Filosofia Crítica
"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.comArquivo de Novembro, 2010
52º CAFÉ FILOSÓFICO_Segundo Aniversário
A questão que orientou o diálogo de hoje no Clube Literário do Porto foi-me colocada por uma amiga “Jovem Filósofa” a Carolina Valadas.
Neste dia em que assinalámos o segundo aniversário do Café Filosófico (a primeira sessão de Novembro de 2008 aqui ) andámos cerca de duas horas a tentar saber
Como sei que estou a ser eu próprio?
Agradeço a todos os meus amigos filósofos que me têm acompanhado nos últimos dois anos nestas muitas horas de conversa filosófica. Vocês têem-me enriquecido enormemente.
Abraços!
Notas da sessão aqui
Foto de José Rui M. Correia
Formação Professores em Gondomar
CURSO DE FORMAÇÃO: 25 HORAS
FILOSOFIA PRÁTICA: técnicas e exercícios de debate filosófico em sala de aula
Acção Creditada pelo CCPFC para Professores de Filosofia, Grupo 410
Janeiro 2011 : dia 7 - 19h00 às 22h00 // dia 8 – 09h00 às 13h00 // dia 14 - 19h00 às 22h00 // dias 15, 22 e 29 - 09h00 às 13h00
Fevereiro 2011 : dia 5 – 09h00 às 13h00
Local: Escola Secundária de Rio Tinto
Inscrições on_line em: http://www.cfjulioresende.org/
Mais informações em: http://www.cfjulioresende.org/docs/filosofia.pdf
CAFÉS FILOSÓFICOS NA AFONSO HENRIQUES
Celebração do “Dia Internacional da Filosofia” com a realização de três ”Cafés Filosóficos“ com a participação de todos os alunos do 11º ano na Biblioteca da Escola Secundária Afonso Henriques em Vila das Aves.
Agradeço o convite à Fernanda Moura Pinto, a todos os colegas da E.S. Afonso Henriques e aos alunos pela recepção e vontade que demonstraram em filosofar comigo.
QUANDO É QUE DEVEMOS ACEITAR A AUTORIDADE?
Diálogo Socrático realizado na Formação em Filosofia Prática e Pensamento Crítico na Flup (1ª Edição 2010).
Relatório Crítico da Formanda Ana C. B.
O DIÁLOGO SOCRÁTICO
Sua importância e legitimidade para um falar partilhado
Fazer Filosofia, filosofar, partilhar conceitos através do diálogo. Esse é um dos maiores desafios do filósofo ou do aprendiz de filosofia. A verbalização, a argumentação, a partilha de ideias envolve não só o poder lógico do pensamento, mas, igualmente, a capacidade do sujeito singular partilhar as suas ideias, torná-las visíveis ao próximo e com ele adiantar-se no pensamento.
Em minha opinião, essa é a consistência e a legitimidade maior do diálogo socrático, um processo maiêutico a partir do qual parimos palavras de debate, de crítica, que vamos paulatinamente enlaçando num “discenso comum”. O ponto de partida do diálogo socrático são os exemplos concretos da vida do ser humano, neste caso formativo, da vida dos formandos, aprendizes em fazer filosofia. A experiência de vida está em nós, brota de nós e é a partir dela que podemos começar a orientar-nos no pensamento. Pela escolha comum uma pergunta surge:
“Quando devemos aceitar a autoridade?”
Para lhe responder experiencialmente e argumentativamente oito passos filosóficos temos de seguir como via, caminho: 1. pensar em exemplos universalizáveis; 2. honestidade intelectual (sem agendas escondidas); 3. clareza e brevidade; 4. participação activa; 5. compreensão total; 6. ajuda mútua (entre os membros do grupo de discussão); 7. abstracção regressiva (passagem do exemplo à construção verbal do conceito); 8. persistência (nunca desistir ou escudar-se na dúvida).
O primeiro exemplo analisado pelo grupo foi o exemplo do João (autoridade por competência funcional): Uma aluna questiona o João se vão haver ou não exames intermédios de Filosofia na Escola? O João, enquanto Professor, sabe do parecer favorável ou não do Conselho Executivo da escola acerca desta questão, mas não revela a resposta à aluna em prol da autoridade funcional do Conselho Executivo da Escola. Deste primeiro exemplo, surge uma primeira definição do conceito de autoridade:
“Devemos aceitar a autoridade quando esta tem a competência adequada e há um reconhecimento pessoal da sua necessidade.”
Através da abstracção regressiva conseguimos apropriar a ideia-chave do exemplo e chegar a uma definição de autoridade, definição esta que não abarca o todo, mas que contém implícita a necessidade de respeitar a autoridade da Escola no primeiro exemplo dado pelo João. Contudo, a situação tomou contornos mais filosóficos quando outros exemplos se foram adentrando no diálogo.
No seguinte exemplo da Helena (autoridade por sujeição – imposição à autoridade): Um dia, ao deixar o filho na Escola, Helena foi abordada por um polícia que advogava que o seu carro estava mal estacionado: “não pode estar em cima do passeio”. Helena retirou o carro. Mais tarde, repara que uma senhora de jipe estaciona no mesmo lugar onde teria sido anteriormente advertida pelo polícia. O polícia nada diz à senhora do jipe e Helena reclama com o polícia colocando em causa a sua autoridade. O polícia não gosta da abordagem de Helena, e ambos afastam-se, sobretudo Helena com medo de represálias… Seguindo este exemplo a primeira resposta à pergunta “quando devemos aceitar a autoridade” já não se adequava. E, neste horizonte, a reformulação da resposta centrou-se numa outra pergunta:
Será a sujeição da Helena à autoridade do polícia, embora ilegítima, uma forma de aceitação?
De facto, Helena não se rebelou contra a apatia do polícia em relação à senhora do Jipe, sujeitou-se, aceitou a apatia do polícia com medo das consequências… E assim [chegámos à resposta com que demos por terminado o nosso Diálogo Socrático]:
“Devemos aceitar a autoridade quando lhe reconhecemos a competência adequada ou quando nos sujeitamos à sua necessidade.”
A dúvida no caso da Helena – na relação sujeição/aceitação – não paralisou a construção da nossa resposta, mas empoderou-a, ou seja, abarcou outras dimensões da aceitação da autoridade por nós, primariamente, impensadas.
As aporias [sempre presentes num bom diálogo socrático] encaminharam-nos para a verdade, pelo menos para o aclarar de um caminho percorrido na aposta segura dos argumentos do grupo sobre a questão da autoridade, sem medo de represálias…
Nota Final: Este Diálogo Socrático teve a duração de 9 horas ocupando 1/3 do total de horas da Formação (27h)
50º CAFÉ FILOSÓFICO – CASA BARBOT GAIA
Café Filosófico | 18 de Novembro | 21h00
O 50º Café Filosófico realiza-se no próximo dia 18 de Novembro (Dia Internacional da Filosofia) na Casa da Cultura de Gaia/Casa Barbot (Metro: General Torres).
Este Café Filosófico realizar-se-á todas as terceiras quintas-feiras de cada mês às 21h00.
Hoje (18 de Novembro de 2010) é o Dia Internacional da Filosofia.
Julgo que não há melhor forma de homenagear esta área da cultura humana (e todos aqueles que no passado contribuiram para ela) que voltar aos seus inícios, onde esta aventura do espírito começou, há cerca de 2500 anos com uns indivíduos como nós que deambulavam pela ágora ateniense sem, aparentemente, ter mais nada que fazer além de discutir filosofia.
Foi nesses encontros entre Sócrates e os seus amigos, seres humanos nem mais livres nem mais racionais do que nós, que nasceu a filosofia e, como tudo o que nasce, aí a encontramos na sua forma mais pura: o exame racional de um problema através do Diálogo.
São esses Diálogos que pretendemos reavivar nos Cafés Filosóficos.
O próximo é já hoje às 21h00 na Casa da Cultura de Gaia.
Apareçam!
“Café Filosófico” gerou debate vivo na Casa Barbot
Texto da jornalista Catarina Silva
INSCRIÇÕES ABERTAS
WORKSHOP DE FILOSOFIA PRÁTICA E PENSAMENTO CRÍTICO
Melhore os seus desenpenhos cognitivos e argumentativos
Local: Clube Literário do Porto
Datas: 29 e 30 de Novembro (21h30 – 23h30)
Inscrições: revistaumcafe@gmail.com (max. 20 inscritos)
Custo: 40€ (+ 2 pessoas 35€)
FILÓSOFOS A BRINCAR: PERGUNTAS COM PORQUÊS
Filosofia com Crianças no Jardim de Infância A Flor
Objectivos do curso Filósofos a Brincar.
- Formular questões incentivando a curiosidade.
- Desenvolver o pensamento autónomo e criativo
- Pensar sobre as suas experiências particulares (tomar banho sozinho, brincar, etc.)
- Aprender a ter paciência e a “perder tempo” com os problemas com que se deparam.
- Tornar os alunos fecundos, i.e., cheios de dúvidas e ávidos de respostas. O primeiro passo para iniciarem eles mesmos e em conjunto a aventura do conhecimento.
Exercício: Perguntas com “porquês” (4-5 anos)
Por que é que tiraste o casaco? (Afonso); Por que é que estás a falar? (Mª Leonor);
Por que é que os frutos ficam podres? (Tomás); Por que é que tiraste os sapatos? (Catarina Leite);
Por que é que pintas os lábios? (João Nuno); Quem quer fungar o nariz? (Mª João);
Por que é que bebeste água? (Inês); Por que é que se bebe água? (Francisco);
Por que é que se vai para a banheira? (Teresa); Por que é que nós andamos de mota? (Catarina Moutinho);
Por que é que se liga o rádio? (Francisco); Por que é que tu almoças? (Joana);
Por que é que se dorme à noite com dois ursos? (Beatriz); Por que é que empurras a cadeira? (Clara);
Por que é que comes bacalhau? (Francisco); Por que é que fazemos xixi? (Afonso);
Por que é que brincamos com jogos? (Mª Leonor); Por que é que brincamos com cestos? (Catarina Leite);
Por que é que brincamos aos piqueniques? (Inês); Por que é que tu brincas com os meninos? (Teresa)
Os alunos ficaram de levar a sessão de filosofia para casa procurando respostas a estas (e outras) perguntas junto dos pais!!
nota: Soube hoje pela sua educadora que os meninos ao almoço, levantando-se para falar à vez, jogavam de forma espontânea o “Jogo dos Porquês?”
- “Por que é que o céu é azul?”
- “Por que é que comemos com talheres?”
- “Por que é que sou menino?”
…
O bichinho da filosofia quando pega não larga
Professor: Tomás Magalhães Carneiro
Sessões Mensais durante o ano lectivo 2010/2011
Filósofos a Brincar – Perguntas com porquês

Filosofia com Crianças no Jardim de Infância Chapéu de Palha
(4/5 anos)
Objectivos do curso Filósofos a Brincar.
- Formular questões incentivando a curiosidade.
- Desenvolver o pensamento autónomo e criativo
- Pensar sobre as suas experiências particulares (tomar banho sozinho, brincar, etc.)
- Aprender a ter paciência e a “perder tempo” com os problemas com que se deparam.
- Tornar os alunos fecundos, i.e., cheios de dúvidas e ávidos de respostas. O primeiro passo para iniciarem eles mesmos e em conjunto a aventura do conhecimento.
Perguntas com porquês
- Por que não podemos desenhar? (Constança S.)
- Por que não nos podemos mexer? (Raúl)
- Por que é que podemos desenhar? (Rodrigo)
- Por que não podemos brincar? (Pedro)
- Por que é que os adultos não podem brincar? (Constança L.)
- Por que é que não podemos mexer no que os professores têm? (João)
- Por que é que não podemos mexer nas coisas que não estão quietas? (Tomás)
- Por que é que não se pode tomar banho sozinho? (Mafalda)
- Por que é que não se pode mexer nos livros dos meninos e das meninas? (Sofia)
Este exercício “Perguntas com porquês” além de ser uma forma de envolver toda a turma na investigação filosófica (todos podem sugerir um tema que lhes interesse) é também uma estratégia para atenuar um pouco o receio à participação por parte de algumas das crianças (fazer perguntas é-lhes muito natural e fácil). É uma forma também de termos à nossa disposição um leque grande de “pontas” ou temas possíveis por onde dar início à nossa investigação.
Começámos por tentar responder à pergunta da Mafalda: Por que é que não se pode tomar banho sozinho?
“Só as crianças é que não podem”, disse-nos o Raúl enérgico a abrir o debate. “E quando é que vão poder?” A Constança L. antecipou-se “Só quando ficarem adultos.” E quando é que isso vai ser? “Quando comermos muito”, concluiu o João.
Insatisfeito com a sua resposta inicial o Raúl lançou outra hipótese: “Não podemos tomar banho sozinhos porque caímos”, e a Sofia completou ”Não podemos tomar banho sozinhos porque escorregamos.”
Hum…! E isso não é a mesma coisa, escorregar e cair? “Nãooo!”, “Siiim!”, dividiu-se a turma.
Tentámos aprofundar um pouco a seguinte questão: “O Raúl e a Sofia disseram a mesma coisa ou disseram coisas diferente?”
“Não dissemos a mesma coisa. Eu disse escorregar e o Raúl disse cair.” (Sofia)
“Escorregar é cair e magoarmo-nos.” (Rodrigo)
“Escorregar é antes de cair.” (Constança L.)
Após esta breve análise conceptual decidimos passar para outra questão, a lançada pelo Tomás: “ Por que é que não podemos mexer nas coisas que não estão quietas?
Neste ponto encontrámos alguma dificuldade em entender-nos quanto ao que constituia o conjunto das coisas que não estão quietas, pelo que pedimos ao grupo exemplos de coisas que não estão quietas. “Vamos procurar coisas nesta sala que não estão quietas.”
“Aquele macaco (de plástico)”, apontou o Rodrigo.
“Mas aquele macaco está quieto. É um boneco.” (João)
“Mas lá fora (o macaco real) não está quieto. Está sempre a mexer-se”, respondeu o Rodrigo mostrando que aos 4 anos uma criança já domina bem as subtilezas do pensamento analógico, neste caso as semelhanças conceptuais entre o macaco de plástico (a representação) e o macaco real (o representado).
Como o macaco real não estava presente poderia tornar mais difícil a nossa tarefa de descobrirmos por que é que não podemos mexer nas coisas que não estão quietas e por isso continuámos à procura de coisas nesta sala que não estão quietas.
Era uma tarefa realmente difícil pois tudo na sala parecia estar parado, mas com a ajuda da educadora Sara conseguimos identificar umas nuvens de cartão suspensas por um fio à janela e que se moviam ligeiramente se olhássemos com atenção.
Dirigimos, então, a nossa investigação para as nuvens. “Então, não podem mexer naquelas nuvens?”
“Nãaaao!” Responderam em uníssono. “E porquê?”, perguntei.
“Porque estão presas com fita cola e se lhes tocarmos caem”. “Porque os adultos não deixam”. “Porque estão presas por um fio”. “Porque são de papel”. “Por que fomos nós e as professoras que as pusemos lá.” Foram respondendo os alunos de forma mais ou menos confusa, entusiasmados por finalmente todos terem algo de relevante a dizer para a nossa investigação uma vez que todos participaram no fabrico e afixação das nuvens de cartão e, dessa forma, todos sentiam ser uma espécie de autoridade sobre o assunto.
“E as nuvens lá de fora? Por que é que não podem tocar nelas?”
Após uns breves segundo de reflexão o grupo percebeu a ligeira mudança de sentido no conceito de “possibilidade” que esta nova pergunta acarretava. O ”não poder” tocar nas nuvens de cartão não é o mesmo tipo de “não poder” tocar nas nuvens lá de fora. No primeiro caso trata-se de uma impossibilidade imposta por regras (“não posso tocar porque não me deixam”), no segundo caso de uma impossibilidade física (“não posso tocar porque não consigo.”)
“Não podemos por que se formos lá, às nuvens, caímos no chão e magoamo-nos”, arriscou o Raúl, que fazia questão de ser sempre o primeiro a responder. “Não podemos porque se formos lá caímos no rio”, segundo a Sofia. E ainda “não podemos porque se formos lá caímos no mar”, disse-nos a Constança S.. Já para o Rodrigo simplesmente “não podemos porque estão muito alto e não chegamos lá.”
Foi interessante ver como as crianças rápidamente compreenderam a mudança para este novo sentido do conceito de possibilidade o que nos diz muito sobre o conhecimento que estas crianças já possuem sobre o funcionamento da língua e o significado das palavras.
No fim da sessão os alunos desenharam qualquer coisa que tivessem gostado de falar durante a sessão de filosofia. Os temas escolhidos foram as nuvens, as pedras, o rio e o mar, os barcos e um menino magoado (de cair na banheira, imagino). Os desenhos serão depois entregues aos pais como pretexto para continuarem a investigação em casa: “Por que é que não podemos tocar nas nuvens?”, “Por que é que não podemos tomar banho sozinhos?”, etc.
Nota: estas sessões de Filosofia com Crianças decorrem todas as primeiras sextas-feiras de cada mês no Jardim de Infância Chapéu de Palha no Porto.





