O JOGO DO CONHECIMENTO

Flor_2015

A partir do exercício Conhecimento I que a minha amiga Joana Rita Sousa adaptou aqui resolvi simplificar o exercício, torná-lo mais lúdico e transformá-lo num jogo: O Jogo do Conhecimento. Com este jogo é garantido que terão uma hora inteira de alunos empenhados em ganhar o jogo e para isso terão de dialogar entre si, dar exemplos, avançar e testar hipóteses, criar critérios, criticar ideias. Para ganhar o jogo terão, enfim, de Pensar Criticamente.

Material: Uma caixa de papelão; um puzzle com 9 a 16 peças.

O objectivo lúdico deste jogo é os alunos decidirem, em conjunto, se a peça que falta no Puzzle está ou não dentro caixa. Se acertarem ganham os alunos, se falharem ganha o professor. A introdução deste objectivo é importante pois dá aos alunos um pretexto mais para duvidarem da ideia (mais comum) de que a peça está na caixa, “pois o professor pode ter posto lá outra coisa para nos enganar e assim ganhar o jogo”.

Já como objectivo pedagógico pretendemos que os alunos experimentem diferentes formas e métodos de procurar e testar o conhecimento: por contacto, por inferência, através de hipóteses e do teste dessas hipóteses, etc.

0) Apresentamos aos alunos uma caixa com um puzzle lá dentro. Retiramos uma a uma as peças do puzzle e deixamos uma na caixa sem os alunos verem.

Pergunta 1: “Como posso saber se estão aqui as peças todas?”

Esperar que alguns alunos sugiram que devemos montar o puzzle para verificar e convidar dois para o fazerem.

Pergunta 2: “A peça que falta está na caixa?”

Esta é a pergunta que dá início ao jogo e aqui deverão explicar que se a turma acertar ganha o jogo, se falhar ganha o professor. É neste momento que alguns alunos mostrarão algum cepticismo e desconfiarão que vocês terão escondido a peça noutro local.

Neste momento podemos perguntar:

Pergunta 3: “Como podemos saber se a peça está na caixa, sem a  abrir?”

E é aqui que os alunos começarão a sugerir hipóteses e experiências para testar essas hipóteses. É muito interessante ver como estes cientistas miúdos replicam o mesmo tipo de trabalho dos cientistas graúdos com hipóteses que se vão apurando através dos resultados obtidos com as experiência e com as críticas que vão sendo feitas. Também é interessante ver que em alguns alunos mais novos ainda está presente uma espécie de raciocínio mágico, à semelhança do que acontecia com os primeiros cientistas.

Aqui deixo-vos algumas dessas hipóteses, experiências e críticas que surgiram com alunos do pré-escolar e do 1º ano do Colégio Novo da Maia.

Hipótese 1 – Devemos fechar os olhos e pensar muito para descobrir.

(realizamos esta experiência)

Crítica – Mas isso não chega. Estamos a pensar e não sabemos.

Hipótese 2 – Devemos fazer magia. Uma poção mágica para saber se está lá a peça.

(perguntamos como fazer essa magia)

Crítica – Mas aqui ninguém sabe fazer magia. Não dá.

Hipótese 3 – Devemos trazer uma máquina de raio-x.

(concordam?)

Crítica – Não conseguimos trazer para aqui uma máquina dessas.

Hipótese 4 – Devemos abanar a caixa e ouvir o barulho da peça.

(abanamos acaixa muuuuito devagarinho)

Hipótese 5 – Tens de abanar com mais força.

(melhoramos a experiência)

Crítica – Mas o professor pode ter posto lá outra coisa de madeira.

Hipótese 5 – O professor pode pôr uma das peças do puzzle dentro da caixa, abanar e ver se fazem o mesmo barulho.

(fazemos isso)

Crítica – Não dá para distinguir o som das peças.

Hipótese – O professor primeiro abana a caixa com a “coisa” lá dentro”. Depois, sem nós vermos, tira a “coisa” de dentro da caixa e põe lá uma peça do puzzle. Depois abana a caixa e nós vemos se faz o mesmo barulho.

(fazemos essa experiência e o som é semelhante)

Crítica – Pode ser uma peça de madeira mas de outro puzzle. Os meninos do pré-escolar (de onde veio o puzzle) podem ter arrumado mal as peças.

Hipótese – Posso tocar na “coisa” da caixa e ver se é da mesma grossura e forma.

(deixamos que toque sem ver)

Crítica – É parecida. Mas mesmo assim pode ser outra.

Hipótese – O professor pode desenhar, sem vermos, a peça no quadro e vemos se encaixa no puzzle.

(desenhamos a peça virada ao contrário no puzzle).

Crítica – Temos quase a certeza que é a mesma, mas como está desenhada ao contrário não dá para saber se é mesmo. Só vamos descobrir se tentarmos nós encaixar.

Por esta altura já deve ter passado quase o tempo todo da nossa aula e é altura de votar. Quem acha que a peça está na caixa, quem acha que não está? A resposta da maioria será a resposta da turma.

Deixamos que os alunos conversem livremente entre si antes de votarem e depois registamos os braços no ar no quadro.

No fim, ao verem que a peça encaixa, é de esperar uma enorme ovação de alegria ou uma “ohhhhh” de desalento, conforme tiverem ganho ou perdido o “Jogo do Conhecimento”.

Na verdade ganhamos todos!

 

 

 

 

 

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