirmação da consequente:

Se A então B

B

Logo A

E dão-nos exemplos como este para a ilustrar:

Se chover fico molhado.

Estou molhado.

Logo choveu.

Ensinam-nos que um argumento desse tipo é um mau argumento.

Mas que dizer deste argumento com a mesma forma lógica?

Se a casa arder fica reduzida a cinzas.
A casa ficou reduzida a cinzas.
Como tal a casa ardeu.

É um mau argumento?

É um bom argumento?

INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO CRÍTICO

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Oficina de Introdução ao Pensamento Crítico – Pensar como um Filósofo

2,3 e 5 de maio

O Pensamento Crítico é uma disciplina que pretende desenvolver a nossa capacidade para compreender, avaliar e formular raciocínios e argumentos.

Neste curso iremos apresentar (teoria) e exercitar (prática) as ferramentas cognitivas básicas de um pensador crítico assim como as competências sociais e as virtudes intelectuais que nos permitem tomar decisões e formar crenças com base em juízos bem informados e fundamentados.

Estrutura do Curso

1ª Sessão (2 de maio)

A natureza do pensamento crítico

Análise crítica de raciocínios e argumentos

definição de argumento; premissas e conclusões; argumentos indutivos e dedutivos; pressupostos valorativos e factuais; mapas de argumentos

2ª Sessão (3 de maio)

Avaliação crítica de raciocínios e argumentos

reconhecimento de falácias; exemplos e contra-exemplos; definições; condições necessárias e suficientes; erros comuns em definições; a questão da verdade e da validade de premissas e argumentos; diferentes formas de refutar um argumento

3ª Sessão (5 de maio)

Virtudes intelectuais e competências sociais de Pensamento Crítico

hábitos e comportamentos propiciadores de Pensamento Crítico; vícios cognitivos comuns; o Diálogo como estratégia de superação desses vícios cognitivos

Formador: Tomás Magalhães Carneiro

Professor de Filosofia com Crianças no Colégio Novo da Maia

Fundador do Clube Filosófico do Porto

Formador na área da Filosofia Prática e do Pensamento Crítico

Página Pessoal: https://filosofiacritica.wordpress.com/

Mail: clubefilosoficodoporto@gmail.com

Local: Reitoria da Universidade do Porto

Inscrições: cultura@reit.up.pt

Datas: 2,3 e 5 de maio de 2017

Horários: 19h00 – 21h00

Valor: 80€

EL TRASERO DEL REY

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Ou “O Rabo do Rei” (como queiram) é uma divertida história escrita por Raquel Saiz e ilustrada por Evelyn Daviddi, que fará os nossos alunos rir às gargalhadas e pensar sobre a importância (ou não) de certas pessoas.

Para despertarmos os alunos no início desta sessão sugiro começarmos por um exercício de diálogo ao mesmo tempo rápido e movimentado, antes de passarmos à história e ao diálogo sobre a importância propriamente ditos.

  1. Dividir a sala em três espaços: direita centro e esquerda (ou amarelo, verde e azul, ou qualquer outra classificação que a sala permitir)
  2. Os alunos escolhem um dos três espaços de acordo com a resposta que derem aos seguintes dilemas. Uma das zonas está reservada para uma das respostas do dilema, outra para outra e o centro (ou o azul, etc.) para os indecisos ou os que não tiverem uma resposta.
  3. Utilizando elementos cénicos da história perguntamos qual deles é mais importante? Uma coroa ou uma alface? Um alfinete ou um garfo? Meias ou sapatos? Colchão ou Cama? Uma galinha ou um ovo?
  4. Os alunos vão para o lado da sala que estiver destinado à sua resposta e dão uma razão para a sua escolha. A zona do meio fica para aqueles que estiverem indecisos ou para os que tiverem ido para um dos lados apenas porque os seus amigos foram e sem terem uma razão para defender a sua escolha.

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Após este exercício lemos a história aos nossos alunos e, no final, colocamos as seguintes perguntas (usamos aqui os três tipos de perguntas sugerida por  Thomas Wartenberg: perguntas de interpretação, especulação e reflexão)

  1. O que é que o rei pôs na cabeça? (é sempre bom começarmos os nossos diálogos por uma pergunta de interpretação para chamar os alunos mais distraídos ou aqueles mais inseguros a participar).
  2. Por que é que os reis usam coroas? (alguns alunos já saberão que os reis usam coroa, mas não saberão porquê, pelo que esta é uma boa oportunidade para especularem sobre as causas desse hábito)
  3. Por que é que ninguém queria tocar no rabo do rei? (novamente uma pergunta de especulação que poderá lançar os alunos numa exploração das motivações e receios da psique humana)
  4. O rei é mais importante que as outras pessoas? (esta é uma boa pergunta de reflexão fechada – pede resposta “sim” ou “não” para iniciarmos uma reflexão sobre o conceito de “importância”)
  5. Esta poderá ser a última pergunta do nosso diálogo mas, consoante o nosso tempo e a maturidade do nosso grupo poderá ainda haver espaço para outras tais como: “O que faz com que uma pessoa seja importante?” ou “O que é ser importante?”
  6. Para uma sessão de continuidade podemos inventar uma história de um “rei muito importante. Tão importante, tão importante que não queria viver com alguém menos importante que ele. Assim, expulsou toda a gente do seu reino (uma ilha) e ficou a viver sozinho no seu palácio até ao fim dos seus dias. Na hora da sua morte pensou para consigo: “Ainda sou importante?”
  7. Este episódio levanta questões como: “Podemos ser importantes sozinhos?”; “Precisamos dos outros para ser importantes?”; “Somos importantes ou os outros é que nos acham importantes?”

 

Por vezes a direcção que alguns diálogos tomam podem levar os alunos a terem que reflectir sobre condições necessárias e suficientes para se ser rei. Encontrar condições necessárias e suficientes de conceitos é uma das tarefas a que os filósofos se dedicam. Tarefa que nem sempre é fácil como os nossos alunos irão descobrir.

Podemos, por exemplo, perguntar se “Um rei tem de usar coroa?”, ou se “Um rei sem coroa continua a ser rei?”. Com estas duas pergunta os alunos estarão a pensar sobre condições necessárias, ou seja se é preciso ter uma coroa para se ser rei.

Já se perguntarmos algo do género “Se qualquer pessoa usar uma coroa passa a ser rei?” estaremos a levar os nossos alunos a pensar sobre se  o simples facto de alguém usar uma coroa por si só garante, ou seja, é condição suficiente, para que essa pessoa passe a ser rei.

 

Bons diálogos!