UM PORCO FELIZ (e certezas absolutas)

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Porquê

Diversão: Este exercício começa por envolver os nossos alunos num divertido exercício de desenho (especialmente divertido para os alunos mais novos) que nos permite envolver todo o grupo na actividade.

Mudar de Opinião: Conforme é aqui proposto o exercício dá aos alunos vários momentos ao longo do diálogo para que possam decidir se mantêm ou alteram as suas ideias mostrando-lhes, dessa forma, que o que importa não é defender as suas ideias a todo o custo mas sim avaliar as razões a favor e contra uma posição antes de tomar uma decisão ou assumir uma crença.

Reflectir sobre a Felicidade: Este é o tema central do nosso diálogo e em torno do qual os nossos alunos irão reflectir.

 

Como

 

0. Começamos por desenhar no quadro as personagens principais da história que vamos contar mais à frente: Um “Príncipe Infeliz” e um “Porco Feliz” com os alunos a desenharam o mesmo que nós nos seus cadernos da filosofia. (seguir links para pequenos tutoriais de desenho que encontrei na internet). Em frente de cada figura desenhamos um pequeno quadrado.

  1. Escrevemos no quadro uma pergunta inicial: “Há algo mais importante que a Felicidade?” Uma caixa para o “Sim” e outra para o “Não” é desenhada à frente da pergunta. A lápis (para mais à frente poderem alterar a sua resposta inicial) os alunos assinalam a sua resposta e mantêm um diálogo em torno das respostas e críticas às respostas que vão surgindo.
  2. Contamos uma curta história (ao gosto da improvisação e inspiração de cada um) acerca de um príncipe que vivia constantemente a lamentar-se da vida, o “Príncipe Infeliz” e a quem um génio conferiu a hipótese de se tornar num “Porco Feliz”. (uma boa versão desta experiência mental do filósofo inglês Stuart Mill encontra-se no livro “The If Machine” de Peter Worley, de quem me inspirei para este exercício).
  3. Escrevemos nova pergunta no quadro: “É melhor ser um “Porco Feliz” ou um “Príncipe Infeliz?” e os alunos assinalam a sua resposta no quadrado correspondente. Novo diálogo sobre as respostas e críticas. Os alunos devem saber que se mudarem de opinião durante o diálogo deverão alterar a cruz na caixa correspondente (por ex. apagam a do “Porco Feliz” e assinalam a do “Príncipe Infeliz”).
  4. Alguns alunos tentarão fugir ao dilema apresentado propondo ser um “Príncipe Feliz” mas devem ser avisados que essa não é uma opção válida. A ideia de um dilema é, mesmo, reflectir sobre os pressupostos e consequências de cada uma das duas escolhas possíveis.
  5. Em alguns diálogos poderemos querer “apimentar” um pouco a questão e acrescentar que o Porco iria viver 15 anos Felizes e o Príncipe 80 anos infelizes, o que poderá levar os alunos a interessantes reflexões sobre a relação entre intensidade/quantidade de vida com o valor dessa mesma vida.
  6. Após este diálogo, no fim da sessão, voltamos à pergunta inicial “Há algo mais importante que a Felicidade?” e perguntamos se alguém mudou de opinião em relação a esta pergunta. É natural que, depois de terem ouvido razões e críticas a favor de um lado e outro da questão a confusão esteja instalada nas cabeças dos nossos alunos e aquilo que parecia uma “certeza absoluta que ninguém podia duvidar” agora não seja mais que uma “mera crença”, algo em que acredito, mas cujo contrário também faz sentido. Se assim for então é porque fizemos um bom trabalho. Afinal o resultado de “certezas absolutas” é, muitas vezes este.

 

Exercício desenvolvido para os meus alunos do 1º ciclo do Colégio Novo da Maia.

 

 

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