Filosofia Crítica

"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.com

Ferramentas para Pensar e Dialogar

Objectivos

Descobrir, compreender e melhorar a forma como raciocinamos.

Identificar e nomear os vários “momentos” de um argumentos e raciocínio.

Fornecer ferramentas para pensar de forma crítica sobre qualquer assunto.

Ajudar o professor a moderar um diálogo em sala de aula.

Estrutura

1)     Competências, estratégias e formas comuns de raciocínio e argumentação

2)     Erros comuns de raciocínio e argumentação

3)     Truques retóricos de persuasão e evasão

4)     Factores psicológicos que impedem o raciocínio claro.

5)     Ferramentas para o moderador (em construção)

6)     Bibliografia

Introdução

Desde 2006 que tenho vindo a trabalhar nas áreas do Pensamento Crítico (Curso de Pensamento Crítico para Jovens; Aplicação de Técnicas de Pensamento Crítico a Discussões Filosóficas Reais) e da Filosofia Prática (Cafés Filosóficos, Filosofia com Crianças e Jovens, Oficinas de Filosofia, Debates Filosóficos, Acções de Formação e Diálogos Socráticos). Este pequeno glossário – Ferramentas para Pensar e Dialogar - surgiu da necessidade que senti em identificar e nomear muitas das estratégias e erros de raciocínio que os alunos (e não só) frequentemente cometem, assim como identificar e nomear certas dificuldades que quem tenta moderar um diálogo filosófico com os seus alunos seguramente irá encontrar.

Muitas entradas deste glossário são retiradas directamente desse meu “trabalho de campo”, isto é, são fruto de um contacto directo com as diferentes formas como diferentes pessoas raciocinam e argumentam. A grande maioria dessas entradas já se encontra referenciada e aprofundada em muita bibliografia especializada sobre o assunto (as iniciais no fim de cada entrada remetem para a sua fonte indicada na bibliografia), mas infelizmente pouco desse material se encontra disponível em Português.

Todas as sugestões, críticas e correcções que os prezados  leitores queiram enviar serão sempre bem-vindas.

Aproveito para deixar aqui o meu agradecimento a todos os Filósofos (Jovens e menos Jovens) que através de inúmeras e riquíssimas discussões nos últimos anos me têm ajudado a percorrer os dificílimos caminhos do pensamento filosófico.

Ainda estamos muito no início!

1)     Formas comuns de raciocínio e argumentação

advogado do diabo

 

Método argumentativo em que se procura atacar da melhor forma possível um argumento, não porque se discorde desse argumento, mas para procurar torná-lo mais forte. Por este método testamos um argumento até ao limite, procuramos derrubá-lo, apesar de podermos concordar com ele.

O pressuposto desta técnica argumentativa é que se um argumento aguentar o escrutínio de alguém que procura minuciosamente as suas fraquesas, então é provável que seja um bom argumento.

Quem usa esta técnica pode (injustamente) ser acusado de hipócrita, uma vez que aparentemente está a defender algo em que não acredita. No entanto, pelo que atrás ficou dito, percebemos que essa crítica não é justificada.

No seu conhecido argumento céptico, “A dúvida metódica”, Descartes começou por examinar todas as possíveis críticas dos cépticos ao seu argumento fundacionalista do conhecimento procurando antecipar essas mesmas críticas e fortalecer dessa forma o seu argumento.

amostra

 

Elementos de um grupo cuja observação concreta serve de base para uma generalização.

Para verificar se os grão de café de um determinado lote estão bons para consumir, retira-se uma amostra aleatória de grãos para análise. Em princípio a qualidade dessa pequena amostra é representativa da qualidade do lote completo.

Por vezes a amostra pode não ser representativa do grupo, como acontece quando se quer sondar a opinião “dos portugueses” sobre determinado assunto tendo como base de observação uma amostra de cidadãos portugueses adultos residentes em grandes cidades. Neste caso concreto, como há uma série de pontos de vista e opiniões que não se vêm representadas na amostra (jovens residentes em aldeias, por exemplo) diz-se que a amostra é enviesada.

O contrário de uma amostra enviesada é uma amostra representativa.

(PW)

ver também generalização; generalização abusiva

analogia

 

Uma analogia consiste, basicamente, numa comparação entre duas relações. No entanto uma analogia é mais complexa que uma simples comparação. Numa analogia procura dar-se ênfase  a algumas semelhanças entre o que é comparado com o objectivo de explicar ou clarificar o menos conhecido por semelhança com o mais conhecido.

O Dr. Antunes explicou-nos a infecção de um organismo recorrendo à analogia de um exército invadindo um país.

Por vezes as analogias não funcionam, ou seja não clarificam nem aprofundam o nosso conhecimento de algo, seja porque as duas coisas comparadas não são de facto semelhantes, seja porque se está a ocultar algumas diferenças importantes.

(PW)

ver também analogia, argumentar por; generalização; comparação; classificação

analogia, argumentar por

 

“Se olharmos à nossa volta encontramos enormes semelhanças entre o mundo natural e o mundo criado pelo homem. Veja-se por exemplo o olho humano (e de outras espécies) e a lente de uma câmara fotográfica, ou a complexidade de uma colmeia e a de uma metrópole qualquer. Dado que nem a lente de uma câmara nem a organização de uma metrópole surgiram por acaso mas, antes, foram resultado de uma operação intencional e inteligente de alguém, também o mundo natural foi o resultado de uma operação intencional e inteligente de alguém. Esse alguém só pode ser Deus.”

 

Uma analogia consiste numa semelhança entre duas relações. Uma analogia é utilizada num argumento com base no pressuposto de que se umas coisas são parecidas em alguns aspectos, são provavelmente parecidas noutros.  Porém, este pressuposto pode ser posto em causa.

No argumento dado no primeiro exemplo – conhecido como o Argumento do Design – uma aparente semelhança entre dois tipos de coisas – coisas humanas e coisas naturais – é tida como a prova de que essas duas coisas têm de ter origens semelhantes, neste caso uma “operação intencional e inteligente de alguém. Esta premissa, aliada ao pressuposto de que só Deus pode ser esse ser intencional e inteligente capaz de criar o mundo natural, leva à conclusão de que Deus tem de existir.

Apesar de bastante utilizado – em variadíssimas formas – este argumento parte de uma fraca analogia. Apesar de haver algumas semelhanças entre, por exemplo, um olho e uma câmara (ambos têm uma lente; ambos captam luz do exterior; etc.), existem inúmeros outros aspectos em que ambos são muito diferentes (o olho faz parte de um organismo vivo, a lente faz parte de uma máquina; o olho teve a possibilidade de evoluir ao longo de milhões de anos num processo explicado pela teoria da evolução das espécies, a lente não; etc.).

Como o Argumento do Design depende de uma fraca analogia a sua conclusão acerca das causas dos objectos naturais também tem de ser fraca (apesar de poder ser verdadeira!).

Neste exemplo concreto temos à nossa disposição uma forte  alternativa para as semelhanças encontradas. Por ex. “o olho evoluiu por selecção natural, de um mecanismo muito simples de absorção de luz até aos olhos dos seres vivos actuais. Os seres humanos usaram esse olho, fruto dessa tecnologia natural, como modelo para construirem lentes.”

Assim, o Argumento do Design não é uma prova sólida da existência de Deus porque, em primeiro lugar acenta numa fraca analogia, e em segundo lugar porque existe uma explicação alternativa aceite consensualmente pela comunidade científica, nomeadamente a teoria darwiniana que explica o design aparente dos organismos vivos através do “trabalho impessoal do ambiente combinado com a heriditariedade.”

Para que um Argumento por Analogia tenha alguma força é necessário que a analogia seja relevante em alguns aspectos importantes. E aqui o Pensador Crítico tem de estar atento ao contexto e às nuances de linguagem para ajuízar devidamente a relevância de uma analogia.

 

“As sementes estão para a terra assim como os pensamentos estão para a mente.”

Qual o significado desta analogia?

argumento

Argumentar é uma forma de persuasão racional. O objectivo de um argumento é convencer os outros a acreditar em algo ou a fazer algo. Em filosofia é através de argumentos que procuramos levar os outros a aceitar a verdade de uma proposição, e fazemos isso apresentando razões ou provas em seu favor.

Na sua forma mais básica um argumento é composto por uma conclusão (o que se pretende provar) e por uma ou mais razões para se acreditar na conclusão. O facto de uma frase apresentar uma conclusão é essencial para ser considerada um argumento: Sem conclusão não há argumento. Já as razões são essenciais para justificar e sustentar aquilo que se diz. Sem razões uma frase é uma mera asserção.

As conclusões de um argumento podem ser de diversa ordem: recomendações; reconhecimento de um facto; aprovação de um valor; etc.

(AT)

ver também conclusão; razões; argumento ampliativo; porquê; justificação

argumento ampliativo

 

Quando num argumento se conclui mais que a informação contida nas suas premissas (razões) diz-se que estamos perante um argumento ampliativo, uma vez que amplia os alcance das nossas crenças.

(SB)

asserção

 

O Pensamento Crítico melhora os nossos desempenhos cognitivos.”

Esta frase é uma asserção uma vez que revela uma crença não fundamentada. Não foi dada qualquer razão ou prova para a sustentar.

Enquanto o autor não apresentar um argumento, ou provas, de que aquilo que diz é verdadeiro não temos qualquer motivo para acreditar nele, a menos que o autor seja uma autoridade comprovada na matéria (e mesmo aí podemos sempre pedir justificações para as suas asserções).

No entanto seria desnecessário pedir justificações para todas as asserções com que nos deparamos (seria uma espécie de pedantismo fazê-lo) uma vez que muitas vezes partilhamos pressupostos essenciais com o autor o que torna essa justificação desnecessária. Apenas temos de nos prevenir quanto àquelas asserções que suspeitamos não estarem devidamente justificadas e que, como tal, podem conduzir-nos a conclusões com as quais não temos de concordar.

(NW)

bivalência, lei da

Lei básica da lógica clássica que nos diz que qualquer proposição ou é verdadeira ou é falsa.

“Há exactamente dois valores de verdade, verdade e falsidade, e, para qualquer frase (simples ou complexa) S de L, ou S tem o valor de verdade verdade, ou S tem o valor de verdade falsidade (mas não ambos).

(JB & DM) 

classificação / categorização

 

Por classificar entendemos distribuir por classes.

Existem dois tipos de classificações que representam duas operações cognitivas distintas:

1. a divisão dos elementos de um grupo grande por subgrupos mais pequenos: Os meus livros estão classificados por temas: filosofia, história, literatura e ciência.

2. a colocação de algum elemento num grupo de elementos com características semelhantes: A Crítica da Razão Pura do Kant deve estar na secção de Filosofia.

Apesar de semelhantes há uma importante diferença entre estas duas formas de classificar. No primeiro tipo de classificação organizou-se um determinado grupo de coisas dividindo-o em partes. Ou seja, após uma verificação dos elementos particulares de um grupo maior (o grupo dos meus livros) decidiu-se em que subgrupos estes deveriam ser divididos (filosofia, história, literatura e ciência).

Para Phil Washburn (PW 2010) este é o “primeiro passo de uma classificação: dividir grupos grandes em grupos mais pequenos baseado em determinadas características.” O segundo passo será então identificar um elemento particular do grupo – a obra A Crítica da Razão Pura -  e colocá-lo num subgrupo apropriado.

Ao primeiro sentido de classificação chamamos classificação de grupos e ao segundo classificação de indivíduos.

Quando classificamos algo ou alguém de forma qualitativa (distinguimos o melhor do pior) estamos a atribuir-lhe uma categoria, estamos portanto a categorizar.

Este é o melhor dos livros de Kant.

                                                                                                                           (PW)

ver também amostra; estereótipo; generalização; analogia; critério; padrão

companheiros na culpa

 

 “Aqueles que defendem que o boxe profissional deve ser abolido, pois é um desporto perigoso que pode causar ferimentos graves ou até mesmo na morte dos seus praticantes, esquecem-se que, por essa ordem de ideias, outros desportos como o automobilismo, o rugby, o karate e o paraquedismo também deviam ser abolidos.

Ao não defenderem a proibição destes desportos, aqueles que defendem a proibição do boxe não estão a ser consistentes e, como tal, não devemos levar a sérios os seus argumentos.”

 

 

Ao procurar demonstrar que o caso em questão não é único procura-se enfraquecer o argumento revelando uma possível inconsistência por parte do seu autor. Ou seja, procura-se mostrar que os princípios que o autor usa num caso não são tidos em consideração noutro(s) caso eventualmente semelhantes.

O autor do argumento tem aqui duas alternativas para evitar a acusação de inconsistência:

i)                    concorda que esses princípios devem ser tidos em consideração nos casos apresentados e aceita as consequências disso mesmo. Assim, no exemplo dado, aceita que “outros desportos como o automobilismo, o rugby, o karaté e o paraquedismo também deviam ser abolidos” – engolir a bala).

ou

ii) não considera que os exemplos aduzidos são, de forma relevante, semelhantes ao caso a que o seu argumento se reporta. Assim, no exemplo do boxe pode afirmar que o boxe é o único desporto em que o principal objectivo é colocar o adversário inconsciente.

Usar esta técnica de argumentação obriga o autor a explicitar aquilo que considera único e essencial no seu argumento e é uma técnica legítima de Pensamento Crítico. Já usá-la no sentido de desculpar algum tipo de comportamento na forma de “toda a gente o faz” é uma forma de racionalização que não deve ter lugar num debate saudável de ideias.

(NW)

 

comparar / contrastar

 

Antes de votar quero comparar bem as ideias e os discursos de cada um dos candidatos.

Comparar é uma das formas mais básicas de raciocínio e consiste, muito simplesmente, em encontrar semelhanças ou diferenças entre coisas.

Até mesmo os animais recorrem a esta competência para se defenderem de uma ameaça ou para escolherem a mais vantajosa de duas situações.

No entanto os seres humanos são capazes de efectuar diferentes tipos de comparações. Por exemplo, contrastar é um tipo de comparação onde apenas se indicam as diferenças (e não as semelhanças) entre coisas.

O contraste entre os dois programas de governo é típico de dois partidos que defendem ideologias tão distintas.”

Esta é uma forma de comparação mais específica uma vez que ao contrastar estamos apenas concentrados nas diferenças e não nas semelhanças.

(PW)

ver também analogia; modelo

 

conceito

 

Um conceito é uma ideia geral que contêm em si um grupo de coisas ou de referentes a um tipo de coisas.

“O elefante é herbívoro.” O conceito de herbívoro é relativamente pacífico: animal que se alimenta de vegetais. No entanto grande parte das discussões filosóficas mais interessantes surgem do desacordo relativamente a alguns conceitos não tão pacíficos: o que é um ser humano?; a verdade?; a liberdade?; a beleza?; etc.

Actualmente distingue-se conceito de ideia para se evitar associações com imagens mentais subjectivas que podem nada ter a ver com a posse de um conceito.

(PW; SB)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

conceito aberto/conceito fechado

Um conceito é aberto se não houver um conjunto de características fixas, ou condições necessárias e suficientes, a partir das quais ele possa ser definido, isto é, a partir das quais se torna possível encontrar a sua extensão. Caso seja possível apresentar um conjunto de características fixas capazes de identificar os objectos que fazem parte da extensão de um dado conceito, então esse conceito é fechado. Isto significa que um conceito aberto é reajustável, podendo ser corrigido de modo a alargar o seu uso a casos completamente novos. Esta noção surgiu com o filósofo austríaco Wittgenstein, que deu como exemplo o conceito de jogo. Segundo Wittgenstein, não é possível identificar um conjunto fixo de características comuns a todos os jogos, além de que podem ser inventados jogos com características completamente diferentes dos que já existem. O mesmo se passa, segundo o filósofo americano Morris Weitz (1916-87), com o conceito de arte, até porque a arte é sempre criativa e inovadora. Por isso, a arte também não pode ser definida em termos de condições necessárias e suficientes.

(AA)

conceito operacional

A introdução de um novo conceito numa reflexão filosófica permite:

Problematizar uma posição – perante a proposição de que a “certeza é igual à verdade”, o conceito de “erro” ajuda a pôr essa ideia em causa;

Unir dois conceitos – para justificar a ideia que “opinião e verdade são a mesma coisa”, o conceito de “crença” pode servir para unir esses dois conceitos num conceito mais abrangente: “Opinião e verdade são crenças”;

Resolver um impasse – o conceito de “verdade pessoal” pode ajudar a ultrapassar a dicotomia entre a crença numa “verdade absoluta” e a crença na “inexistência de verdade”.

Distinguir dois conceitos – a noção de “raciocínio” pode ajudar a distinguir os conceitos de “conhecimento” e “sentimento”.

Clarificar uma ambiguidade – o conceito de “intencionalidade” pode ajudar a distinguir os sentidos diferentes da proposição “estava consciente do que fazia”.

Aprofundar um conceito -  a noção de “conhecimento intuitivo” pode aprofundar a questão dos diferentes tipos de conhecimento.

Formular uma definição – qualquer definição (não circular) precisa de um conceito novo que explique o sentido do que se quer definir.

                                                                                                                (OB, 2006)

conceptualização

 

A capacidade que os seres humanos possuem de integrar e organizar as informações que lhes chegam pelos sentidos, passando dessa forma do nível perceptual, que partilhamos com os animais, para o nível conceptual único nos seres humanos.

Existem diversas formas de se fazer sair os conceitos de uma discussão:

Que nome se dá a uma pessoa que pensa assim?; Que conceito fundamental subjaz a esse argumento?; Qual o  oposto desse conceito?; Que argumento defenderia quem preferisse esse valor/conceito?; etc.

Os conceitos são os instrumentos de investigação filosófica por excelência.

conclusão

A ideia defendida num argumento e que é apoiada pelas razões. Sem conclusão não há argumento.

condição necessária / condição suficiente

Uma condição necessária é uma condição ou acontecimento que tem de estar presente antes de uma outra condição ou acontecimento acontecer. Por exemplo, para haver fogo é necessário haver oxigénio.

Já a presença de uma condição suficiente por si só garante a ocorrência de outra qualquer condição ou acontecimento. Por exemplo, para a água congelar é suficiente que a sua temperatura baixe dos 0º.

Repare-se na proposição “Se fervermos a água os germes que ela contém morrerão.” A este tipo de proposições do género  “se p então q” dá-se o nome de condicional. Se olharmos com mais atenção para as condicionais compreenderemos melhor a questão das condições necessárias e suficientes.

No exemplo em cima sabemos que se a água foi fervida, então os germes morreram. Para matar os germes é suficiente ferver a água. Mas será necessário? Tentemos virar a proposição ao contrário. Se soubermos que os germes estão mortos, sabemos automáticamente que a água foi fervida? Óbviamente que não. Os germes podem ter sido mortos de outra forma qualquer (adicionando cloro, por exemplo). Como tal ferver a água é uma condição que não tem de estar presente para que os germes morram, ou seja, não é uma condição necessária.

Segundo Phill Washburn “é mais fácil encontrar condições necessárias para um acontecimento que condições suficientes”, isto porque normalmente um acontecimento tem várias causas possíveis, ou seja vários factores podem contribuir para um mesmo acontecimento.

 

condição necessária e suficiente

Uma condição necessária e suficiente para ser F garante a coincidência entre F e essa condição. Por exemplo, uma condição necessária e suficiente para ser água é ser H2O. Isto significa que tudo o que for H2O é água, e tudo o que for água é H2O. Exprime-se muitas vezes uma condição necessária e suficiente usando uma bicondicional; por exemplo: Sócrates era ateniense se, e só se, nasceu em Atenas. Encontrar condições necessárias e suficientes é o objectivo da definição explícita e parte integrante de uma compreensão aprofundada das coisas.

(AA)

 

ver também definição explícita 

 

consistência / inconsistência

Duas, ou mais, proposições são inconsistentes se não puderem ser todas verdadeiras ao mesmo tempo, são consistentes se puderem ser todas verdadeiras ao mesmo tempo.

ver também inconsistência de crenças

 

 

 

 

contra-exemplos

 

- Todos os taxistas são racistas.

- Mas, o senhor Silva é taxista e não é racista.

Um contra-exemplo é um caso particular que refuta uma generalização.

Se o contra-exemplo for verdadeiro só resta ao autor do argumento recusar a sua generalização ou retirar o “Todos” do seu argumento colocando em sua vez “alguns”, ou “quase todos”, o que enfraquece bastante o argumento, mas também o torna bastante mais dificil de ser refutado.

Nalguns casos o “todos” não está explicíto no argumento mas sim implícito. Como na frase “Os taxistas são racistas”.

Nesses casos um contra-exemplo obriga o autor do argumento explícitar se se refere a “todos os taxistas”, a “alguns taxistas”, à “maior parte dos taxistas”, etc.

crença

 

Ter uma crença é acreditar que determinada proposição é verdadeira. Em filosofia a questão das crenças é problematizada de diversas maneiras: queremos saber se há graus de crenças e quais são esses graus; se o irracional desempenha um factor importante nas nossas crenças; se as crenças têm de estar associadas à posse de capacidades conceptuais e linguísticas (“as crianças e os animais possuem crenças?”).

Aqui interessa-nos sobretudo a primeira questão relativa aos graus de crenças. Para efeitos práticos vamos assumir que da mesma forma que os desejos nos surgem em graus (intenso, moderado, pequeno, nenhum), também podemos acreditar em algo com muita força, de forma moderada ou ligeira. Por exemplo, acredito com enorme segurança que amanhã será Domingo, pois hoje é Sábado. Também acredito que vou conseguir terminar de escrever esta entrada sobre crenças ainda hoje. No entanto a electricidade tem faltado algumas vezes nos últimos dias aqui na zona, e se isso acontecer agora é provável que só termine este trabalho amanhã, Domingo. Lembro-me de ter comido alheira a última vez que fui jantar fora, mas também posso ter comido outra coisa qualquer, não tenho bem a certeza.

O que estes exemplos mostram é que as nossas crenças têm graus e, como tal, é natural que tenhamos diferentes palavras para falar desses diferentes graus de crenças. Assim, dizemos que a nossa crença é possível quando há uma possíbilidade de vir a acontecer e ainda não decidimos em que acreditar.

Já uma crença provável é aquela em que estamos mais inclinados a acreditar pois há uma maior probabilidade que aconteça. Existem duas forma de aferirmos a probabilidade de uma crença. Podemos pensar em situações passadas e lembrar-nos com que frequência aquilo em que acreditamos aconteceu. Por exemplo, sabemos que das últimas 8 vezes que fomos fazer mergulho viemos para casa com uma dores de ouvidos. Dessa forma acreditamos que é bastante provável que isso volte a acontecer quando formos mergulhar outra vez. Outra forma de decidir se algo é provável é pensando em todas as possibilidades que temos pela frente e calcular a percentagem de acontecer aquilo em que estamos pensar. Qual a probabilidade de sermos atingidos por um tsunami quando formos hoje à tarde dar um passeio junto ao mar?

O termo plausível tem um sentido muito próximo de possível, no entanto é normalmente utilizado de forma diferente. Falámos de possibilidade quando nos referimos a acções ou eventos, como em: “É possível que hoje chova”. Quando não nos referimos ao evento em si mas ao que alguém diz ou acredita sobre esse evento usamos o termo plausibilidade: “A Joana acreditava que ia chover. A sua crença era bastante plausível pois o céu estava, de facto, carregado de nuvens. Mas acabou por abrir o sol.”

Quando algo nos leva a adoptar determinada crença dizemos que é convincente. Podemos deixar-nos convencer por um argumento, por um discurso, por provas, por uma experiência, por uma observação, etc.

Temos certeza numa crença quando a sentimos completamente segura, i.e., quando não nos deixa qualquer dúvida. Aqui é importante distinguir uma crença em que temos certeza de uma crença verdadeira. A certeza é um estado mental. Podemos ter a certeza de algo e, mesmo assim, estar errados. Pense-se nos nossos antepassados anteriores a Copérnico e Galileu que tinham a certeza que era o sol que rodava em torno da terra, e no entanto estavam errados.

Muitas vezes encaramos aquilo que nos querem fazer acreditar com uma certa atitude de desconfiança. Sentimo-nos inclinados a duvidar do que nos dizem. Nessas alturas dizemos que estamos cépticos e a essa nossa atitude damos o nome de cepticismo. Outras vezes, porém, sentimo-nos confiantes a acreditar em alguma coisa, mesmo sem termos boas razões para o fazer ou, pior ainda, apesar de termos boas razões para não o fazer. Estamos a ser dogmáticos sempre que possuimos uma ou mais crenças (dogmas) sem as questionarmos racionalmente.

(PW; SB)

 

critério

 

A qualidade ou característica de algo que nos leva a classificá-lo de determinada maneira.

Um critério pode ser problemático de duas formas diferentes. Podemos achar que determinada pessoa ou objecto não atinge os critérios estipulados. Ou então podemos não concordar quanto aos critérios adequados para classificar determinada coisa.

 

Para o senhor Lopes um quadro ou uma escultura é uma obra de arte se for apresentado num museu ou numa galeria de arte.

Qual o critério do senhor Lopes para decidir se algo é uma obra de arte?

Concorda com o senhor Lopes? Se não concorda, que tipo de desacordo é esse?

 

ver também classificação; padrão / princípio

 

definição

 

Uma definição é uma explicação do significado de uma palavra. Num sentido mais lato podemos ainda dizer que a palavra definição exemplifica algo que queremos realçar, como na expressão “Leonardo Da Vinci define a genialidade”.

Por vezes acontece que num argumento ou discussão sejamos confrontados com a necessidade de explicarmos o significado de alguns dos seus termos e é aí que surge a necessidade de uma definição. Dependendo daquilo que queremos definir e do objectivo que pretendemos atingir com essa definição temos à nossa disposição diferentes tipos de definições:

 

definição de dicionário

Recorremos a uma definição de dicionário quando queremos simplesmente compreender o que outras pessoas nos querem dizer. Essa estratégia tem, no entanto, algumas limitações. As definições de dicionário são frequentemente demasiado vagas, outras vezes são demasiado restritivas, outras ainda não nos dizem (e bem) o que deveríamos querer dizer com determinada expressão. Se o que queremos é problematizar filosóficamente um conceito ou uma proposição não é para um dicionário que nos devemos virar.

Além disso, este tipo de definições socorre-se frequentemente de sinónimos, o que não nos ajuda nada quando os termos sinónimos utilizados são tão vagos ou imprecisos quanto o termo a definir. Por exemplo, se definirmos “verdade” como “realidade” (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 3ª Edição), estamos a usar um termo (“realidade”) filosoficamente tão pouco claro ou específico quanto o termo “verdade”, e que precisa de ser ainda bastante esmiuçado antes de o aceitarmos na nossa definição.

 

definição operacional  (ou estipulativa)

Se o nosso objectivo é facilitar algum consenso e evitar ambiguidades no uso de um termo numa discussão então nessa altura devemos procurar explicitar os critérios de uso desse termo através de uma definição operacional onde “um termo é definido através da especificação de certos testes ou procedimentos que determinam se a palavra se aplica ou não”. Como quando definimos “bom aluno” como “aqueles alunos que terminarem o ano com uma média superior a 16 valores”;

 

definição de precisão

Numa definição de precisão o objectivo é tornar um termo mais preciso. Isso pode ser necessário quer quando introduzimos um termo novo (e desconhecido) num argumento, quer quando estamos perante um termo demasiado vago. Ao tornarmos um termo mais preciso devemos evidentemente evitar o uso de termos abstractos, vagos e gerais.

Ao introduzirmos um termo novo numa discussão podemos estipular a forma como esse termo deverá ser utilizado. Neste caso estamos perante uma definição estipulativa;

 

definição essencialista

Talvez o tipo de definição mais problemática e interessante a nível filosófico seja a definição essencialista. Precisamos de uma definição essencialista quando o nosso objectivo é encontrar a característica comum que une o conjunto de coisas às quais uma palavra se aplica. O que une as aves, afinal, é o facto de terem penas. Podemos, portanto, definir aves como animais com penas.” Por outras palavras, numa definição essencialista procuramos a essência de X, ou seja aquilo que o define enquanto X.

Uma boa definição essencialista (definiens) é aquela que não é demasiado abrangente (não inclui mais que as coisas específicas que o definiendum abrange), nem demasiado restritiva (não inclui menos do que as coisas específicas que o definiendum abrange).

O amor é uma emoção excitante positiva. Esta é uma definição de amor demasiado abrangente pois há muitas outras emoções excitantes positivas além do amor. Já O amor é o sentimento que une duas pessoas no casamento é demasiado restritiva pois há muitas outras formas de amor (amizade, amor filial, amor pelos animais, pela vida…)

Preste atenção à seguinte definição: O Homem é o animal que fala.

Este é um tipo de definição conhecida por definição pelo género próximo e pela diferença específica. Sendo que animal é o género próximo do termo Homem (uma categoria relevante mas muito abrangente) e o atributo que fala é a diferença específica, ou seja, o que o homem tem que supostamente o distingue de tudo o que pertence ao género próximo, neste caso, de todos os restantes animais.

Esta definição parece-lhe demasiado abrangente ou restritiva?

 

ver também definição circular; definiendum; definiens, falácia da definição persuasiva, definição explícita, definição explícita.

definição implícita

Uma maneira de definir algo sem recorrer a condições necessárias e suficientes. Por exemplo, para definir a cor verde basta apresentar vários objectos verdes; e podemos compreender o que é a melancolia lendo um romance que descreve uma personagem melancólica, apesar de no romance nunca se dizer explicitamente o que é a melancolia. Há dois tipos de definições implícitas: as ostensivas e as contextuais. Nas ostensivas apresentam-se casos que exemplificam a propriedade que se quer definir (como no caso da cor). Nas contextuais (como no caso do romance) apresentam-se vários contextos nos quais se usa o termo a definir. É um erro tentador pensar que desconhecemos algo se não o soubermos definir explicitamente; na maior parte das vezes, as definições implícitas são perfeitamente adequadas. Contudo, faz parte do estudo sistemático em qualquer área, seja na filosofia ou na ciência, conseguir definir explicitamente os conceitos mais importantes e centrais da área em causa. Do modo como Platão descreve Sócrates, este parecia particularmente preocupado com o facto de os seus concidadãos serem incapazes de definir explicitamente alguns dos conceitos centrais da filosofia, como os de justiça e conhecimento, por exemplo.

(AA)

definição explícita

Uma maneira de definir algo por meio de condições necessárias e suficientes. Por exemplo: “o Homem é um animal racional”; ou: “um estudante transita de ano se, e só se, tiver uma média igual ou superior a 50%”. Há três tipos de definições explícitas: extensionais, essencialistas e analíticas. As definições extensionais limitam-se a procurar dizer o que as coisas são de facto, sem procurar dizer o que as coisas são necessariamente; dado que todos os seres humanos são animais racionais, e que só os seres humanos são animais racionais, esta definição é extensionalmente boa. Mas é uma má definição essencialista, porque não é necessário que todos os animais racionais sejam seres humanos, nem que só os seres humanos sejam animais racionais. E é uma má definição analítica porque a expressão “ser humano” não significa “animal racional”. As definições explícitas contrastam com as definições implícitas. Em filosofia, procuram-se sobretudo definições essencialistas e analíticas dos conceitos filosóficos centrais, como conhecimento, verdade, arte, etc                                                                                                                                                        (AA)

definiendum

O termo ou expressão que se pretende definir.

definiens

O termo ou expressão com que se define.

engolir a bala

- Na minha opinião, em qualquer situação, o moralmente correcto a fazer é procurar levar a maior felicidade possível ao maior número de pessoas possível.

- Nesse caso aceitas que é moralmente correcto castigar, ou até mesmo matar, uma pessoa inocente  desde que isso traga mais felicidade a mais do que uma pessoa, por exemplo a duas!

- Sim, aceito.

-  !?

Diz-se que alguém “engole a bala” quando aceita as consequências aparentemente inaceitáveis (ou mesmo absurdas) a que o seu argumento conduz.

Esta manobra é extremamente desconcertante e deixa pouca margem para a argumentação racional subsequente.

Esta manobra pode, por um lado, mostrar apenas má-fé (ou falta de fair-play) do autor do argumento que (julgámos ter refutado), ou pode simplesmente mostrar que ambos posssuímos pressupostos valorativos diametralmente opostos.

entimema

 

O António devia ser despedido porque roubou dinheiro público

Um entimema é um argumento com um pressuposto tácito, sem o qual a conclusão não se seguiria, i.e., seria um nonsequitur.

Se a frase em cima não tiver qualquer pressuposto, então não passa de uma mera asserção. No entanto, se o autor pressupuser que“todas as pessoas que roubam dinheiros públicos devem ser despedidas” então ficamos perante uma dedução, isto é, perante um argumento válido, se bem que não necessáriamente sólido.

estereótipo

 

Estereótipos são generalizações pouco precisas, enganadoras e muitas vezes, tendenciosas. Ao generalizarmos acerca de um grupo baseando-nos apenas numa amostra muito pequena e, como é comum, atribuindo-lhe características negativas estamos a criar um estereótipo.

(PW)

ver também classificação / categorização; generalização

explicação

 

Ao explicar algo estamos, normalmente, a responder a uma pergunta. Como existem vários tipos de perguntas existem vários tipos de explicações. Podemos explicar como se faz algo, por exemplo, como ir até Leiria pela Nacional 109. Podemos explicar o que é que alguém quis dizer, ou o que é que uma palavra significa. Podemos explicar o que aconteceu na semana passada ou vai acontecer na semana seguinte. Provavelmente a explicação mais comum é aquela que procura responder à pergunta por quê, no sentido de por qual razão, ou por qual motivo? Por outras palavras explicar é, frequentemente, apresentar a causa de algo. (PW)

Ou seja, no sentido mais geral, explicar é tornar algo mais compreensível, quer seja indicando um motivo, prevendo um acontecimento, contando uma história ou apresentando uma teoria.

Num sentido mais estrito explicar poderá ser uma descrição das causas de algo. Neste sentido estamos perante uma explicação causal.

ver também explicação causal; motivo

 

explicação causal

A linguagem que usamos para explicar a causa de algo é muitas vezes semelhante à que usamos para apresentar um argumento, como é o caso de conjunções e frases como porque, pois, portanto, como tal, é por isso que, etc.

No entanto, apesar de recorrerem ao mesmo tipo de linguagem, argumentos e explicações causais são dois raciocínios diferentes. Aqui interessa-nos realçar essas diferenças uma vez que ambos são avaliados de maneiras diferentes.

“Tirei boas notas porque estudei muito.” Aqui percebemos facilmente que estamos perante uma explicação causal e não perante um argumento pois não estamos a tentar convencer o nosso interlocutor de que tiramos boas notas, mas antes a explicar por que é que isso aconteceu. Tirar boas notas foi uma consequência de se ter estudado muito.

a) “Napoleão morreu pois foi envenenado com arsénico”

b) “Os dinossauros morreram porque um enorme meteorito colidiu com a Terra.”

c) “Os governos devem limitar a produção de CO2 pois este prejudica a camada do ozono.”

Parece-nos bastante claro que em a) estamos perante uma explicação causal, pois o autor não nos apresenta uma razão para acreditarmos na morte de Napoleão, mas antes diz-nos o que causou a sua morte. O mesmo se passa em b), onde o autor está a avançar com uma explicação para a morte dos dinossauros e não nos está a tentar persuadir da sua morte.

É exactamente este elemento de persusão (ausente nas explicações causais e essencial num argumento) que distingue um movimento do outro, como podemos verificar em c). Aqui o autor procura convencer-nos da necessidade de se limitar a produção de CO2, apresentando-nos uma razão, os danos causados pelo CO2 à camada do ozono.

Um bom teste avançado por Robert Ennis para distinguirmos um argumento de uma explicação causal é o seguinte:

Se o autor parece assumir que a consequência é verdade, então é provável que estejamos perante uma explicação causal; se, por outro lado, o autor procura provar a consequência (neste caso, a conclusão), estamos provavelmente perante um argumento.

Ou seja, podemos distinguir uma explicação causal de um argumento em termos dos objectivos a que se propõem.

Isto não quer dizer que as explicações causais não tenham importância para as análises críticas dos argumentos. Muito frequentemente um argumento apresentará uma ou mais explicações a apoiarem a sua conclusão. Nesses casos deveremos avaliar a explicação por forma verificar se apoia realmente a conclusão.

(AF)

 

experiência mental

“Imaginemos que, como no filme Matrix, nos era dado a escolher entre viver uma vida cheia de prazer físico e mental, mas incoscientemente ligados a uma máquina de realidade virtual, ou viver a nossa vida normal (real) cheia de incertezas, algumas alegrias mas também algumas tristezas. Quanto de nós escolheriam ligar–se à máquina?”

 

Uma experiência mental é o equivalente filosófico de uma experiência empírica.

Trata-se de uma situação imaginária, frequentemente irreal, que tem a intenção de clarificar uma determinada posição ou marcar uma determinada posição conceptual.

Se, como na maioria dos casos a sua resposta à pergunta do exemplo acima for não, isso sugere que valoriza outras coisas além do prazer físico e mental. Talvez valorize também a verdade, os sentimentos genuínos, o esforço para conseguir algo, os sentimentos dos amigos e familiares, ou (porque não?) a realidade, e não se tenha apercebido disso até ter realizado esta experiência mental.

Não interessa que o exemplo aduzido nada tenha a ver com o mundo real, a ideia de uma experiência mental é descobrir como é que nos posicionamos face a determinadas coisas, valores e ideias. Na experiência em cima o objectivo não é o de saber se escolheriamos ou não viver ligados a uma máquina de realidade virtual, mas sim o de saber se valorizamos ou não o prazer acima de tudo o resto.

generalização

 

Uma generalização é uma asserção acerca de um grupo de coisas que tem por base o nosso conhecimento acerca de uma pequena parcela dessas coisas.

Numa generalização procuramos alguma característica partilhada por muitos itens particulares. Por exemplo todos os relógios indicam as horas, quer se trate de um relógio de sol ou de um moderno relógio digital.

Nas nossas vidas estamos constantemente a fazer generalizações, pois não sería possível tratar as diferentes coisas com que nos deparamos diáriamente (objectos, animais, pessoas, situações, etc.) como se fossem coisas únicas e irrepetíveis.

Por exemplo, sabemos que os nossos amigos nos vão receber bem quando os encontrarmos no café, por isso não temos de recear levar uma tareia a cada novo encontro com eles. Quando de manhã rodamos a chave na ignição esperamos, sem grandes surpresas, que o carro irá pegar, como normalmente acontece.

Para algumas pessoas “todas as generalizações são estúpidas”, pelo que defendem que não devemos nunca generalizar. No entanto para funcionarmos de todo, ou seja, para organizarmos minimamente as nossas relações com os outros e com o mundo, precisamos constantemente de realizar generalizações. Apesar disso podemos, e devemos, ser muito cuidadosos com as generalizações que fazemos pois, como por vezes nos lembram alguns contra-exemplos aos casos anteriores, uma generalização nunca é 100% segura. Assim a nossa generalização “o carro vai pegar” pode por vezes deixar-nos apeados, assim como algumas reacções dos nossos amigos (e dos seres humanos em geral) podem deixar-nos estarrecidos.

Segundo Phil Washburn (PW) “existem dois tipos de generalizações: a generalização universal e a generalização limitada.” Uma generalização universal é acerca de todos os membros de um determinado grupo enquanto que uma generalização limitada é acerca de alguns membros de um determinado grupo.

Assim, a asserção “todos os pássaros têm penas” é uma generalização universal, uma vez que é acerca de todos os indivíduos da classe dos pássaros. Já a asserção “a maioria dos pássaros voa” é uma generalização limitada pois é apenas acerca de uma parcela (mesmo que maioritária) do grupo dos pássaros.

Podemos ainda generalizar a partir de regras ou a partir de exemplos.

Ao generalizar a partir de uma regra simplesmente deixamos de parte uma condição considerada supéflua dessa regra. Assim a regra “Se X tem asas e é castanho, então X consegue voar” pode ser tornada mais geral deixando cair a condição “X é castanho” produzindo a regra “Se X tem asas, então X consegue voar.”

Um exemplo clássico da generalização a partir de exemplos é o da inferência de que “todos os cisnes são brancos” baseada na observação de alguns seres que são cisnes e são brancos.

Este tipo de generalização está intimamente ligado à nossa capacidade de classificação.

ver também: amostra; estereótipo; classificação; analogia; critério, inferência, generalização abusiva.

 

 

inferência

Uma inferência é uma relação entre proposições. Ao inferir estamos a decidir acreditar em alguma coisa com base noutra crença qualquer, ou seja, estamos a decidir que se uma proposição é verdadeira, outra proposição também é verdadeira. As inferências podem estar certas ou erradas. A lógica e a epistemologia clássica têm como objectivo compreender os diferentes tipos de inferências e encontrar os princípios que separem as boas das más inferências.

(PW; SB)

justificação

O termo justificação pode ser aplicado a duas situações distintas. Pode querer significar que algo está correcto. “Tudo o que ele fez foi justificado. A razão estava do seu lado.”  Ou pode querer dizer que foram apresentadas razões para algo, mesmo que não concordemos com essas razões. “Os nazis justificaram o holocausto com a superioridade da raça ariana.”

No que a um argumento diz respeito interessa-nos este segundo sentido de justificar: Apresentar razões que apoiem as nossas conclusões. Por outras palavras, ao justificar um argumento estamos a explicar porque é que alguma acção, acontecimento ou crença (que apresentamos na conclusão) é correcto ou deve ser valorizado.

Nunca é demais sublinhar a importância da justificação quer no processo de apresentação das nossas ideias e argumentos, quer na crítica às ideias e argumentos dos outros. Se não formos capazes de justificar a nossa crítica não temos o direito de criticar.

Existe uma diferença importante entre justificar juízos factuais e juízos de valor.

Ao justificar um juízo de facto mostramos como esse juízo foi provado, quer referindo-nos à sua fonte, a uma autoridade fiável, ou a uma observação directa.

Já justificar um juízo de valor implica explicar uma relação entre esse juízo e um padrão mais geral, ou seja uma medida que nos indica o que é bom, mau, certo errado, etc.

Daí a dificuldade em justificar um juízo de valor. As pessoas muitas vezes não estão de acordo quanto aos padrões correctos para avaliar os juízos de valor.

- “Concordo com a pena de morte pois é uma medida preventiva que dissuade futuros criminosos.”

- “Não estou de acordo. A pena de morte não tem justificação pois através dela o governo está a fazer precisamente o que diz ser errado – matar”

Ao contrário do que acontece num juízo de facto, aqui não é possível provar claramente a verdade de um ou de outro argumento, simplesmente porque diferentes pessoas têm diferentes princípios morais.

Que padrão, ou princípio moral, está por trás de cada um destes argumentos?

(PW)

ver também padrão / princípio, argumento, refutação / rejeição

modelo

Um modelo é uma versão mais pequena e mais simples de algo.

Recorremos a modelos para ilustrar as coisas maiores e mais complexas que queremos perceber. Por exemplo, com uma bola de ténis e alguns berlindes podemos explicar a uma criança o funcionamento do sistema solar.

Para Phill Washburn (PW) a diferença entre um modelo e uma analogia é que os modelos podem ser construções completamente artificiais, como uma série de riscos e onze pontos num cadernos de um treinador de futebol a representarem um campo e as movimentações desejadas dos jogadores. Já numa analogia recorremos normalmente a “tipos naturais, tais como crianças e papagaios, ou aprender e cultivar um jardim, ou entre uma sociedade e o corpo humano.”

Também podemos ter um modelo de um bom trabalho, ou de um bom romance, ou de uma boa música. Nesse caso aqueles trabalhos, romances ou músicas que se afastassem de uma forma relevante do nosso modelo seriam maus. Uma pessoa que admiramos pode também ser um modelo para nós.

motivo

Aquilo que leva alguém a agir e que pode ser uma crença. um desejo ou um estado interior. Quando perguntamos o que levou uma pessoa a fazer determinada coisa queremos saber os seus motivos. Assim, perguntar pelos motivos de uma acção é perguntar pelas suas causas.

O que levou o toxicodependente a assaltar aquele carro foi uma vontade enorme em satisfazer o seu vício por heroina.

padrão / princípio

 

Um padrão é a medida que alguém usa para avaliar alguém ou alguma coisa.

Ao justificarmos um determinado juízo de valor estamos a expôr uma relação entre esse nosso juízo de valor e um qualquer padrão daquilo que consideramos ser bom ou mau, certo ou errado.

A sociedade evoluiria muito mais se tivessemos políticos que corporizassem os padrões de excelência e isenção na vida pública.

Os nossos princípios morais são os nossos padrões. Por exemplo, alguém pode defender a pena de morte para crimes de sangue pois acredita que isso impediria os criminosos de matar. Neste caso a pessoa defende a pena de morte com base em factos (a pretensa redução do número de vítimas), mas também com base no seu padrão moral: o princípio moral de salvar vidas.

No entanto outra pessoa pode opor-se à pena de morte defendendo que por princípio matar é errado. Neste caso o princípio “matar é errado” é o seu padrão.

A diferença entre um padrão, ou um princípio, e um critério é que recorremos a este último para classificar algo e recorremos aos primeiros para avaliar qualitativamente algo.

(PW)

ver também justificação, critério, classificação / categorização

 

parecença familiar

 

Certas coisas exemplificam um mesmo conceito, porque partilham certas características, apesar de estas poderem ser diferentes de caso para caso. São tais semelhanças que permitem estabelecer uma relação de familiaridade entre coisas que podem até ser muito diferentes entre si. Tal como um filho pode ter os olhos parecidos com os da mãe, o nariz com o do avô e a boca com a do bisavô, mas não haver qualquer característica comum a todos.

Esta ideia deve-se a Wittgenstein, que deu o exemplo do conceito de jogo, e é utilizada na filosofia da arte pelo filósofo Morris Weitz (1916-87).

Segundo Weitz, o conceito de arte não pode ser definido, embora possamos reconhecer como arte obras completamente inovadoras, o que acontece devido a haver parecenças familiares entre estas e alguma das obras anteriores.

(AA)

pensar o impensável

 

Perante a tese proposta, “o conhecimento liberta o homem”, pensar o impensável consiste em analisar a tese oposta: “De que forma é que o conhecimento pode ser um entrave à liberdade do homem?”

Arriscar uma hipótese e analisar as suas implicações e consequências mesmo que, dessa forma, estejamos a ir contra as nossas mais fortes convicções.

Esta técnica é uma forma de procurar sair de impasses argumentativos, mas também uma forma de ver todos os lados de uma questão e, dessa forma, aprofundar a nossa compreensão e procurar soluções criativas para alguns problemas filosóficos que se nos deparam.

Todos temos uma tendência natural para defender a todo o custo as nossas ideias (o que por vezes nos leva a recorrer a técnicas pouco “críticas” como a racionalização e o wishful thinking), impedindo-nos de ouvir verdadeiramente o outro, de analisar os nossos próprios pressupostos e, consequentemente, problematizar verdadeiramente as nossas próprias ideias.

A técnica de “pensar o impensável” consiste em, num contexto de uma discussão filosófica qualquer e perante uma hipótese avançada, tentar encontrar as suas falhas – num processo semelhante ao do falcificacionismo proposto por Popper para a investigação científica. O próprio autor da hipótese não está ali para defender a sua “criança”, mas antes deve entrar neste processo de tentar provar que a sua hipótese está errada, descentrando-se assim o processo de investigação do autor do argumento (e do seu Ego) e concentrando-se apenas na ideia apresentada.

Esta forma de discussão é contrária à forma “natural” como discutimos, o que só vem provar o caracter “anti-natural” da Filosofia.

“David Lewis decidiu arriscar e defendeu que os mundos possíveis – por exemplo, um mundo em que eu me tornei num baterista e não num filósofo – são tão reais e concretos quanto o mundo actual. (…) Esta sua teoria normalmente olhares incrédulos por parte dos seus ouvintes (…); mas Lewis mantém que esta imagem dá-nos o melhor enquandramento sobre os conceitos de necessidade e possibilidade.”    (cit. in Colin McGinn, The making of a philosopher, Scribner, 2003)

(OB, 2005)

 

 

porquê?

 

Estamos rodeados de pessoas ansiosas por nos darem as suas opiniões acerca de tudo e mais alguma coisa. No entanto escasseiam as pessoas com vontade de nos apresentar as razões que os levam a defender essas opiniões. Ainda em menor número são as pessoas com vontade de pensar sobre essas mesmas razões. É devido a essa escassez de justificações para as crenças e opiniões que a toda a hora nos tentam impingir que um bom pensador crítico anda sempre “armado” com uma pergunta que tem o condão de exigir essas justificações: porquê?

Estamos rodeados de muitos o quês, mas raramente de bons porquês?.

Sem esses “porquês” não somos capazes de compreender o mundo à nossa volta, nem muito menos a compreensão que os outros têm do mundo à sua volta. Sem bons porquês as nossas crenças são simplesmente arbitrárias. É a justificação que possibilita que aquilo a que chamamos conhecimento se distinga de um mero palpite e que sejamos capazes de encontrar boas crenças no meio de uma imensidão de crenças falsas e absurdas.                                               (TS & LV)

 

 

pressuposto

 

Os vírus informáticos podem ser considerados seres vivos, uma vez que, como os vírus comuns, são capazes de se replicar e são parasitários.

  

Na tradição do Pensamento Crítico entende-se por pressuposto (assumption) uma premissa que não está explícita no argumento, mas que o autor toma por garantida.

O autor do primeiro argumento está a pressupor que os vírus comuns são seres vivos, o que não é de todo uma asserção aceite por toda a comunidade científica.

Esse pressuposto estava presente no argumento, não de forma explícita mas sim implícita. No entanto o autor necessita de acreditar nele para concluir, por analogia, que os vírus informáticos são seres vivos . Uma vez revelado o pressuposto podemos então aferir a sua verdade ou falsidade e, dessa forma, avaliar a força da analogia entre os vírus informáticos e os vírus comuns. Este tipo de argumentos (com uma premissa escondida) são conhecidos por entimemas.

Existem dois tipos de pressupostos que nos podem surgir num argumento e é importante que sejamos capazes de distinguir um do outro pois a forma como os avaliamos é diferente. Assim num argumento podemos ter pressupostos factuais (em que o autor pressupõe que algo acontece, aconteceu ou acontecerá) e pressupostos valorativos (em que o autor pressupõe determinados valores dos quais depende a conclusão do argumento.

O cérebro das mulheres é em média mais pequeno que o dos     

      homens, como tal as mulheres são menos inteligentes que os

      homens.

Qual o pressuposto deste argumento?

Trata-se de um pressuposto valorativo ou factual?

 

problematização

 

O ser humano é verdadeiramente livre de agir como quer?

Problematizar é a capacidade para desenvolver e aprofundar problemas.

Esta capacidade está intimamente ligada à nossa capacidade de conceptualizar, uma vez que, para aprofundar ou desenvolver um problema temos necessariamente de utilizar novos conceitos.

Desenvolver  e aprofundar filosoficamente o problema exemplificado é procurar saber que conceitos é que lhe podem estar associados e perceber as suas implicações:

Posso ser consciente dos meus desejos? (consciência)

Estarei condicionado a ter determinados desejos? (determinismo)

A vontade é capaz de contrariar um desejo? (livre-arbítrio; vontade livre)

Outra forma de problematização é relacionando duas ou mais proposições diferentes, quer articulando-as numa problemática (na forma de uma pergunta) quer resolvendo-as com um novo conceito (na forma de uma nova proposição).

Por exemplo, ao tratar a questão da generosidade deparamo-nos com duas proposições disitintas: “A generosidade é algo inerente a todo o ser humano” e “ A generosidade só se manifesta em actos humanos com consequências sociais.” Aqui a problematização pode adoptar a forma de uma pergunta que abra ainda mais a rede de conceitos a explorar, “A generosidade humana pode ser anulada pela própria inserção involuntária do homem numa sociedade?”

 

 

 

 

proposição

Uma proposição é o pensamento que é expresso, suposto ou sugerido por uma frase declarativa. Só as frases declarativas exprimem valores de verdade, ou seja, só elas exprimem pensamentos que podem ser verdadeiros ou falsos. Uma pergunta, uma ordem ou uma exclamação podem exprimir um pensamento, mas não um pensamento susceptível de ser verdadeiro ou falso.

A mesma proposição (pensamento) pode ser expresso por diferentes frases, como por exemplo: “Deus é a causa primeira de todo o universo” e “O Universo tem como causa primeira Deus”.

 

refutação/rejeição

 

Refutar um argumento, uma afirmação ou uma acusação é provar a sua falsidade. Não deve ser confundido com “rejeitar” algo, uma vez que uma refutação requer uma justificação através de razões (provas, contra-exemplos, etc.), enquanto a rejeição é uma mera negação que não requer grande esforço argumentativo.

“Eu estava em total desacordo com a sua (Michael Dummett) visão antirealista do mundo. Mas em filosofia temos de ser capazes de refutar o argumento dos outros antes de podermos afirmar que pisamos terra firme, por isso tive de examinar os argumentos complexos e obscuros de Dummett por forma a descobrir o que havia de errado neles.” (cit. in Colin McGinn, The making of a philosopher, Scribner, 2003)

suposição

 

Vamos supor que o criminoso entrou em casa pela janela. Nesse caso é de esperar que encontremos provas de que forçou a entrada.

 

Uma suposição é uma premissa em que não se acredita necessariamente. Tem um valor instrumental no sentido em que é utilizada num argumento para se tentar descobrir a verdade.

No argumento em cima o autor convida-nos a seguir um raciocínio a partir da suposição de que o criminoso entrou pela janela. A suposição é, neste caso, uma hipótese do que poderá ter acontecido. Por vezes, ao supormos uma determinada premissa estamos a fazer de advogados do diabo.

 

suspensão do juízo

 

Estratégia de investigação filosófica em que se suspende temporáriamente uma determinada crença (afastamo-la dos nossos juízos) com o propósito de analisar e aprofundar as várias possibilidades de um raciocínio. Por exemplo, mesmo que acreditemos que a verdade é relativa a cada cultura, pôr entre parêntsis esta crença com o objectivo de problematizar a questão.

(OB, 2005)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2)     Erros comuns de raciocínio e argumentação

 

ambiguidade

 

Não há conhecimento sem razão.

Uma palavra ou proposição é ambígua quando tem mais de um sentido possível.

Em que sentido o autor usa o termo razão?

Causa?; Verdade?; Consciência?; Raciocínio?

O significado da proposição varia conforme o sentido do termo.

Ao longo de um argumento o sentido de um termo não pode mudar, caso contrário o argumento “está arruinado”.

Existem vários tipos de ambiguidade:

Ambiguidade Léxical:“O Mito dos Deuses” - o que significa o termo mito? Lenda?; Superstição?

Ambiguidade Referencial: “A laranja caiu para baixo da cadeira e eu peguei nela” – pegou em quê?

Ambiguidade Sintática: “Eram casas de bonecas pequenas.” – o que é que era pequeno?

argumento circular

 

       As diferenças que existem entre homens e mulheres não nascem connosco, mas

       são o resultado de educações diferentes dadas aos rapazes e às raparigas. Como 

       tal, o comportamentos do seres humanos é algo que é ensinado e não algo inato..

Um argumento circular é um argumento em que a conclusão aparece também numa das razões.

Não é um argumento lógicamente inválido, no entanto, não é de todo um argumento informativo.

 

ausência de argumento

Repetições, reformulações e paráfrases não são argumentos, mas é comum passarem por tal. Comecem a prestar atenção!

 

definição circular

 

Coragem é um sentimento que nos leva a fazer actos corajosos.

A filosofia é aquilo que os filósofos fazem.

 

Nos dois casos apresentados aquilo que se quer definir (definiendum) surge de alguma forma na definição (definiens). Ora, o objectivo de definirmos um conceito é, exactamente, explicar o seu significado e isto não é possível se, para percebermos esse significado temos já de perceber o conceito. Se já percebemos o conceito não precisamos para nada de uma definição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

estereótipo

 

Uma generalização acerca de um grupo baseada numa amostra demasiado pequena de indivíduos pertencentes a esse grupo. Os estereótipos são, normalmente, enganadores e imprecisos. No entanto, nem todas as generalizações são estereótipos. Um bom pensador crítico sabe distinguir as boas generalizações das más generalizações.

Lançarmo-nos de um avião sem para-quedas é sempre muito perigoso” é, sem dúvida, uma boa generalização. Já a generalização “todos os taxistas são racistas”, é uma má generalização baseada num estereótipo muito comum mas errado. Generalizar a partir de uma amostra de um punhado de taxistas racistas que conhecemos é uma generalização abusiva.

 

ver também generalização abusiva

 

falácia

Uma falácia é um erro de raciocínio. Um raciocínio pode estar errado fundamentalmente de duas maneiras distintas. Pode pretender ser um raciocínio dedutivamente válido e não o ser. E neste caso estamos perante uma falácia formal. Ou então pode cometer uma série de erros variados como sofrer de ambiguidade, ser demasiado vago, depender de premissas irrelevantes, etc.

Neste caso estamos perante uma falácia informal.

(SB)

 

falácia etimológica

Uma forma de falácia genética em que se defende que o significado actual de uma palavra deve estar ligado ao significado que essa palavra teve na sua origem. Quem comete esta falácia desconhece que a lingua não é uma coisa estática e que o uso de uma palavra ao longo dos anos vai fazendo com que ela adquira novos significados.

 

falácia genética

 

Em “A Genealogia da Moral” Nietzsche defende que certos valores altruístas como a  piedade, a misericórdia e a caridade têm a sua origem em sentimentos de ódio e de culpa. Daqui conclui que esses valores não têm o valor moral que o cristianismo desde sempre lhes atribuiu.

Este argumento é um exemplo de uma falácia genética em que se admite que por algo ter origem em x deve ter características importantes em comum com x.

Podemos ver que este tipo de argumento é uma falácia se tivermos em consideração alguns exemplos extremos:

“As galinhas vêm dos ovos, mas daí não se segue que partam ao cair.”

Reportando-nos ao argumento de Nietzsche, mesmo que estivesse certo quanto à origem dos valores altruístas daí não se segue que esses valores hoje em dia não devam ter importância moral.

 

falácia do falso dilema

 

Temos duas formas de encarar o problema do excesso de pombos nas nossas cidades. Ou ignoramos o problema e deixamos que o número de pombos continue a aumentar, com todas as consequências para a saúde pública que daí se segue.

Ou, por outro lado, procuramos resolver o problema matando o maior número possível de pombos, envenenando-os, disparando sobre eles ou destruindo os seus ninhos. Uma vez que só esta opção nos permitirá resolver todos os problemas que o excesso de pombos nos colocam, devemos optar por ela.

   

Neste argumento o autor apresenta-nos apenas duas soluções para o problema dos pombos, e depois opta por escolher uma delas. A que lhe parece ser a única que resolve o problema dos pombos: matar os pombos todos.

No entanto o autor usou um truque argumentativo para nos convencer da sua conclusão. Apresentou-nos um falso dilema, ou seja ignorou outras soluções alternativas possíveis que poderiam resolver o problema de outra forma. Talvez uma dessas soluções alternativas nos convencesse a não apoiar a solução apresentada pelo autor, ou seja, a não apoiar a matança indiscriminada de pombos.

Sem Deus a vida não tem sentido.

Esta asserção é um falso dilema. Qual?

(Rvd.BB)

 

generalização abusiva

 

 Os Marroquinos são um povo chato. Na minha última viagem a Marrocos nem consegui descansar, sempre importunado por gente a tentar vender coisas na rua e a oferecer-se para mostrar a cidade a troco de dinheiro.

 

O autor deste argumento faz uma generalização abusiva pois conclui algo acerca de um grande número de pessoas (o Povo Marroquino) a partir de uma amostra pouco representativa de Marroquinos (os que o abordaram na rua). Além disso ignorou um grande número de contra-exemplos que refutaria a sua generalização (Marroquinos extremamente simpáticos e prestáveis, mas que simplesmente não têm o hábito, ou a necessidade, de abordar turistas na rua).

Quem nos quisesse fazer acreditar numa generalização como esta teria ainda de nos apresentar razões que provassem que ser Marroquino de alguma forma faz com que as pessoas sejam chatas ou, pelo menos, que há algo que todos os Marroquinos possuem que é desagradável e aborrece as sensibilidades ocidentais.

Alguns filósofos têm uma tendência natural para tentar fazer passar nos seus argumentos este tipo de generalizações. Este é uma espécie de truque sofístico pois uma vez aceite num argumento uma premissa “universal” (Todos, Nenhuns) como a do exemplo, é mais fácil fazer passar a conclusão final do argumento por uma dedução lógica, o que é uma mais valia óbvia de qualquer argumento, fazendo-o parecer mais forte do que realmente é.

 

ver também amostra; generalização

 

inconsistência de crenças

 

1) Não existem verdades morais universais; os valores morais como o Bem e o Mal são apenas uma expressão de valores de culturas particulares.

2) O holocausto foi a prova de que o homem é capaz de cometer grandes males.

 

Duas crenças pessoais são consistentes quando podem ser as duas verdadeiras. São inconsistentes quando apenas uma pode ser verdadeira.

O homem que acredita ao mesmo tempo em 1 e 2 detém duas crenças incompatíveis entre si, ou seja, o seu sistema de crenças é, pelo menos neste ponto, inconsistente.

Enquanto a crença 1) afirma que a moralidade é uma questão cultural a crença 2) defende que o Holocausto foi um “mal”. Nesta segunda crença o significado de “mal” parece ir um pouco além do “mal cultural” ou “convencional”.

É claro que é sempre possível defender que mesmo o Holocausto só foi um “mal” para determinadas culturas (para a nossa, por exemplo), mas quem defende isso terá de engolir a bala e aceitar as consequências lógicas dessa posição. Terá de aceitar também, por exemplo, que os massacres no Ruanda dos Tutsis pelas milícias Hutus só é um mal para a nossa cultura (e talvez para a dos Tutsis) mas não é um mal para a cultura Hutu. Mas se os valores morais são meras “expressões de valores culturais diferentes” não podemos afirmar que considerar o Holocausto um “mal” é de todo superior a defender outro Holocausto judeu. Pouca gente está disposta a aceitar estas consequências e, uma vez confrontadas com crenças inconsistentes temos três opções:

- não nos preocuparmos de todo com a inconsistência das nossas crenças e não pensarmos mais nisso

- desistir de uma das crenças

- procurar reconciliá-las racionalmente

(JB & JS)

ver também consistência / inconsistência

 

irrelevância

Mudar a direcção da discussão através da inserção de elementos que não se relacionam directamente com ela. Esta mudança de direcção pode ser inadvertida, como quando se é incapaz de apreciar o essencial do tema em discussão, ou intencional, como quando um político se recusa a responder directamente às questões que lhe são colocadas ou quando se ataca pessoalmente alguém numa discussão e não os seus argumentos.

(NW)

paralogismo

 

Num argumento dá-se um paralogismo sempre que ocorre uma infracção injustificada das regras básicas da lógica. Por exemplo alguém que defenda que “se uma verdade é válida para uma pessoa é válida para todas as outras pessoas” está a ir contra as leis da lógica. Se não justificar de alguma forma como é que se dá essa estranha passagem do particular para o universal o seu argumento incorre num paralogismo.

(OB, 2006)

perda de unidade

 

A verdade existe?

Não existe a verdade mas sim várias verdades.

 

O facto de existirem vários tipos de verdade (verdades científicas, verdades da razão, ou lógicas, verdades de senso comum, verdades pessoais, etc.) não impede que exista algo que subsiste em todas elas. É esse vínculo que une vários exemplos de “verdades” que se procura numa definição mais geral de verdade.

(OB, 2005)

provincianismo

Forma de generalização pela qual concluimos que um determinado comportamento é o correcto pois é assim que as pessoas à nossa volta se comportam.

3)     Truques retóricos de persuasão e evasão

 

 

 

alteração do sentido

 

No decorrer de um argumento o autor transforma a proposição “Todos temos as nossas opiniões” em “Todos temos o direito a ter as nossas opiniões”.

 

Reformulação de uma proposição com um determinado sentido noutra semelhante mas com um sentido diferente.

Que alteração de sentido foi efectuada no exemplo dado?

 

eulogístico / dislogístico

 

Se exprimimos algo de forma favorável estamos a usar o modo eulogístico.

Já ao exprimirmos algo num tom mais desfavorável estamos a usar o modo dislogístico.

“Qual a diferença entre o luxo que o mundo condena e a prosperidade que o mundo admira?”

(JB & DM)

exemplo injustificado

 

 A fé é contrária à razão. Veja-se o caso da inquisição.

Apresentação de um exemplo com a intenção de se justificar uma determinada ideia sem sequer se analisar a sua pertinência.

 

 

falácia da definição persuasiva

 

A democracia é o governo do povoléu.

Neste exemplo o autor ao trocar a palavra “povo” por “povoléu” (que tem conotações bem mais negativas) está nitidamente a tentar levar o seu auditório a, de alguma forma, opor-se à democracia.

Numa definição persuasiva o autor do argumento usa uma palavra com a finalidade de passar ao auditório uma determinada atitude que contamine o resto do argumento

(PW; JB & DM)

ver também definição; definição circular; definiendum; definiens; eulogístico / dislogístico

 

 

perguntas retóricas

 

 Alguém quererá viver num país governado pelo Engenheiro Sócrates?

Quem acredita que somos realmente livres para fazer o que queremos?

Quem é que duvida que o culpado é o João?

 

Perguntas como estas são simplesmente substitutos para afirmação e não pedidos de respostas. Colocar uma pergunta retórica é uma forma de persuasão, pois quem a coloca normalmente tenta convencer o auditório a aceitar o seu ponto de vista sobre o assunto.

 

pseudo-profundidade

 

Usar deste truque retórico é proferir frases que parecem profundas mas não são com o intuito de enganar ou impressionar o auditório.

Dentro de determinados contextos essas frases podem indicar-nos pensamentos realmente profundos e levar-nos a interpretações bastante interessantes, mas uma vez que percebamos como é fácil escrever e dizer coisas que parecem inteligentes sem o serem de todo é menos provável que nos deixemos impressionar por elas:

Não se pode acreditar em mais nada se não em Deus.

O conhecimento é apenas outra forma de ignorância.

O caminho para a virtude é o vício.

A futilidade é uma forma de profundidade.

Outra forma de parecer profundo é colocando perguntas retóricas e deixá-las pairar sem tentar responder-lhes:

Serão os homens realmente felizes?

Será a vida um jogo sem sentido?

Podemos alguma vez conhecer-nos a nós próprios?

A profundidade está em tentar responder a estas perguntas e não apenas em colocá-las.

(NW)

vagueza

 

Quando for primeiro-ministro procurarei aumentar a eficiência empresarial deste país.

Falta de precisão argumentativa. Uma asserção vaga pode ser usada por alguém que não se queira comprometer com alguma ideia ou curso de acção e que, para isso, se refugia na imprecisão das suas palavras.

(NW)

4)     Factores psicológicos que impedem o raciocínio claro.

 

 

bloqueio emocional

 

Alguém defende que “a razão impede-nos de ser livres” e é incapaz de responder à pergunta “não serão os instintos uma prisão maior?”

Atitude mental muito comum em que as fortes convicções de alguém o impedem de problematizar e avaliar as suas próprias ideias.

Podemos ajudar alguém a sair deste bloqueio:

revelando as consequências dessa posição; sugerindo a defesa de uma posição oposta, no sentido de descentrar o sujeito fazendo-o sair “de si mesmo” por forma a observar de fora o problema; introduzindo um novo conceito operacional que clarifique o problema; pedindo um exemplo e procurando analisar as suas consequências.

(OB, 2006)

certeza dogmática

 

 A ignorância é inimiga do conhecimento.

A razão impede-nos de ser livres.

Atitude argumentativa muito comum que julga incontestável e absolutamente segura uma ideia particular sem que se procure justificar, compreender os seus pressupostos e consequências. Esta atitude dogmática é, a par da incerteza paralizante um dos factores comuns que impossibilitam toda a problematização filosófica.

No primeiro exemplo acima aduzido não é reconhecida a ignorância consciente como condição para adquirir conhecimento..

O que podemos dizer do segundo exemplo?

(OB, 2006)

dificuldade em problematizar

 

Atitude mental em que face a uma ou mais proposições contraditórias evitamos ou recusamos articulá-las entre si. Nessa altura oscilamos de forma não crítica entre uma e outra, ou simplesmente as deixamos conviver uma com a outra sem tentar resolver a contradição. Por exemplo as proposições “Os homens são livres graças às leis” e “As leis impedem os homens de ser livres” são contraditórias (i.e., não podem ser ambas verdadeiras). No entanto podemos tentar problematizar a questão da liberdade e superar a contradição propondo a proposição “O homem perde uma liberdade individual e ganha uma liberdade civil.”

(OB, 2006)

explicações alternativas (ignorância de)

 

Está provado que quem nasceu numa família de grandes talentos musicais tem muito mais probabilidades de também se tornar um talento musical. Daqui podemos concluir que o talento musical é herdado geneticamente.

 

Esta é uma forma comum de wishful thinking que ignora a plausibilidade de explicações alternativas para as mesmas observações

 

 

 

incerteza paralizante

- Existem verdades morais absolutas?

- Não sei. Isso é algo que está para além da nossa capacidade de conhecimento.

 

Face a uma dificuldade em chegar a uma conclusão a mente recusa-se a arriscar uma hipótese ou suposição no sentido de analisar ou articular um problema com o objectivo de melhor o perceber e aprofundar.

(OB, 2005)

 

mito da resposta correcta

 

Qualquer pessoa razoável aceita que o mundo físico é mais dependente de determinadas leis conhecidas que o mundo social ou que o mundo da mente humana. Existem, de facto, determinados conhecimentos acerca do mundo físico que as ciências empíricas podem explicar e prever de forma correcta.

A complexidade do mundo social e do comportamento humano parece opor-se a essa certeza determinista. A consciência e a liberdade humanas parecem opor-se  a estas certezas científicas nas respostas correctas.

Esta incerteza leva-nos muitas vezes, na ausência de provas irrefutáveis, a preferir explicações que se adequem, racionalizando aquilo que acreditamos ser a resposta correcta

Dada esta complexidade e incerteza no comportamento social e humano frequentemente as nossas respostas nestes campos serão apenas de natureza probabilística. Uma vez que se reconheça o carácter probabilístico deste tipo de crenças estaremos muito mais conscientes da possibilidade de as nossas próprias crenças estarem erradas.

Na verdade se houvesse certeza acerca dos assuntos sociais e humanos pouco debate haveria sobre eles uma vez que pessoas razoáveis tendem a concordar sobre temas em que há certezas científicas. Mas, como bem sabemos, tal não é o caso no que toca aos assuntos sociais e humanos.

Mesmo que não se chegue à “resposta correcta” acerca deste tipo de controvérsias, é possível desenvolver e seguir métodos e técnicas de análise crítica que nos ajudem a chegar à “melhor e mais razoável resposta possível”, dada a natureza do problema e à informação disponível.

(B & K)

 

precipitação

 

Resposta emotiva e pouco reflectida, mais preocupada em apresentar uma resposta (qualquer resposta) que em aprofundar os diversos conceitos e factores que poderiam ajudar a responder à pergunta colocada. Uma precipitação facilmente nos faz cair em confusões e contradições.

(OB, 2006)

racionalização

 

Alguém encontra uma mala com dinheiro na rua e fica com ela. Justifica-se dizendo quequalquer pessoa o faria e, além disso ir à polícia não adiantaria nada.”

Esta pessoa está certamente a esconder as verdadeiras razões porque ficou com o dinheiro e a apresentar razões que se adequam às suas intenções.

É muito comum as pessoas acreditarem nas razões que elas próprias inventam para acreditarem no que acreditam.

(NW)

 

wishful thinking

 

A vida sem Deus não faria qualquer sentido, por isso Deus tem de existir.

Os factores inatos não têm qualquer importância na desigualdade social entre os sexos.

A verdade existe. É bom acreditar que ela existe.

 

Acreditar que apenas porque algo seria bom se fosse verdade então deve realmente ser verdade. Apesar de estranho, este tipo de raciocínio é extremamente comum. Isso pode dever-se a uma característica única dos seres humanos: a imaginação.

A capacidade que os seres humanos têm de pensar o que ainda não existe é uma capacidade fantástica que nos trouxe até ao estado actual da civilização. Sem ela nada poderia evoluir ou aperfeiçoar-se a não ser por acidente. A imaginação, sem dúvida alguma, é uma coisa boa. Mas também é através dela que se abre uma fenda por onde entra o wishful thinking. Queremos que as coisas melhorem, queremos que sejam como nós desejamos e começamos a iludir-nos, a pensar que isso certamente acontecerá, ou já aconteceu. (NW)

5)     Ferramentas para o moderador (em construção)

6)     Bibliografia

 

 

(AT) Critical Reasoning – a practical introduction, Anne Thomson, Routledge, 2002
(AF) Critical Thinking – an introduction, Alec Ficher, Cambridge Univ. Press
(Rvd.BB) Critical Thinking for Students, Roy van den Brink-Budgen, Howtobooks
(B & K) Asking the Right Questions – A Guide to Critical Thinking, M. N. Browne and S.M.Keeley, Prentice Hall
(TS &LV) How to think about weird things – Critical Thinking for a new age, T. Schick, Jr. and L. Vaughn, McGraw Hill
(NW) Thinking from A to Z, Nigel Warburton, Routledge, 2000

(JB & JS) Do you think what you think you think, Julian Bagini and Jeremy Stangroom, Granta Books, 2006

(OB, 2005) El diálogo en clase, Óscar Brenifier, Ediciones Idea, 2005

(OB, 2006) La opinión, el conocimiento y la verdad, Óscar Brenifier, Ediciones del Laberinto, 2006

(AW) A Arte de Argumentar, Anthony Weston, Gradiva

(JB & DM) – Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, João Branquinho e Desidério Murcho, Gradiva, 2001

(AA) Dicionário Escolar de Filosofia,  org. Aires Almeida, Plátano, 2009 (as entradas referentes a este dicionário foram transcitas na íntegra.)

(SB) Dicionário de Filosofia, Simon Blackburn, Gradiva, 1994

(JR) Problemas da Filosofia, James Rachels, Gradiva

(PW) The vocabulary of critical thinking, Phil Washburn, Oxford University Press

Tomás Magalhães Carneiro

Porto, Outubro de 2009

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