O NOSSO FUTURO PÓS-HUMANO

9725645294

Voltei a confrontar-me com este livro 11 anos depois de uma primeira leitura (2004) graças ao meu amigo Rui Vieira da Cunha que o apresentou numa das sessões do Ciclo de Leituras Filosóficas na Biblioteca Municipal de Gondomar, um evento organizado pelo Clube Filosófico do Porto.

Ao apresentá-lo aos meus alunos resumi-o, mais ou menos da seguinte forma:

  • Francis Fukuyama fala-nos de alguns efeitos positivos e negativos da revolução biotecnológica em curso e que, há semelhança de outras revoluções pacíficas anteriores (revolução agrícola há 10 000 a.c., a revolução industrial no século XVII e a revolução tecnológica no século XX) prepara-se para alterar radicalmente as nossas vidas.
  • Os principais argumentos dos defensores da aposta nesta revolução incidem em aspectos individuais, sociais e culturais muito complexos e diversos mas, para simplificar, falei aos alunos de algumas “drogas” e procedimentos cirúrgicos como a DBS (deep brain stimulation), a TMS (transmagnetic stimulation), assim como tecnologias de “brain hacking”, etc., que nos permitirão melhorar significativamente os desempenhos cognitivos do ser humano normal. Outros avanços da biotecnologia dão-se ao nível da eugenia, ou da manipulação genética para a obtenção de “melhores indivíduos”, quer através da possibilidade de os pais escolherem muitas características dos seus filhos, quer através da escolha por parte do governo de embriões livres do “gene da maldade” com vista a uma sociedade melhor, livre de criminalidade.
  • Outro argumento interessante é o da procura da “vida eterna”. Um ideal “transhumanista” que considera o envelhecimento uma doença a ser erradicada como o cancro ou o HIV e a eternidade como uma realidade médica possível dentro de poucas gerações.
  • Para melhor compreensão dos alunos no diálogo classifiquei (grosseiramente) estas três linhas de argumentos como o argumento da “Pílula da Felicidade”, o argumento da “Sociedade Perfeita” e o argumento da “Vida Eterna” e escrevi-as no quadro.
  • Em seguida formulei a pergunta que, a meu ver, dá o mote a toda a argumentação desenvolvida por Fukuyama neste livro (a posição bioconservadorista do autor não foi por mim referida aos alunos, tendo-lhes dito que se a quisessem descobrir teriam de ler o livro que eu, de bom grado, lhes emprestaria).
    • Devemos alterar a Natureza Humana?
    • Exercício desenvolvido para os meus alunos do 3º ciclo do Colégio Novo da Maia.
Anúncios

One thought on “O NOSSO FUTURO PÓS-HUMANO

  1. Ler no título “o nosso futuro” faz-me pensar que essa mudança está próxima. Ainda não sei se é um só querer… É interessante ver que o futuro já não é complicado, talvez por haver apenas um para todos (“nosso”). Mas o homem atual para ser sincero (e sem imaginação), tendo essa ideia de futuro como escolha única, deve reconher essas manifestações robóticas como coisa certa? Não haverá, também já amanhã, uma ideia gémea e, sendo outra e não necessariamente oposta, sugestiva dos momentos feitos (terra dos planos que resultam) para o Homem dos acontecimentos? Tudo se faz diferente sempre e, hoje, importa é falar de futuro. Será que as nações novas terão identidades mutantes que reconhecem vida aos objetos? Existir vida em objetos seria o recomeço do Homem ou o seu fim?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s