Consultório Filosófico: o Aborrecimento

boredom

Carlos Poppey, um leitor atento do nosso Consultório Filosófico, conta-nos o seguinte episódio e faz-nos uma pergunta que quer ver abordada pelos nossos Doutores Filósofos.

Caros Doutores,

hoje tive necessidade de “matar” duas horas num café perto do escritório enquanto esperava que o meu patrão chegasse com as chaves. Não levava comigo nenhum livro para ler nessas duas horas, o café não tinha nenhum jornal ou televisão. Não tenho um telefone para ligar a alguém e não gosto de entabular coisa alguma com desconhecidos. Basicamente não tinha nada para fazer e o café parecia ser um enorme sorvedor de vitalidade. Comecei a aborrecer-me.
Durante essas duas horas experimentei várias tácticas para fugir desse estado de espírito que não sei bem definir o que é (uma emoção?, um sentimento?, uma afectação?, uma aflição? uma expectativa?). Batia com a caneta na borda da mesa. Dois minutos a seguir olhava para o meu pé a balançar para trás e para a frente. Mais tarde, de forma furtiva, tentava ouvir conversas de passagem. Levantava-me e ia à casa de banho. Uma. Duas vezes. Durante 15 minutos envolvi-me num estúpido jogo de enrolar os polegares um no outro a um ritmo constante, cada vez mais lento. Contei os azulejos do chão e as tábuas de madeira da parede. Até que, num quadro pendurado atrás de mim (para onde olhei para contar as tábuas dessa parede) reparei que estava inscrita a seguinte frase de Blaise Pascal: “a única causa da infelicidade humana é a nossa incapacidade para ficarmos quietos numa sala.”

Pela janela do café conseguia ver um pombo que estava em cima de um lampião há tanto tempo quanto eu estava no café. O pombo simplesmente estava ali, como eu sem fazer nada mas, ao contrário de mim, estava tranquilo e quieto, sem lutar contra a passagem do tempo.

O quadro na parede e a diferença entre o meu comportamento e o do pombo perante a mesma situação (nada para fazer durante um par de horas) fizeram-me pensar no porquê dessa dificuldade que temos em lidar com o aborrecimento (imagino que com os senhores doutores se passe o mesmo) o que me faz colocar-vos a seguinte questão:

1.Por que temos medo do aborrecimento?

Já agora, se não for pedir demais, gostaria de saber o que pensam sobre estas outras questões:

2.O que é o aborrecimento?

3.Qual a diferença (se é que há diferença) entre o aborrecimento e o tédio?

 

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