MULHERES FRACAS

woman

Criticar alguma coisa não é o mesmo que contradizer essa mesma coisa. Como foi muito bem caricaturado aqui pelos Monty Python, a maioria das pessoas não percebe esta distinção e a única forma que têm de discordar de uma opinião é opondo-lhe a sua própria opinião.

Ora esta é uma forma de “pensamento preguiçoso” como lhe chamou Richard Dawkings, pois é mais fácil simplesmente apresentarmos aquilo em que já acreditamos opondo-o ao que os outros acreditam em vez de nos preocuparmos em perceber exactamente aquilo em que acreditam, como o defendem por forma a sabermos onde e como apresentar a nossa refutação.

Para exercitar com os nossos alunos um tipo de pensamento activo, rigoroso e crítico os meios de informação (jornais, telejornais, etc.) dão-nos diariamente inúmeros exemplos de ideias absurdas, crenças falsas e argumentos inválidos que podemos aproveitar para pôr os nossos alunos a dissecar, como se de um cadáver se tratasse, praticando assim algumas ferramentas de pensamento crítico essenciais: identificação de razões e pressupostos, análise de inferências, confirmação da validade de argumentos, detecção de falácias, etc.

Recentemente a imprensa deu-nos esta pérola proferida por um eurodeputado polaco:

“Mulheres devem ganhar menos que os homens porque são mais fracas e menos inteligentes” (Diário de Notícias, 3/3/2017)

Algumas perguntas acerca desta notícia podem ajudar os nossos alunos a passar de um habitual “pensamento preguiçoso” a um desejável “pensamento crítico” levando-os, passo a passo, a usar algumas das ferramentas críticas que falámos.:

1 – O que defende o eurodeputado? (ferramenta: identificar a conclusão de um argumento)

2 – Que razões apresenta? (ferramenta: identificar as razões de um argumento)

3 – Concordas com o argumento apresentado? (ferramentas: avaliar as razões e os pressupostos de um argumento; analisar a estrutura lógica do argumento; detecção de falácias, etc.)

Aqui não devemos ser nós a encontrar os erros e falácias do argumento mas, antes, deixar que os alunos apresentem as suas críticas e à medida que as vamos ouvindo vamos tentando perceber que tipo de crítica são e de que forma diferem umas das outras (é uma crítica a uma razão? ? a alguma premissa escondida?, etc.) classificando-as e nomeando-as à medida que vão surgindo. Desta forma os alunos aprendem o nome dessas ferramentas cognitivas à medida que as vão utilizando.

4 – Formula por escrito um texto crítico às ideias do eurodeputado. (ferramenta: escrita de ensaio argumentativo)

Pode seguir a nossa discussão no Facebook sobre este tema aqui.

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