CAIXA DE PANDORA – USOS POSSÍVEIS

“Para que é que isto pode servir?

O nosso pensamento encontra-se rigidamente ligado ao uso comum que damos aos objectos que nos rodeiam e aos conceitos que utilizamos. Muitas vezes só vislumbramos um caminho com uma forma de ver as coisas ou uma forma de fazer as coisas. O mesmo acontece com as crianças. No entanto, ser capaz de pensamento crítico é também, ser capaz de pensar em alternativas, ver as coisas de um outro ponto de vista, pensar em novas hipóteses, arriscar sugestões, etc. Pensar desta forma é ser capaz de “pensamento divergente”, e quando convidadas a isso e devidamente estimuladas pelo Diálogo em grupo, as crianças são capazes de muito mais “pensamento divergente” que nós adultos.

Este exercício foi desenvolvido para ajudar as crianças a sair desse “ponto de vista comum” convidando-os a ver as coisas de uma outra perspectiva, imaginando situações possíveis (mesmo que improváveis) através de uma ferramenta conceptual muito comum entre os “filósofos crescidos” com que as crianças adoram brincar: a ideia de “mundos possíveis”.

Como muitos outros exercícios da CAIXA DE PANDORA este exercício foi concebido para incentivar as crianças a arriscarem “pensar o impensável”.

Exercício

1) Apresentar aos alunos um objecto comum e perguntar quais os usos possíveis que este pode ter e não os que normalmente tem.

2) Listar as sugestões das crianças que forem surgindo pedindo sempre que justifiquem aquilo que dizem

Com um grupo de 10 a 15 crianças crianças podemos esperar facilmente mais de 50  sugestões diferentes e é de esperar que avancem muitos e variados exemplos de uma utilização diferente da comum. No entanto é de suprema importância ter em conta que numa sessão de Filosofia com Crianças não se pretende que as crianças falem muito mas que falem bem. Queremos que as crianças tenham consciência daquilo que dizem e da intenção com que o dizem e, para conseguirmos essa tomada de consciência devemos evitar o livre debitar de ideias e sugestões mais ou menos loucas pedindo-lhes que justifiquem essa sua ideia e expliquem como seria possível essa “utilização incomum” que pode ser através de uma alteração do tamanho do objecto, do contexto da sua utilização, da substituição de um “utilizador humano” por um “utilizador animal” ou, mesmo, um utilizador extra-terrestre.

3) Em Diálogo com os alunos escolher qual o “uso incomum” mais interessante.

4) Dar um novo nome ao objecto tendo em conta esse “uso incomum”.

Pergunta inicial – “Para que é que isto pode servir?

Um pente 

Um tijolo

Um clip

Sessão com alunos de 4-5 anos

Para que pode servir isto? (pente)

– Pode servir para tomar banho;

– Para subir às árvores se for um pente gigante;

– Fazer de escadas;

– Descer árvores;

– Pode ser uma mangueira para apagar fogos;

– Pode servir para cortar coisas, ou para picar;

– Podia ser um porta-chaves, se fosse pequenino;

– Uma chave para abrir fechaduras;

– Uma chave para abrir a arca de tesouros dos piratas;

– Pode ser uma coisa para fazer bandeiras pequeninas;

– Pode ser um foguetão (poucos “filósofos” aceitaram esta sugestão pois “aquilo” não tinhas “aquelas coisinhas à volta como o foguetão, portanto não pode ser um foguetão.

Para que pode servir isto? (tijolo)

– Para construir casas;

– Para construir garagens;

– Dá para pôr livros nos buraquinhos;
– Dá para construir um avião;

– Dá para guardar brinquedos nos buraquinhos;

– Dá para pôr garfos pequeninos;

– Dá para pôr pregos.

– Dá para ser um brinquedo;

– Não pode ser um brinquedo porque não pode ser nem um carro de madeira nem um boneco de madeira;
etc.

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