FILOSOFIA COM CRIANÇAS E STORYTELLING

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Quem quiser dinamizar sessões de Filosofia com Crianças deve ter presente que as coisas (neste caso os Diálogos Filosóficos entre os nossos alunos) não acontecem por magia. Não basta ler uma história e pedir às crianças que façam perguntas para que estas comecem a dialogar e a filosofar entre si de forma natural e espontânea.

Sobretudo com um grupo novo, ou com alunos pouco habituados a conversar entre si de forma calma e organizada é importante que o professor esteja munido de uma série de técnicas e exercícios que permitam aos alunos acalmarem-se e começarem a ouvir-se uns aos outros. Porque é este o nosso grande esforço, que os alunos se ouçam uns aos outros e não apenas que nos ouçam a nós.

Por influencia do meu filho Bernardo que todas as noites exige uma história nova antes de dormir comecei a interessar-me por fábulas, lendas e contos infantis e descobri um enorme manancial na tradição da literatura oral. Por coincidência cruzei-me em Moscovo com o Patrick Ryan, um storyteller irlandês e passei uma tarde inteira a deliciar-me com as suas histórias com sotaque irlandês (e cigano e africano e, até, português) enquanto bebíamos sangria branca no Gorki Park (sim, o mesmo parque das histórias de espionagem dos anos 80). Por sua indicação cheguei também ao Jack Zipes cujo trabalho vale a pena conhecer.

Juntamente com as suas histórias o Patrick ensinou-me também algumas técnicas que usa nos seus cursos de storytelling e escrita criativa (tem um projecto em Londres onde ensina jogadores de futebol da Premier League a contar histórias a crianças em escolas) e imediatamente me pus a pensar como aplicá-las a sessões de Filosofia com Crianças.

Este é um dos exercício que o Patrick me ensinou, adaptei-o ligeiramente e já o experimentei em algumas sessões com os meus alunos do pré-escolar. Funciona lindamente.

Além de um bom exercício de criatividade e pensamento lógico e consequente a sua dinâmica faz com que as crianças fiquem grandes períodos de tempo concentradas no que os seus colegas dizem (as crianças adoram histórias) e dessa forma vão-se habituando ao Diálogo e à escuta activa.

Exercício: Contar uma História

“Vamos inventar uma história e contá-la aos nossos amigos.”

1 – Todos os alunos sugerem o nome de um animal e de uma máquina (ex: elefante, submarino, touro, máquina de pizzas, etc.)

2 – Cada aluno escolhe um par (ex: elefante e máquina de pizzas)

3 – E sugere um título com esses elementos (ex: O elefante que comeu uma máquina de pizza)

4 – Todos pensam numa história e contam-na ao seu colega do lado.

(exemplo de uma história contada por um menino de 5 anos: “Um elefante estava a caminhar pela selva cheio de fome. Não havia mais árvores para comer. Foi então que viu uma máquina de fazer pizzas e foi ter com ela. Estava com tanta fome que comeu a máquina de pizzas. Mas depois de comer a máquina de pizzas não pode comer as pizzas e ficou outra vez com fome.”). 

5 – Os alunos que quiserem levantam-se  e contam a sua história ao grupo todo.

6 – No final fazem um desenho que ilustre a sua história.

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