LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Korwin-Mikke

O eurodeputado misógino Janusz Korwinn-Mikke já serviu de pretexto para uma das nossas aulas de Filosofia.

Passadas algumas semanas dos alucinados argumentos acerca da inferioridade das mulheres (e consequente justificação de um menor salário) Korwinn-Mikke foi castigado com uma multa e suspensão de funções pelo próprio Parlamento Europeu.

Assista ao anúncio desse castigo aqui.

Independentemente de concordarmos ou não com os seus argumentos esta situação é uma boa oportunidade para ensaiarmos algumas ideias acerca de Liberdade de Expressão com os nossos alunos.

Este é o diálogo que tem ocupado as minhas tardes com as turmas do 3ºciclo:

Começamos por lançar um pequeno “isco” aos nossos alunos.

Pergunta 1 – A Liberdade de Expressão deve ser sempre respeitada. Concordas com esta frase?

Sendo esta uma daquelas “frases feitas” que todos tendemos a aceitar de forma acrítica a quase totalidade dos nossos alunos responderá que sim a esta frase. Podemos aferir a qualidade do nosso diálogo pelo número de alunos que irão mudar de opinião no final do diálogo. Sublinho que o objectivo não é levar os alunos a tomar determinada posição mas sim fazer com que vacilem um pouco em relação ao conceito de Liberdade de Expressão. Que compreendam que aquilo que pensavam ser inquestionável não o é assim tanto. No final aquilo que defendem é lá com eles, o melhor que podemos fazer é conseguir que a posição que tomem seja o mais consciente e reflectida possível.

Depois de lhes explicarmos todo este episódio, de lhes mostrarmos as declarações do eurodeputado polaco e o castigo aplicado podemos perguntar:

Pergunta 2 – O Parlamento Europeu defendeu a Liberdade de Expressão?

Aqui as opiniões deverão dividir-se entre os alunos que defendem que “não”, que ao castigar alguém por dizer o que pensa não estamos a defender a sua Liberdade de Expressão, e os alunos que defendem que “sim” pois o eurodeputado teve liberdade para exprimir as suas ideias e o castigo apenas veio depois de o ter feito. Esta opinião foi bastante comum durante as minhas aulas mas também fez levantar alguns sobrolhos de desconfiança, pois não parece que a liberdade de expressão se dê bem com um castigo aplicado a quem simplesmente exprimiu as suas ideias.

Uma dificuldade que poderá surgir neste diálogo é a dificuldade de os alunos pensarem além (ou apesar) destas outras frases feitas: “a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros”; ou também um clássico “não devemos deixar que a nossa liberdade possa ferir a susceptibilidade dos outros”.
Sempre que estes “bloqueadores de pensamento” surgirem devemos fazer com que os alunos parem um pouco e pensem realmente sobre eles, quer pedindo críticas, exemplos, contra-exemplos, etc. (puxem pela cabeça). Enfim, qualquer coisa que os faça sair da situação de congelamento mental a que estes clichés sempre nos induzem.

Depois de termos deixado “rolar” o diálogo  por algum tempo, certificando-nos que os alunos ouvem várias posições, argumentos e contra-argumentos é altura de voltar a colocar a primeira pergunta e ver como agora os alunos lhe respondem.

Pergunta 1 – A Liberdade de Expressão deve ser sempre respeitada. Concordas com esta frase?

É quase certo que uma boa percentagem de alunos irá rever ou, até mesmo, alterar a sua posição inicial o que será um bom indicado para a qualidade da Filosofia que os nossos alunos fizeram neste dialogo.

 

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