RAWLS E A SARDINHA

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Em Portugal usamos a expressão “puxar a brasa à nossa sardinha” quando de alguma forma favorecemos aquilo que é do nosso interesse em detrimento do interesse dos outros ou mesmo em detrimento daquilo que é mais justo.

A experiência mental do “véu da ignorância”, idealizada pelo filósofo norte-americano John Rawls poderá ter sido uma forma de responder à pergunta “como conseguir não puxar a brasa à nossa sardinha” no que diz respeito à escolha dos princípios que devem reger uma sociedade justa.

Para este exercício adaptei a ideia de “vouchers” e de categorias sociais atribuídas a diferentes grupos proposta por Peter Worley em “40 Lessons to get children thinking” mas incluí uma variante final que permite aos nossos alunos experimentarem a escolha por detrás de um “véu de ignorância”.

Como

  • Apresentamos à turma um baralho de cartas com o mesmo número de cartas de elementos da turma. Cada carta representa um cheque. Todos os cheques têm o mesmo valor.
  • Dividir a turma em 5/6 grupos. Cada grupo representa uma das seguintes comunidades.
  1. Comunidade composta maioritariamente por famílias pobres.
  2. Comunidade composta maioritariamente por famílias ricas.
  3. Comunidade de refugiados.
  4. Comunidade composta maioritariamente por pessoas com empregos pouco qualificados.
  5. Comunidade composta maioritariamente por idosos.
  6. Comunidade composta maioritariamente por jovens.
  • Pergunta 1: (em mini-grupo) “Como distribuir estes cheques por todos?”
  • Contabilizar no quadro o que cada grupo atribuiu a cada grupo. Somar no final o que cada grupo recebe.
  • Pergunta 2: (com o grupo todo) “Alguém discorda de alguma atribuição?”
  • Agora ninguém sabe a que comunidade pertence. Não sabe se é pobre, rico, idoso, jovem, etc.) Os grupos voltam a reunir-se e repetimos a Pergunta 1.
  • Voltamos a contabilizar as “atribuições” e comparamos os resultados para cada “comunidade”.
  • Pergunta 3: (com o grupo todo) “O que mudou? Por que mudou?”

Invariavelmente esta segunda ronda de atribuições, a coberto do “véu de ignorância”, será entendida pelos alunos como “mais justa” (ou, quanto muito, “igualmente justa”, mas dificilmente teremos aqui atribuições “mais injustas”, pelo que esta é uma boa forma de introduzirmos os nossos alunos à Teoria da Justiça de Rawls. Isto se estivermos a ensinar Filosofia ao nível do secundário e for esse o nosso interesse pois, de outra forma este exercício vale por si mesmo.

Veja aqui outro exercício onde procuramos levar os nossos alunos a experimentar e aplicar o “véu de ignorância” a determinadas escolhas éticas.

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