Cry, Heart, But Never Break

“Esta é uma história infantil ou Filosófica?”, perguntou uma aluna depois de ouvir este conto. Na verdade uma não exclui a outra e uma história infantil pode ser Filosófica e, se olhadas com atenção, praticamente todas o são.

Mas atenção, esta é uma história especial, que deve ser tratada com cuidado com os nossos alunos. É um livro que facilmente leva à lágrimas (a nós e a eles) pelo que devemos conseguir criar o distanciamento emocional necessário que permita pensar sobre as questões que formos encontrando. O que, neste caso não é muito fácil, pois é uma história que sai do cliché habitual do “e foram felizes para sempre” que muitas crianças começam desde cedo a desconfiar que não é verdade. Nada é para sempre e a felicidade não é constante.

Este livro leva-nos a pensar sobre a morte, um tema sempre difícil e que estamos habituados a “varrer para debaixo do tapete”, mas inultrapassável e, até, urgente para os jovens e as crianças que anseiam por falar e reflectir sobre ele. Muitos deles começam agora a viver a morte dos seus avós e amigos da família, outros vivem mortes bem mais próximas. A Filosofia, a reflexão séria, tranquila e crítica sobre tudo o que há, pode ajudá-los a compreender e aceitar melhor esta inevitabilidade sempre presente nas nossas vidas.O fio central da história é a visita de uma personagem, a Morte, à casa onde vivem quatro crianças com a sua avó agonizante.

 

Há ainda uma pequena história dentro da história, narrada pela própria Morte, fala-nos de dois irmãos (Sorrow e Grief – Tristeza e Lamento) e duas irmãs (Joy e Delight – Alegria e Prazer) que apenas se completam quando se apaixonam e casam uns com os outros  pode também levar-nos a reflectir sobre o papel das emoções, sentimentos e acontecimentos negativos nas nossas vidas.

Tenho desenvolvido este conto com alunos do 2º e 3º ciclos da seguinte forma:

1. Leitura do conto (com tradução simultânea pois não há edição portuguesa)

2. Pergunta 1: “A morte é uma coisa má?”

3. Diálogo entre os alunos.

Em relação a este tema podemos estar seguros que os nossos alunos terão muito a dizer pelo que o nosso papel deverá ser o de procurar que clarifiquem bem as suas ideias, que todos sejam ouvidos e respeitados de igual forma. No caso de algumas turmas menos habituadas a estes diálogos (talvez não seja um bom exercício para grupos imaturos ou que começaram recentemente a ter sessões de Filosofia), ou se sentirmos que há pouca diversidade de ideias no grupo podemos apresentar aos nossos alunos dois filósofos com duas posições distintas sobre esta questão e pedir-lhes que expliquem os seus argumentos e tomem posição por um deles, apresentando também as suas próprias razões.

Thomas Nagel, filósofo norte-americano contemporâneo, defende que a morte é sempre um mal pois impede-nos de obter coisas boas que a vida nos pode dar.

Epicuro, filósofo grego que viveu há cerca de 2200 anos, defendia que a morte não é nada para nós uma vez que quando estamos ela não esta e quando ela está, nós não estamos.”

4. Concordas com Nagel ou Epicuro. Porquê?

Outra boa alternativa (resulta melhor com grupos maduros e com bastante experiência de Diálogos Filosóficos) é pedir aos alunos que formulem as suas perguntas depois de ouvirem a história e mantenham um diálogo em torno dessas mesmas perguntas. Seguem algumas perguntas levantadas por alguns dos meus alunos dos 6º e 9º anos do Colégio Novo da Maia:

  • A vida ideal é uma vida sem tristeza?
  • Felicidade e tristeza são opostos?
  • O que é ser feliz?
  • Como ser feliz?
  • Há algo além da vida?
  • Esta é uma história sobre Morte ou sobre Vida?
  • Seria bom nunca morrer?
  • Como devemos encarar a morte?
  • A atitude de Nels (de deixar a Morte fizesse o seu trabalho e “levasse” a sua avó) foi a correcta?
  • É possível viver sem alegria ou tristeza?
  • Esta é uma história infantil ou filosófica?
  • A personagem mais importante das nossas vidas é a Morte?
  • A morte tem pena de levar os mortos?
  • É preferível viver muito tempo em sofrimento ou morrer cedo mas em paz?
  • Uma vida sem sofrimento e tristeza seria uma boa vida?

Título: Cry, Heart, but Never Break

Texto: Glenn Ringtved

Ilustrações: Charlotte Pardi

Pode encomendar este livro na Livraria Flâneur pelo preço de 19,90€

2 thoughts on “Cry, Heart, But Never Break

  1. Boa tarde

    Um tema que gostaria de tratar com as netas. O livro já se encontra traduzido para português ? Não o encontrei na FNAC.

    Cumprimentos

    Piedade Silva Pereira ( ex professora de FC)

    No dia sexta-feira, 8 de abril de 2016, “Filosofia Crítica” escreveu:

    > Tomás Magalhães Carneiro posted: ” “Esta é uma história infantil ou > Filosófica?”, perguntou uma aluna depois de ouvir este conto. Na verdade > uma não exclui a outra e uma história infantil pode ser Filosófica e, se > olhadas com atenção, praticamente todas são. Mas atenção, esta é uma hist” >

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