À PROCURA DE MONSTROS_Filosofia com Crianças

 

“Bom dia meninos, hoje vamos falar de Monstros!” Devem imaginar a agitação que se seguiu a este anúncio.

O tema Monstros é um sucesso garantido entre os nossos alunos. A simples pergunta “Existem Monstros?” é garante de “fôlego filosófico” para uma boa meia hora de discussão com os mais pequeninos (5/6 anos). Já uma sessão com os mais velhos (7/8 anos) precisa de mais algum estímulo e direcção. Aqui segue uma proposta de exercício que nos garante uma  boa hora de animada discussão filosófica… e não só!

1.Começamos por pedir aos nossos alunos que desenhem um monstro nos seus cadernos da filosofia. Começar a sessão com um desenho ajuda os alunos a concentrarem-se na tarefa, ao mesmo tempo que serve de “almofada de transição” entre duas aulas ou entre o intervalo e a aula. Além disso vou tendo a impressão que os nossos diálogos correm mais leves e animados quando começamos por “massajar” as partes criativas do nosso cérebro.

 

Aqui, aqui e aqui encontram alguns tutoriais que nos ensinam, passo por passo, a desenhar monstros bastante engraçados. Nesta aula segui um dos tutoriais com os alunos para um primeiro desenho mas depois pedi-lhes que desenhassem à vontade um segundo monstro (os monstros mais “giros” surgiram aqui). Ao lado dos seus “monstros” os alunos desenharam também dois quadrados cada um com uma legenda à frente: Sim e Não.

2.Leitura do conto “Os Monstros não Existem”, de Steve Smallman e Caroline Pedler.

3. Após a leitura perguntamos simplesmente se “existem monstros?” Os alunos, antes de responderem oralmente devem assinalar a sua resposta (Sim ou Não) num dos quadrados desenhados ao lado dos seus monstros. Só depois de o fazerem damos início ao diálogo com os alunos a justificarem as suas escolhas, a interrogar, defender e refutar as ideias uns dos outros. “Business as usual”, para estes lados.

Alguns alunos assinalaram as duas caixas, justificando a sua escolha com os vários significados possíveis para “monstros” (monstros de plástico, dinossauros, etc.), mas também para vários significados possíveis de “existir” (na imaginação,  nos desenhos animados, na realidade, etc.).

É nessa ambiguidade dos conceitos que reside a riqueza do nosso diálogo pelo que não devemos procurar fixar esses significados com a nossa ideia de “monstro” ou de “existir”. Deixe-mo-los explorar, vão divertir-se a fazê-lo.

Deixamos correr o diálogo por alguns minutos verificando que vários pontos de vista foram apresentados e devidamente postos em causa. É agora chegada a altura de desafiarmos os nossos alunos a fazer connosco uma “viagem de exploração” à procura de monstros. Para isso, dizemos, temos de encolher de tamanho. Encolher muito, mesmo muuuuiiitoooooo de tamanho. Temos de nos transformar em “micro-formigas”. Felizmente o professor veio munido com a tecnologia necessária para isso. Um comando (o comando do projector, neste caso) com um botão especial que nos encolhe até ficarmos do tamanho de micro-formigas. Premimos e botão e iniciamos a nossa viagem imaginária pelo recreio do colégio à procura de monstros.
Aqui devemos tentar usar os nossos dotes teatrais e levar os nossos alunos por essa viagem imaginária até um “arbusto pequeno ao lado do campo de futebol onde encontramos este animal gigantesco.

“Não se esqueçam – dizemos aos nossos alunos – nós estamos do tamanho de micro-formigas. Este bicho parece-nos do tamanho de um prédio de 10 andares.”

Felizmente conseguimos fugir deste bicho que avançava ameaçadoramente para nós, voltamos para trás e, no meio da relva depara-mo-nos com outro bicho que, apesar de minúsculo, nos parece enorme.

Assustados resolvemos voltar rapidamente para a sala onde somos magicamente devolvidos ao nosso tamanho natural. “Uff, que alívio!”

É altura de falarmos sobre o que vimos nesta viagem de exploração. Após uns minutos a acalmar a turma excitada com esta aventura perguntamos:

4.Encontramos monstros?

Por esta altura podemos perguntar se algum aluno mudou de opinião em relação à primeira pergunta, assinalando agora outro quadrado.

É normal que alguns alunos argumentem que viram de facto monstros pois eram assustadores e enormes (para seres minúsculos como nós). Ou que eram de facto monstros pois iam-nos devorar se não tivéssemos fugido (acreditem que eles viverão esta aventura bem mais intensamente que nós). Outros alunos defenderão que não eram monstros pois pertenciam à natureza e que, por essa razão, apesar de serem assustadores e perigosos não eram monstros.

Da nossa parte vamos registando os vários critérios de “monstruosidade” que os alunos apresentam (medo, tamanho, perigosidade, etc.) ao mesmo tempo que procuramos que esses critérios sejam escrutinados pelo grupo.

Uma boa forma de terminarmos esta aventura é com a pegunta:

5.O que é um Monstro?

BU!

One thought on “À PROCURA DE MONSTROS_Filosofia com Crianças

  1. Uma disciplina que de alguma forma pode ajudar organizar e ordenar os pensamentos e sentimentos não é de todo mal provocar nas crianças isso, que seria uma felicidade fizesse parte do currículo escolar básico, tirada pela infame ditadura militar!

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