PERSONAGENS ENGRAÇADAS

spongebob

Este tema escolhido pelos meus alunos do 3º C do Colégio Novo da Maia (nunca me lembraria de algo tão engraçado) fará as delícias dos nossos alunos mais novos. Entretanto passarão uma hora, ou mais, a discutir temas tão interessantes quanto a utilidade das personagens engraçadas, a sua origem ou o porquê de serem engraçadas, o que faz delas engraçadas, se a nossa percepção do que é engraçado muda com a idade, etc.

Sugestões de exercício:

1 – Convidar alunos a fazerem perguntas sobre o tema e dialogarem sobre algumas dessas perguntas por eles escolhidas.

ou

2 – Colocar duas “personagens engraçadas” a par (por ex. Spoongebob e Rato Mickey) e perguntar :

Qual destas personagens é mais engraçada?

Ouvir com atenção as respostas dos alunos e ajudá-los a explorar um pouco os seus “porquês” tentando encontrar as condições que fazem algo ser engraçado (“é diferente”, “é esquisito”, “faz rir”, “é uma esponja e uma pessoa ao mesmo tempo”, etc.).

Estas duas personagens (Mickey Mouse e Spongeebob) têm características bastante diferentes que podem servir para os nossos alunos pensarem sobre o que é e não é engraçado. O Mickey é mais responsável, sabe sempre como safar os seus amigos de sarilhos e costuma ter sempre alguma lição de moral a ensinar. O Spongeebob é mais “disparatado” e frequentemente faz coisas sem pensar o que o leva a grandes problemas. É muito interessante ver alguns alunos a resistirem à ideia de que o disparate é melhor (no sentido de mais engraçado) que a responsabilidade, uma vez que é o contrário do que normalmente são ensinados a pensar e a dizer em sala de aula.

mickey

Neste ponto devemos incentivar os nossos alunos a utilizarem nas suas respostas/argumentos termos diferentes daquele que pretendem justificar. Ou seja, não deverão responder “É engraçado porque faz coisas engraçadas”, mas sim algo como “é engraçado porque faz coisas malucas.” E aqui deveremos procurar que o grupo problematize esses critérios para “engraçado” que vão surgindo.

Desta forma estaremos a habituar os nossos alunos a saírem daquela circularidade de raciocínio habitual nas crianças (“É bom porque é bom”, ou “Gosto porque sim”) e, ao levá-los a questionarem as respostas uns dos outros, estaremos a ajudá-los a tornarem os seus raciocínios mais exigentes e rigorosos procurando condições necessárias para que algo seja de determinada forma (é preciso que uma coisa seja “maluca” para ser engraçada?) e as suas condições suficientes (basta uma coisa ser “maluca” para ser engraçada?).

Curiosamente, neste sessão particular, alguns alunos encontraram uma condição necessária para uma personagem ser “engraçada”. Terá de ser diferente. Mas também perceberam que essa não é uma condição suficiente, pois não basta ser diferente para ser engraçado. “O Pete é diferente e não é engraçado.” (perguntem aos vossos filhos/sobrinhos quem é o Pete).

Como sempre é preferível que sejam os alunos a fazer esse trabalho em vez de nós, mas no início talvez precisem de uma ajudinha. Pelo que podemos colocar-lhes algumas perguntas cirúrgicas que os façam pensar nas condições para algo ser engraçado: “Uma coisa maluca é sempre engraçada?”, “Consegues pensar num exemplo de uma coisa maluca que não seja engraçada?”

Numa segunda sessão podemos dar continuidade a este exercício da seguinte forma:

3 – Pedimos aos alunos que criem uma personagem engraçada e a apresentem ao grupo.

Podemos até fazer um concurso para eleger a “personagem mais engraçada” e antes da votação os alunos têm de debater e escolher entre os vários critérios de “engraçado”.

No fim destas duas sessões (ou numa segunda sessão com alunos mais velhos) poderemos tentar abordar a “pergunta socrática”:

4 – O que é uma personagem engraçada?

E aqui interessa-nos fazer um trabalho (lá está) socrático de encontrar aspectos positivos e possíveis erros nas definições apresentadas e, dessa forma, irmos afinando com os nossos alunos a qualidade das suas definições.

Exemplos:

  • “Uma personagem engraçada é uma coisa que nos faz rir.”

Este é um exemplo de uma definição demasiado abrangente. Há muitas coisas que nos fazem rir e não são personagens. Uma anedota, por exemplo.

  • “Uma personagem engraçada é uma coisa amarela com calças.”

Aqui temos uma definição demasiado restrita, pois facilmente percebemos que há mais coisas que nos façam rir além do próprio Spoongebob.

Em alternativa podemos pedir aos nossos alunos que escrevam um pequeno ensaio filosófico em torno da pergunta:

5 – Quando é que uma personagem é engraçada?

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