Filosofia Crítica

"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.com

CAIXA DE PANDORA – Palavras para Pensar

Pensar e dialogar de forma competente implica necessariamente conhecer um certo número de palavras e conceitos que nos permitem, ao mesmo tempo, pensar e comunicar os nossos pensamentos aos outros.

A grande maioria das “palavras para pensar” desta lista foram propostas por Robert Ficher neste artigo e todas elas são ferramentas que deveremos procurar que os nossos alunos dominem para os ajudar na tarefa de pensar e falar sobre os problemas que vão encontrando nas sessões de Filosofia com Crianças (e não só).

É importante notar que estas “palavras para pensar” só serão de alguma utilidade para os nossos alunos se forem efectivamente utilizadas por eles em contexto de Diálogo Filosófico e não simplesmente memorizados os seus significados (o seu significado é o uso, neste caso).Na realidade o mais normal é os alunos já possuírem as capacidade de raciocinar que lhes é pedido pelos exercícios aqui propostos. Aos 5, 6 anos as crianças já são capazes de comparar e contrastar objectos e acontecimentos, estabelecer distinções, apresentar razões, dar exemplos, etc. Ou seja, a utilização destas palavras em exercícios com as crianças não pretende transmitir-lhes capacidades e competências que estas ainda não possuem mas, antes, possibilitar o exercício consciente dessas mesmas competências e capacidades já presentes nas crianças desde muito cedo.

Estas palavras devem ser vistas como “ferramentas conceptuais” que os alunos tomam conhecimento que já possuem e utilizam normalmente para pensar e dialogar e não como “objectos decorativos” para exibição num hipotético teste de conhecimentos ou concurso de cultura geral. Como tal estas palavras devem ir sendo incorporadas nos exercícios de Diálogo Filosófico de forma natural e gradual ao longo dos anos e de forma a que os alunos interiorizem o seu uso à medida que vão necessitando desses conceitos para pensar e dialogar entre si.

A divisão etária aqui proposta (da minha responsabilidade) é meramente indicativa e não é estanque pelo que cada professor pode (e deve) incluir ou excluir os conceitos que achar mais adequados aos seus alunos.

Assim, três coisas devem estar presentes na mente do professor que quiser introduzir estas “palavras para pensar” durante os Diálogos Filosóficos que moderar com os seus alunos:

1 – Deverá planear as suas sessões e exercícios de forma a que os alunos sintam necessidade de utilizar estes conceitos de forma natural, em diálogo com os seus colegas e não decorando-os a partir de uma lista fornecida pelo professor.

2 – Não se preocupar em percorrer todas os “conceitos” da lista mas concentrar-se naqueles que achar mais importantes e adequados aos seus alunos, aos exercícios, à evolução que pretende para o grupo e aos temas abordados nas sessões de Diálogo Filosófico.

3 – Procurar, de forma periodica, percorrer com os seus alunos a lista de “palavras para pensar” por forma a perceber o seu grau de interiorização e ir adaptando os exercícios e vocabulário utilizado às faixas etárias que julgar adequadas.

Entre parêntesis (…) e à frente de algumas destas “palavras para pensar” sugiro também alguns exercícios de Diálogo Filosófico do meu projecto CAIXA DE PANDORA que poderão ajudar o professor a introduzir subtilmente estes conceitos na “caixa de ferramentas conceptual” dos seus alunos.  Alguns dos conceitos como “Concordar – Discordar”, “Saber – Acreditar” ou “Dar uma razão” e “Perguntar porquê?” são obviamente utilizados em todas situações de Diálogo entre os alunos pelo que não há necessidade de especificar alguns exercícios para a sua utilização.

 

Lista de “Palavras para Pensar”

“Mini-Exploradores” e “Exploradores Júniores” (pré-escolar e 1º ciclo)

Aceitar – Rejeitar; Bom – Mau (Bem e Mal); Concordar – Discordar; Clarificar – Confundir; Comparar – Contrastar (Bola – Balão); Razão; Porquê?; Escolho eu – Escolhem por mim (Caixa das Escolhas); Justo – Injusto (Anel de Giges); Mesmo – Outro (O Barco de Teseu; O Rio de Heraclito); Saber – Acreditar (Sabemos?); Ouvir – Falar; Possível – Impossível (Caixa das Coisas Impossíveis); Mistério – Filosofia; Responder – Perguntar; Real – Irreal (Caixa das Coisas Reais, Três bananas); Certo – Errado (Caixa do Bem e do Mal); Regras (O Jogo das Regras); Semelhante – Diferente (O Jogo das Setas); Sugerir (O que isto pode ser?) Falar – Discutir; Pensar – Pensamentos – Ideias; Pontos de Vista – Opiniões; Problema  – Solução; Pergunta – Resposta; Verdadeiro – Falso – Mentira

“Exploradores Séniores” (5º, 6º e 7º anos)

Abstracto – Concreto (Um símbolo para…); Absoluto – Relativo (Bem e Mal); Análisar – Classificar; Argumentar – Persuadir; Argumento – Disputa; Analisar – Avaliar; Mente – Cérebro (O cientista maluco); Causa – Efeito; Classificar – Categorizar (O Essencial); Claro – Ambíguo; Criticar – Dizer mal; Imprecisão – Vagueza; Comparar – Contrastar ; Decidir – Escolher (O jogo das decidições); Explicar – Justificar; Exemplo – Contra-Exemplo (Caixa da Vida”; Caixa das Coisas Reais); Facto – Opinião; Essencial – Acidental; Fundamental – Acessório (Qual a pergunta mais fundamental?; Que pergunta farias a Deus?; O Essencial); Hipótese – Afirmação Factual (O que isto pode ser?; O Prisioneiro Voluntário); Idêntico – Contrário; Imaginar – Imaginação (Três Bananas); Infinito – Finito – (O que havia antes do Universo; Viagem ao Fim do Universo – conto); Interpretação – Ponto de Vista; Justificado – Injustificado; Condição Necessária/é preciso para – Cond. Suficiente/não precisa nada mais para (Bonito e Feio; Caixa da Vida; O Essencial); Objectivo – Subjectivo (Bonito e Feio); Observar – Interpretar (Bonito e Feio); Paráfrase – Sumário; Prova – Exemplo; Provar – Contestar; Refutar; Perguntas Abertas – Perguntas Fechadas; Pertinente – Impertinente; Relevante – Irrelevante; Regra – Excepção à Regra; Simplificação; Tempo – Eternidade (O que havia antes do Universo?; Problemas com o Tempo); Critérios (Flor bonita e Flor feia; Caixa da Vida); Dilema (O dilema de Heinz; O dilema do trólei; O jornalista saudável); Plausível – Implausível; Possíbilidade – Probabilidade – Certeza (Sabemos?); Prever  – Avaliar; Equilibrado – Preconceituoso; Premissa – Conclusão; Princípios – Bases das Crenças

“Aventureiros” (8º e 9º anos)

Analogia – Metáfora; Pressuposto – Asserção; Autoridade – Plausibilidade; Coerente – Incoerente; Conteúdo – Contexto; Explícito – Implícito; Falácia; Implicações – Consequências; Inferir – Implicar – Ligar; Inferir – Deduzir; Livre-Arbítrio – Determinismo; Liberdade – Necessidade (O Prisioneiro Voluntário; Animações Filosóficas da Porto Editora – autoria Tomás Magalhães Carneiro); Lógico – Ilógico; Significado – Definição (Diálogos Socráticos); Racional – Irracional; Dar uma razão – Explicar; Razão – Crença – Intuição; Razões – Argumentos; Verdade; Validade (Animações Filosóficas da Porto Editora – autoria Tomás Magalhães Carneiro)

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