FILOSOFIA COM CRIANÇAS_MAWASHI

Mawashi é a arte de brincar com uma caneta ou lápis entre os dedos conseguindo truques mais ou menos complexos e difíceis. Como neste vídeo que se segue.

Com este exercício de Filosofia com Crianças que aqui propomos desafiamos os nossos alunos a aprender e a dominar uma técnica muito básica de “mawashi”, rodar a caneta em torno do polegar. O nosso objectivo não é o domínio do exercício em si mas a tomada de consciência pelos alunos daquilo que precisam conseguir para atingirem esse domínio: observação e consciencialização do movimento, conhecimento de características do objecto, tais como peso e ponto de equilíbrio, atenção aos pormenores, controlo motor, partilha de experiências com os pares, tentativa e erro, análise dos vários movimentos dos dedos, automatização desses movimentos, treino e habituação.

Neste pequeno exercício estará condensado todo o processo de ensino aprendizagem e é exactamente sobre isto que queremos que os nossos alunos pensem na segunda parte deste exercício.

Exercício: Mawashi

Parte 1

1) Observação deste vídeo com o movimento em câmara lenta:

2) Os alunos têm cerca de 30 minutos para, em pequenos grupos, procurarem fazer este exercício. Devem observar o vídeo, percebendo os pequenos pormenores do exercício (posição da mão e dos dedos, movimento da caneta, etc.), praticando, autocorrigindo-se e corrigindo os seus colegas.

Parte 2

3) Ao fim do tempo estipulado é altura de aferir os resultados respondendo a três perguntas:

a) O que aprendeste a fazer com este exercício?

Os alunos devem partilhar com a turma o que aprenderam a fazer durante esse tempo. Alguns alunos revelarão ter tomado maior consciência da dificuldade de efectuar pequenos movimentos com os dedos e que, com alguma prática, foram capazes de aumentar o seu domínio sobre esses pequenos movimentos. Outros que foram capazes de controlar o movimento inicial da caneta mas que ainda não conseguem apanhar a caneta no movimento final.

b)  O que este exercício nos diz acerca da relação ensino-aprendizagem?

Alguns alunos revelam ter aprendido mais observando os colegas ou o vídeo, outros reflectindo mais sobre o exercício e isto diz-nos algo sobre a aprendizagem entre pares, por modelação e imitação, e um tipo de aprendizagem mais individual e introspectiva. Este exercício também nos mostra que a aprendizagem tem um efeito cumulativo em que para dominarmos o movimento completo deveremos começar por decompor e dominar pequenas parcelas desse movimento, partindo de uma total consciência e presença de espírito do que estamos a fazer até um automatismo quase inconsciente. É natural que alguns alunos sintam também algum prazer ao passarem a dominar um pouco melhor o exercício e isso diz-nos algo sobre o prazer que sentimos quando dominamos totalmente uma matéria ou um processo.

c) O que este exercício te fez descobrir acerca de ti mesmo?

Neste ponto poderão surgir considerações sobre a paciência (ou falta dela), o interesse ou desinteresse que o exercício suscitou e a sua relação com a  motivação para a aprendizagem. Numa das minhas aulas um aluno normalmente desinteressado mostrou bastante entusiasmo por ter descoberto algo que o agradava e, aparentemente, tinha jeito, rodar a caneta entre os dedos.

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