OS ANIMAIS ESTAVAM ZANGADOS

Um livro sobre gostar, não gostar e aceitar a diferença.

“Era um dia quente na selva. Os animais não tinham nada para fazer.”

Ok, os animais estavam com calor e aborrecidos, mas isso não era motivo para começarem a implicar uns com os outros. “O leão estava zangado” e  acusava a tartaruga de ser lenta. E ela, coitada, é mesmo muito lenta. A tartaruga, zangada por lhe lembrarem deste seu defeito, pôs-se a dizer que odiava o elefante pois este era muito grande. Nada mais certo, mas o que é que ele pode fazer? E assim foi-se desenrolando um fio de zangas, frustrações e acusações com uns animais a apontar para os defeitos de outros animais, que mais não fizeram que nascer assim.

Pelos vistos Wondriska, o autor de “A long piece of string“, gosta deste tipo de narrativas sequenciais que costumam fazer as delícias das crianças e são excelentes formas de exercitar a memória e o raciocínio narrativo.

Mas, voltando à história, quantos de nós já não fizeram isso? Implicar com alguém apenas por que nos irrita a maneira como essa pessoa é. Nessas alturas talvez nos tivesse ajudado receber a visita de alguém, como a pomba desta história, que lembrou a cada um dos animais que todas essas suas características não são necessariamente defeitos. Até o cheiro de uma doninha fedorenta pode ser uma coisa boa.

Ao contrário do que pode parecer este não é um livro acerca de tolerância (toleramos aquilo que não gostamos, e isso nunca é um pacto muito seguro), mas acerca de aprender a gostar do que é diferente.

Wondriska acaba por nunca nos dizer por que motivo é bom ser lento, gordo, barulhento ou ter cheiro, mas esse é um “trabalho para pensar” que podemos deixar para as nossas crianças. Elas vão adorar.

Algumas perguntas poderão ajudar as crianças a “pensar o impensável”, ou seja, a pensar o contrário do que é habitual pensar:

– Quando é bom ser lento?

– Quando é bom ser pequeno?

– Quando é bom ser gordo?

Outras perguntas podem ajudá-los a perceber melhor o que nos leva a gostar ou a não gostar de alguém:

– O que nos leva a não gostar de uma pessoa?

– É possível gostar de toda a gente?

– Como começar a gostar de alguém que não gostamos?

O segredo de um bom diálogo com as crianças é evitar cair no erro de muitos professores, pais e educadores e procurar perguntas que convidem as crianças a pensar por elas mesmas e não simplesmente perguntas que conduzam a uma resposta que achamos correcta (normalmente a nossa resposta).

Em “Big Ideas for little kids o filósofo e professor norte-americano ” Thomas Wartenberg aconselha-nos a abordar as histórias infantis através de três tipos de perguntas: de interpretação, de especulação e de reflexão, servindo as duas primeiras de preparação para as últimas de cariz filosófico.

Em relação a este livro proponho a seguinte sequência de perguntas que tem resultado muito bem em sala de aula.

Começamos por pedir hipóteses explicativas com uma pergunta de especulação.

1 – (antes de ler o livro) Por que é que os animais estariam zangados?

Em seguida colocamos uma pergunta de interpretação do texto.

2 – (parar a meio, no momento em que parece que os animais vão lutar entre si) Por que ia haver uma zaragata?

Agora é o momento de colocarmos uma pergunta de reflexão.

3 – Por que é que às vezes odiamos alguém?

Depois de lermos a história até ao fim acabamos com outra pergunta para pensar.

4 – O que nos ensina esta história?

Boas leituras!

Pode comprar este livro na Livraria Flâneur.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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