FILOSOFIA DA BIRRA

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Em Filosofia, assim como na vida, quando perguntamos alguma coisa a alguém devemos fazê-lo desde o lugar do ignorante, do que não sabe, e não do lugar do sapiente, do que sabe. Isto é o que diz o meu amigo Walter Kohan, aqui.

Normalmente é pedido aos nossos alunos que pensem e digam aquilo que os professores (acham que) já sabem. Através de perguntas que, quando muito, simulam ignorância é-lhes pedido que reproduzam um pensamento e não que criem um de sua própria lavra. A típica pergunta de professor é do género “Quem foi o primeiro rei de Portugal?” Uma pergunta bem mais interessante seria algo como “Por que existem reis?”

Como no que toca às birras das nossas crianças todos somos ignorantes (como perceber que num segundo os nossos anjinhos se transformem em diabinhos incontroláveis?) fazer filosofia acerca da “birra” é uma excelente oportunidade de perguntarmos às crianças coisas que realmente não sabemos e, talvez, aprendermos alguma coisa com quem realmente sabe do assunto.

Bernardo faz birra” é um divertido livro da mesma dupla (autor e ilustrador) que criou “No sotão“, Hiawyn Oram e Satoshi Kitamura que nos leva ao mesmo universo mágico que só pode existir na cabeça dos mais novos (como as birras).

Para compreendermos um pouco melhor este fenómeno da “birra” e, quem sabe, ajudar as crianças a crescer além dela e os adultos a lidar com ela, podemos estruturar a sessão da seguinte maneira:

0) Leitura do conto “Bernardo faz birra”.

  1. Por que é que o Bernardo fez birra? À partida esta não parece uma pergunta mas sim uma pergunta de interpretação. Temos, no entanto, algumas vantagens em começar por esta pergunta. Pode ajudar-nos a ir recolhendo alguns indícios de possíveis perguntas e linhas de investigação, mas também ajudará os nossos alunos a pensarem em relações de causa-efeito e justificação-culpa (A proibição da mãe do Bernardo causou a sua birra, mas foi a culpada da birra?)
  2. De quem foi a culpa da birra? (alguns alunos surpreenderam-me com a ideia de que a culpa da birra foi da mãe que não deixou o Bernardo ver televisão, ou que o incentivou a fazê-la quando lhe respondeu “Está bem (faz lá a birra)” – esta sugestão levantou no grupo uma interessante discussão sobre se as palavras da mãe eram irónicas ou sinceras e sobre a dificuldade de distinguir uma da outra uma vez que “o Bernardo não pode entrar na cabeça da mãe.”
  3. Juntar os alunos em grupos e dar a cada grupo a tarefa de encontrar duas formas de resolver a birra do Bernardo.
  4. Escrever no quadro uma lista com as sugestões de cada grupo (neste ponto sugerimos aos alunos que suspendam as críticas às sugestões para o momento seguinte).
  5. Agora o grupo todo deverá decidir qual a melhor sugestão (que, pela minha experiência, andarão entre dois pólos fundamentais: uns, mais pragmáticos, defenderão que a mãe deverá deixar o Bernardo ver televisão pois só assim a birra acaba; outros, mais, pedagógicos, dirão que a mãe não deve deixar o Bernardo leva a sua a avante devendo aplicar um castigo ou dar uma recompensa se a birra parar.
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