OBEDECER / DESOBEDECER

Uma bonita história de uma jovem zebra, a Camila, que ao desobedecer à sua mãe acaba por viver uma aventura de crescimento e transformação que leva as crianças a pensar pelas suas próprias cabeças sobre os limites da obediência e da desobediência.

Esta é, além disso, uma história que oferece imensas oportunidades para os alunos mudarem de opinião durante a troca de ideias com os seus amigos, o que é uma muito boa forma de modelarmos neles a humildade epistémica essencial a qualquer pensador crítico, a capacidade de aceitar as críticas dos outros às nossas ideias e mudar as nossas próprias opiniões e crenças em função dessas críticas.

0) Material: uma folha de papel por grupo de 5/6 alunos, 7 tiras de papel pretas e 7 tiras de papel às cores (Amarelo, Cinzento, Azul, Preto, Vermelho, Cor de Rosa e Verde). Em alternativa podemos pedir simplesmente aos alunos que pintem 7 riscas pretas num quadrado desenhado numa folha e, ao longo da história, vão desenhando as riscas coloridas. A ideia é que os alunos sintam e, de alguma forma, participem na transformação da Zebra Camila

  1. Os alunos começam por colocar as tiras de papel preto na folha branca.
  2. “Que animal vos faz lembrar esta imagem?” Esperar que a maioria diga “Zeeebra!”
  3. Começar a contar a história e parar no ponto em que a Camila desobedece à sua mãe, sai sem calções e suspensórios de casa e o vento leva as suas riscas. Pedir aos alunos que bufem com força lançando as tiras de papel preto (as “riscas” da Zebra Camila) pelo ar e para fora da folha.
  4. “A Camila fez bem em desobedecer à sua mãe?” Esperar por uma quase unanimidade de “Nãos”, sobretudo com os nossos alunos mais novos. Nesta fase devemos ouvi-los com atenção enquanto, a maioria, se compraz em dizer aquilo que acham que queremos ouvir, que é mau desobedecer aos pais. Mais à frente os próprios alunos terão oportunidade de criticar essas mesmas ideias e mudar de opinião.
  5. Continuar a contar a história e pedir aos alunos que acrescentem e colem as várias tiras de papel coloridas à medida que as várias personagens que a Camila encontra lhe vão oferecendo novas riscas, também elas coloridas. Desta forma a transformação da Camila ganha forma nas folhas dos nossos alunos e estes ganham uma ligação emocional à “nova Camila” que, no final da historia está “muito mais feliz e bonita”.
  6. Agora é altura de voltarmos a colocar a pergunta inicial: “A Camila fez bem em desobedecer à sua mãe?” e esperar  por novas ideias, hesitações, “sins e nãos” e verdadeiras mudanças de opinião. Apenas mostrando que algo de bom pode surgir a partir de um acto de desobediência estamos a combater o pensamento único e reactivo que a maior parte dos alunos apresentou quando lhes foi feita a pergunta pela primeira vez. Agora, como viram que a Camila cresceu e ficou mais “feliz e bonita” por ter desobedecido à sua mãe começa a questionar aquilo que antes era uma certeza, que não se deve desobedecer aos pais. Alguns alunos perceberão que isso faz parte do seu crescimento e que, mais cedo ou mais tarde, terão mesmo de seguir o seu caminho e desobedecer aos seus pais, não de uma maneira negativa e destrutiva, mas de uma forma positiva e construtiva, não como mera oposição à autoridade mas como afirmação da sua própria autonomia. Alguns alunos tão novos quanto 5 anos demonstraram uma surpreendente maturidade em, à sua maneira, compreender e verbalizar isto mesmo.
  7. Terminamos o exercício com a pergunta que está pressuposta desde o início da sessão: “Podemos desobedecer aos nossos pais?”
  8. Em alternativa, para os grupos mais maduros, uma pergunta mais desafiante poderá ser: “Quando devemos desobedecer aos nossos pais?” Esta pergunta é mais desafiante pois, em primeiro lugar, apresenta o dilema que pode ser denunciado pelos alunos como um “falso dilema” defendendo, por exemplo, que “nunca devemos desobedecer aos nossos pais”. Em segundo lugar coloca-nos no campo da ética e da moral pedindo aos nossos alunos uma tomada de posição não só sobre “o que nos é possível fazer” mas sobre “aquilo que devemos ou não fazer.”

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