VERDADE E CONHECIMENTO_Filosofia com Jovens

WP_000158.jpg

“A Verdade Existe?” ou “O que é a Verdade?” são perguntas que invariavelmente garantem intensos Diálogos Filosóficos com os nossos alunos, sobretudo com os mais “velhinhos” (12-14 anos).

O objectivo deste exercício, desenvolvido em duas sessões, não é ensinar “história da ciência” nem, muito menos, explicar as teorias que dão corpo a essa mesma história. O que se pretende é que os alunos tenham uma pequena noção da evolução do conhecimento ao longo da história da humanidade e que o que numa época era considerado “verdade” noutras foi descartado como errado ou até mesmo absurdo.
Dotando os nossos alunos desta “perspectiva de voo de pássaro” sobre a evolução do conhecimento pretendemos que pensem em conjunto sobre a noção de “verdade” um conceito indissociável do “conhecimento”.

Como

1ª Sessão

0) Iniciamos este exercício com uma brevíssima síntese dos avanços no conhecimento do mundo dos últimos 3 mil anos, desde as explicações mitológicas dos antigos egípcios, babilónios e gregos, passando pelas primeiras tentativas naturalistas e racionais de compreender o mundo pelos pré-socráticos (Tales, Anaximandro e Anaximénes) e pela autoridade que Aristóteles e Ptolomeu exerceram nas explicações do mundo até à idade média tardia. Acabámos com uma referência à construção do conhecimento científico por homens como Galileu, Kepler, Newton, Plank, Heisenberg e Einstein.

Para permitir aos alunos um contacto mais próximo com as “fontes” desse conhecimento enquanto fazemos a tal “brevíssima síntese” distribuímos pela sala algumas revistas e livros onde fomos buscar essas informações, no meu caso alguns “números especiais” da revista National Geographic dedicados a figuras como Galileu, Kepler e Newton e o livro “Os Filósofos Pré-Socráticos” de Kirk e Raven. Este simples passar de revistas e livros pelas mãos dos alunos cria um certo movimento entre os alunos despertando-lhes a atenção e o interesse para o que vamos dizendo (quando, por exemplo, falamos de Galileu podemos pedir ao aluno que na altura folheia essa revista que a abra numa das página previamente marcadas sobre a sua condenação pela inquisição tornando assim a nossa descrição mais viva e interactiva).

1) Os alunos respondem por escrito numa folha à parte à pergunta “A verdade existe?”

2) Afixam com “uhu patafix” pelas paredes da sala as suas respostas e voltam a sentar-se.

3) Em grupos de 5 percorrem a sala em busca de uma resposta que possam criticar. Recolhem a folha e podem fazer uma de duas coisas: uma crítica ou uma pergunta. Voltam a afixar a folha no sítio. Agora temos bastantes “trabalhos de investigação conjuntos” a decorrer em simultâneo com cada aluno a participar em duas investigações, uma como autor da hipótese de trabalho e outra como crítico de uma hipótese de trabalho.

4) Os autores das respostas recolhem as suas folhas. Tendo em conta o que foi feito em relação à sua resposta podem:

i) aceitar inteiramente a crítica e riscar a sua resposta (neste caso deverão arriscar outra hipótese de resposta).

ii) aceitar parcialmente a crítica melhorando a sua resposta;

iii) responder à pergunta

5) Os alunos voltam a afixar o trabalho na parede para que o seu companheiro o recolha.

6) No final da aula os alunos devem guardar os seus “trabalhos conjuntos” e pensar e discutir sobre ele durante o tempo que temos até à próxima sessão.

2ª Sessão

7) No início desta 2ª sessão perguntamos se alguém tem um “trabalho conjunto” interessante para mostrar ao grupo.

8) Escolhemos um dos “trabalhos” e registamos no quadro as suas várias fases: pergunta inicial; resposta, crítica/pergunta, nova Hipótese, resposta melhorada, etc.

9) Por esta altura devemos ter todos os nossos alunos já bastante envolvidos nesta investigação sobre a “verdade e o conhecimento”. No caso dos alunos do 3º Ciclo do Colégio Novo da Maia estas sessões surgirem no seguimento de outra sobre os critérios e as fontes do conhecimento pelo que já levamos 4 sessões a reflectir directamente sobre estes conceitos. Como tal, após a exposição de um dos “trabalhos conjuntos” no quadro podemos simplesmente pedir “Comentários” à turma que eles facilmente surgirão, alguns criticando algum dos argumentos, indicando algum tipo de falta de clareza ou falta de ligação entre um ou vários dos passos dados. O que importa aqui não é a conclusão, ou conclusões, a que cheguem mas sim a exploração conjunta dos conceitos em causa assim como, destacando e assinalando os vários passos de uma investigação filosófica, dar aos nossos alunos uma maior consciência crítica desses mesmos passos: pergunta, crítica, argumentação, refutação, explicação, exemplificação, etc.

10) Em jeito de síntese devemos deixar os últimos 15/20 minutos desta sessão para um diálogo com o grupo todo em torno da questão: “O que é a Verdade?”

nota: Deixo aqui duas boas alternativas para uma terceira e quarta sessões a partir desta última pergunta:

“O que é a verdade?”

i) repetição do passos 1) a 9) agora em torno desta última questão levando os alunos a reflectirem sobre várias definições de “verdade” propostas, questionando os critérios escolhidos e procurando exemplos e contra-exemplos que as ponham à prova.

ii) Diálogo Socrático a partir desta pergunta (seguir link).

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s